 | No ano de 2000, um jovem argentino, Marcos Castagno, estudante de engenharia eletrônica de 22 anos, contou a seu diretor que havia ganhado o prêmio de "O estudante do século", que a Fundação Motorola outorgaria a cada ano, por ter inventado uma cafeteira que funcionava através de comandos de voz. O prêmio seria uma bolsa de estudo para fazer o mestrado de dois anos no Japão. |
Entusiasmado o diretor deu a notícia ao reitor, que emocionado e sem perder tempo contou a história a um deputado. A mentira foi se espalhando como pólvora seca acesa até chegar aos ouvidos do governador da província, José Manuel da Sota.
O invento funcionaria da seguinte forma: a pessoa colocava uma moeda na cafeteira e pedia verbalmente, por exemplo, um café duplo e a máquina servia automaticamente.
A fama do rapaz cresceu como espuma, e sua história foi publicada nos principais jornais da província de Córdoba. Todos queriam entrevistá-lo, ainda que ninguém tomou a precaução de pedir prova do tal prêmio.
Em 26 de abril, o governador Manuel da Sota recebeu o garoto, sempre escoltado pelo diretor, o deputado e o reitor, e felicitou-o em nome dos cordobeses.
Mas o sonho terminou. Chegou a hora de viajar ao Japão e o castelo do garoto desmoronou. Como seus nervos.
Alguns dias após a homenagem Marcos voltou a ser o centro das notícias: contou, ante atônitos jornalistas, como um grupo de "umas 15 ou 20 pessoas de fisonomia japonesa", tinham assaltado-o em um banheiro do Aeroporto de São Paulo, em uma escala quando viajava para o Japão.
- "Disseram que me matariam se eu não entregasse a cafeteira e o seu projeto." O relato era tão descabelado, que muitos acreditavam estar dentro de um filme de James Bond: afinal de contas, não faltavam ingredientes como a espionagem industrial, a "máfia japonesa", e até um tiro num suposto coordenador da —também suposta— Fundação Motorola.
No final daquela tarde todos foram fazer o que deviam ter feito antes: consultar a Motorola que informou a absoluta falta de veracidade dos fatos.
Marcos nunca saiu da Argentina. Nunca foi ameaçado nem roubado, senão por sua própria megalomania. Segundo explicaram, o jovem temia perder uma bolsa de estudo que recebera da prefeitura e por isso teria inventado toda a história.
Se perdeu a bolsa não sabemos, mas o certo é que Marcos deve ter se perdido no doloroso inferno de sua própria vergonha.
Tópicos relacionados
Josi »