
Muitos motins violentos começaram por motivos que parecem quase absurdos. Em 1325, as cidades rivais de Modena e Bolonha entraram em guerra por causa de um balde velho de madeira, um episódio que ficou conhecido como a "Guerra do Balde. Em 1355, as tensões entre os habitantes da cidade e os acadêmicos da Universidade de Oxford culminaram em derramamento de sangue após uma discussão sobre vinho ruim, no que ficou conhecido como "Motim do Dia de Santa Escolástica. Por mais absurdo que pareça, ambas cobraram vidas humanas.

O "Motim da Truta", como o nome sugere, pertence a essa curiosa tradição um surto de violência desencadeado, por mais improvável que pareça, por um único peixe.
Em meados do século XII, a cidade de Zamora, na Espanha, ocupava uma posição de considerável importância estratégica. Situava-se na fronteira instável entre o Reino de Leão e os poderes muçulmanos de al-Andalus, primeiro a dinastia Almorávida e depois o Califado Almóada.
Ao mesmo tempo, Zamora estava localizada em importantes rotas comerciais, incluindo a estrada que levava ao sul em direção ao Caminho de Santiago, e era um centro importante no comércio de prata. Essas vantagens fomentaram uma economia urbana próspera, uma burguesia crescente e um mercado movimentado e concorrido.
Foi nesse mercado, no ano de 1158, que ocorreu o incidente. Um sapateiro acabara de comprar a última truta restante de um peixeiro quando foi abruptamente abordado por um servo do cavaleiro Gómez Álvarez.
O servo insistiu que precisava do peixe para seu mestre e argumentou que, em virtude do status de seu senhor, deveria ficar com ele. Tanto o sapateiro quanto o peixeiro recusaram, alegando que a truta já havia sido vendida.
A discussão rapidamente se acirrou e, em pouco tempo, uma multidão se reuniu em torno dos envolvidos, alguns apoiando o sapateiro, outros o servo. Incapaz de obter o peixe, o servo acabou desistindo e voltou para seu senhor de mãos vazias.
Quando o cavaleiro soube do ocorrido, reuniu alguns nobres e criados armados e marchou de volta à praça do mercado. Lá, procuraram o sapateiro, o peixeiro e os moradores que os haviam apoiado abertamente durante a disputa.
Vários desses plebeus foram presos. As prisões enfureceram os moradores, e a raiva se espalhou rapidamente pela cidade. O que havia começado como uma disputa por um único peixe agora se transformou em um tumulto aberto.
Um grupo de cavaleiros locais reuniu-se na Igreja de Santa Maria para decidir como reagir. Gómez Álvarez argumentou que tal desafio não poderia ser tolerado. Para evitar mais insolência, propôs a execução por enforcamento dos envolvidos na perturbação.
Enquanto os nobres debatiam dentro da igreja, os habitantes da cidade, muitos deles da emergente classe burguesa, reuniram-se em peso. Barricaram as portas da igreja com lenha e atearam fogo, prendendo os que lá estavam. O edifício transformou-se em um inferno e os homens que lá se encontravam morreram.
Temendo a reação de Fernando II de Leão e as represálias dos parentes dos nobres assassinados, muitos dos amotinados fugiram para a vizinha Portugal. De lá, escreveram ao rei e ao Papa, relatando os eventos do motim da truta e a longa série de queixas que alegavam ter sofrido nas mãos dos nobres mortos. Imploraram perdão pelo incêndio da igreja e pelas mortes que causou. Caso o perdão fosse negado, advertiram, permaneceriam em Portugal e se tornariam súditos de Afonso I de Portugal.
O jovem rei Fernando enfrentava agora um dilema difícil. Com apenas vinte e um anos e pouco mais de um ano no trono, ele não podia arriscar alienar a nobreza. Conceder perdão aos exilados poderia levar senhores poderosos a retirar seu apoio, talvez até mesmo a apoiar pretendentes rivais dentro do reino.
Se os exilados permanecessem em Portugal, fortaleceriam uma potência vizinha cujos interesses nem sempre coincidiam com os de Leão. No fim, Fernando reconheceu que a agitação tinha causas mais profundas e que permitir que os amotinados permanecessem em Portugal poderia representar uma ameaça maior do que perdoá-los.
Segundo a tradição, o Papa Alexandre III interveio e estabeleceu as condições para a absolvição. Os exilados foram obrigados a reconstruir a igreja destruída de Santa Maria, que passou a ser conhecida como Santa Maria "nova". Além disso, deveriam encomendar um elaborado retábulo, adornado com numerosos painéis de prata e pedras preciosas.
Essas condições foram finalmente cumpridas. A igreja foi construída no século XII e ampliada no século XIII. Ainda hoje existe uma rua com o nome "Motim da Truta" ao lado dela.

Muitos motins violentos começaram por motivos que parecem quase absurdos. Em 1325, as cidades rivais de Modena e Bolonha entraram em guerra por causa de um balde velho de madeira, um episódio que ficou conhecido como a "Guerra do Balde. Em 1355, as tensões entre os habitantes da cidade e os acadêmicos da Universidade de Oxford culminaram em derramamento de sangue após uma discussão sobre vinho ruim, no que ficou conhecido como "Motim do Dia de Santa Escolástica. Por mais absurdo que pareça, ambas cobraram vidas humanas.

O "Motim da Truta", como o nome sugere, pertence a essa curiosa tradição um surto de violência desencadeado, por mais improvável que pareça, por um único peixe.
Em meados do século XII, a cidade de Zamora, na Espanha, ocupava uma posição de considerável importância estratégica. Situava-se na fronteira instável entre o Reino de Leão e os poderes muçulmanos de al-Andalus, primeiro a dinastia Almorávida e depois o Califado Almóada.
Ao mesmo tempo, Zamora estava localizada em importantes rotas comerciais, incluindo a estrada que levava ao sul em direção ao Caminho de Santiago, e era um centro importante no comércio de prata. Essas vantagens fomentaram uma economia urbana próspera, uma burguesia crescente e um mercado movimentado e concorrido.
Foi nesse mercado, no ano de 1158, que ocorreu o incidente. Um sapateiro acabara de comprar a última truta restante de um peixeiro quando foi abruptamente abordado por um servo do cavaleiro Gómez Álvarez.
O servo insistiu que precisava do peixe para seu mestre e argumentou que, em virtude do status de seu senhor, deveria ficar com ele. Tanto o sapateiro quanto o peixeiro recusaram, alegando que a truta já havia sido vendida.
A discussão rapidamente se acirrou e, em pouco tempo, uma multidão se reuniu em torno dos envolvidos, alguns apoiando o sapateiro, outros o servo. Incapaz de obter o peixe, o servo acabou desistindo e voltou para seu senhor de mãos vazias.
Quando o cavaleiro soube do ocorrido, reuniu alguns nobres e criados armados e marchou de volta à praça do mercado. Lá, procuraram o sapateiro, o peixeiro e os moradores que os haviam apoiado abertamente durante a disputa.
Vários desses plebeus foram presos. As prisões enfureceram os moradores, e a raiva se espalhou rapidamente pela cidade. O que havia começado como uma disputa por um único peixe agora se transformou em um tumulto aberto.
Um grupo de cavaleiros locais reuniu-se na Igreja de Santa Maria para decidir como reagir. Gómez Álvarez argumentou que tal desafio não poderia ser tolerado. Para evitar mais insolência, propôs a execução por enforcamento dos envolvidos na perturbação.
Enquanto os nobres debatiam dentro da igreja, os habitantes da cidade, muitos deles da emergente classe burguesa, reuniram-se em peso. Barricaram as portas da igreja com lenha e atearam fogo, prendendo os que lá estavam. O edifício transformou-se em um inferno e os homens que lá se encontravam morreram.
Temendo a reação de Fernando II de Leão e as represálias dos parentes dos nobres assassinados, muitos dos amotinados fugiram para a vizinha Portugal. De lá, escreveram ao rei e ao Papa, relatando os eventos do motim da truta e a longa série de queixas que alegavam ter sofrido nas mãos dos nobres mortos. Imploraram perdão pelo incêndio da igreja e pelas mortes que causou. Caso o perdão fosse negado, advertiram, permaneceriam em Portugal e se tornariam súditos de Afonso I de Portugal.
O jovem rei Fernando enfrentava agora um dilema difícil. Com apenas vinte e um anos e pouco mais de um ano no trono, ele não podia arriscar alienar a nobreza. Conceder perdão aos exilados poderia levar senhores poderosos a retirar seu apoio, talvez até mesmo a apoiar pretendentes rivais dentro do reino.
Se os exilados permanecessem em Portugal, fortaleceriam uma potência vizinha cujos interesses nem sempre coincidiam com os de Leão. No fim, Fernando reconheceu que a agitação tinha causas mais profundas e que permitir que os amotinados permanecessem em Portugal poderia representar uma ameaça maior do que perdoá-los.
Segundo a tradição, o Papa Alexandre III interveio e estabeleceu as condições para a absolvição. Os exilados foram obrigados a reconstruir a igreja destruída de Santa Maria, que passou a ser conhecida como Santa Maria "nova". Além disso, deveriam encomendar um elaborado retábulo, adornado com numerosos painéis de prata e pedras preciosas.
Essas condições foram finalmente cumpridas. A igreja foi construída no século XII e ampliada no século XIII. Ainda hoje existe uma rua com o nome "Motim da Truta" ao lado dela.

A frase, possivelmente apócrifa, "Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos, pelo mesmo motivo", comparando a necessidade de substituir fraldas "cagadas" com políticos ineficientes ou corruptos, é popularmente atribuída a vários autores: Eça de Queiroz, Mark Twain, Barão de Itararé, Benjamin Franklin, etc. No entanto, não existem registros concretos que comprovem nenhum dos autores, mas você já pensou no assunto sobre o que devemos fazer para resolver o problema com esta renca de malditos corruptos de Brasília?

As eleições, frequentemente chamadas de pedra angular da democracia, são ferramentas que garantem que todos os cidadãos de uma nação tenham voz política igual. Mas esses chamados "grandes equalizadores" têm sido assolados por corrupção, divisões partidárias, polarização e eleitores desinformados.
É por isso que alguns dos primeiros e mais famosos defensores da democracia usaram uma abordagem diferente. De 508 a 322 a.C., Atenas se afastou cada vez mais dos funcionários eleitos. Com exceção de cargos especializados, como generais militares e altos funcionários das finanças, a maioria dos cargos legislativos, executivos e judiciais era preenchida por meio de sorteio. Sério!
A partir dos 30 anos, os cidadãos podiam colocar uma ficha com seu nome em uma máquina de sorteio. Essas máquinas nomeavam cidadãos para cargos governamentais por meio de um processo projetado para garantir aleatoriedade e evitar fraudes.
Antes de assumirem o cargo, os candidatos escolhidos passavam por um exame público para investigar seu caráter, e aqueles que fossem aprovados geralmente serviam por um único ano.
Ao término do mandato, eles passavam por outra avaliação pública para investigar sua conduta e transações financeiras durante o período no cargo. Esse sistema era chamado de sorteio, e seu objetivo era promover a igualdade política.
De fato, os atenienses viam as loterias como mais democráticas do que a votação, já que acreditavam que as eleições favoreciam os ricos e influentes.
Os nomeados aleatoriamente, por outro lado, eram cidadãos comuns que se apresentavam para cumprir seu dever cívico. E como a maioria dos cargos não permitia mandatos repetidos, o sorteio impedia que as pessoas ganhassem muita influência política.
É claro que esse sistema estava longe de ser perfeito. O sorteio ateniense excluía mulheres, residentes estrangeiros e pessoas escravizadas. E, como filósofos como Platão e Aristóteles apontaram, a tomada de decisões políticas exige conhecimento especializado, uma qualidade difícil de desenvolver em mandatos curtos e que não pode ser garantida por seleção aleatória.
Mas, de modo geral, esse sistema baseado em sorteio tinha forte apoio público. Era a forma dominante de democracia durante a Era de Ouro de Atenas e só terminou de fato quando os conquistadores de Atenas aboliram a democracia por completo.
Então, se o sorteio proporcionava estabilidade naquela época, poderia fazê-lo agora?
O filósofo político Alex Guerrero, professor de filosofia na Universidade Rutgers - New Brunswick, acredita que sim e até propôs uma versão moderna do sorteio, que ele chama de lotocracia. Funciona assim: em vez de depender de um único órgão decisório para cada questão, Guerrero propõe múltiplas assembleias, cada uma dedicada a uma área política específica.
Essas legislaturas de tema único, selecionadas por sorteio, ou SILLs, são compostas por centenas de cidadãos escolhidos aleatoriamente, que recebem treinamento na área temática de sua assembleia por especialistas e defensores.
Em seguida, após consultar o público para obter sua perspectiva, os membros de um SILL (Comitê de Interesse Especial) elaboram e votam em políticas específicas sobre o tema. Este sistema se estende até o topo, distribuindo até mesmo os poderes da presidência por meio de uma rede de Assembleias Executivas, compostas por sorteio, e pelos funcionários administrativos que elas nomeiam.
Os defensores da lotocracia acreditam que ela poderia resolver três dos maiores problemas enfrentados pelas democracias modernas.
Primeiro, a representação desigual. Como campanhas eleitorais bem-sucedidas exigem dinheiro e influência, muitos eleitos são muito mais ricos do que o eleitor médio. Segundo a influenciadora Ana Paula Renault o Congresso possui uma alta concentração de riqueza, com cerca de 93% dos deputados federais inseridos no grupo dos 10% mais ricos do Brasil. Além disso, dados apontam que 18% dos deputados são considerados "super-ricos", possuindo fortunas superiores a R$ 50 milhões.
Segundo problema: a maioria dos candidatos depende de doações de indivíduos, empresas e grupos de interesse especial que podem tentar influenciar suas políticas, uma prática conhecida como lobby.
A lotocracia dificulta a compra de influência, evitando eleições, oferecendo aos nomeados uma remuneração generosa e impondo mandatos mais curtos.
O terceiro problema é a falta de competência na formulação de políticas. Enquanto políticos de carreira lidam com dezenas de propostas políticas sobre inúmeras questões complexas -que eles não sabem resolver pois a maioria é analfabeta funcional e se fiam em seus assessores-, os SILLs permitem que seus membros se tornem especialistas em um único tópico.
Como era de se esperar, essa proposta radical tem críticos, que argumentam, com bastante razão, que a lotocracia exige que a maioria dos cidadãos se submeta a um pequeno grupo escolhido aleatoriamente.
Eles acreditam que as democracias devem permitir que os cidadãos exerçam a liberdade política em igualdade de condições, e as eleições são fundamentais para isso.
As eleições permitem que as pessoas definam a agenda política e vinculam os ocupantes de cargos públicos a um ciclo contínuo de responsabilidade, tanto nas urnas quanto perante o público.
Nessa visão, o voto é a forma como os cidadãos moldam e limitam coletivamente o poder público. E sem ele, mesmo o governo lotocrático mais competente poderia parecer um governo de especialistas. Sem eleições, pode ser difícil dizer o que torna um sistema democrático.
Mas esse debate destaca um objetivo comum: todos nós queremos instituições que sirvam a todos e abordem problemas reais. Assim como todos os outros elementos da democracia, cabe a nós continuar experimentando até encontrarmos um sistema que alcance esses ideais.
Imaginem só a cena: em vez de pagar marketing milionário para prometer picanha e cerveja, o político brasileiro teria que torcer para o Kleroterion -aquela máquina grega de sorteio- não chamá-lo para ser o novo Ministro da Fazenda, porque ele mal sabe fazer o pix do churrasco. A lotocracia ateniense no Brasil seria o ápice do caos organizado, uma mistura de "Show do Milhão" com "A Praça é Nossa".
O Cenário: A Praça dos Três Poderes vira um enorme bingo. Dona Etelvina, uma fofoqueira do subúrbio de Bangu, é sorteada para ser senadora. Seu Zezé que vende paçoca, isqueiro e cigarro solto no semáforo, vira o novo novo relator da Reforma Tributária.
Dona Etelvina chega no Senado com sua marmita e quer saber por que o ar-condicionado está tão frio, enquanto Zezé, com um cigarro atrás de cada orelha, quer taxar o isqueiro importado porque rende muito menos grana que o nacional.
A "democracia direta" ateniense (onde todos debatem) significaria que a votação do novo Código Penal seria interrompida para os senadores irem assistir ao jogo do Flamengo e se envolverem em uma briga colossal no fim da parida.
A grega isegoria dava direito igual de voz a todos. No Brasil, isso quer dizer que, em vez de 30 segundos de horário eleitoral, o tiozão do zap tem 10 minutos no microfone do plenário para explicar por que a Terra é plana e como o preço da gasolina é culpa da Lua em Touro. Os debates técnicos seriam substituídos por "quem grita mais alto" ou "quem tem o melhor meme".
Atenas sorteava estrategos. Imagine o sorteio para Comandante das Forças Armadas: sai o nome de um vendedor de picolé na praia de Copacabana. Ele assume com a missão de invadir a Argentina só porque o time deles ganhou no vôlei. A logística militar brasileira baseada no "vai que dá".
Em Atenas, eles podiam banir políticos por 10 anos. No Brasil, a urna do ostracismo seria usada para expulsar o vizinho que coloca funk alto às 3 da manhã, ou o síndico que aumentou o condomínio.
Como eles recebiam salário para governar, o sorteio seria a melhor notícia da vida de muito brasileiro.
- "Mãe, fui sorteado para a Comissão de Ética! Agora a gente sai do Serasa!"
O problema é que, como a política exige tempo livre (ócio), o governo teria que pagar o salário, o vale-refeição, o vale-coxinha e o auxílio-transporte para o cidadão sorteado.
No resumo desta ópera bufa, a lotocracia no Brasil seria o governo do povo, pelo povo, e infelizmente... sorteado entre o povo. Pelo menos a corrupção seria mais democrática, já que todos teriam a chance de ser sorteados e, provavelmente, fazer um governo caótico da mesma forma.
Ok... já vou tomar meu Lexotan!

A perda da noção de direção (norte/sul/leste/oeste) em um ambiente totalmente escuro e isolado pode ocorrer de forma muito rápida, muitas vezes nas primeiras horas ou no primeiro ciclo de sono, devido à privação de pistas visuais e ambientais. A capacidade humana de orientar-se depende quase inteiramente de referências externas, como o sol, sombras ou pontos de referência conhecidos. Sem luz, o cérebro perde a capacidade de confirmar a direção, tornando difícil distinguir o norte. Curiosamente você continua sabendo onde está em cima e em baixo ou onde está o seu nariz.

No mesmo sentido sabemos que as plantas precisam de luz para crescer, mas quando uma semente é plantada, ela fica debaixo da terra, na escuridão total. Nessas circunstâncias, você ou eu não conseguiríamos encontrar o caminho para a luz. Então, como as sementes fazem isso?
Acontece que elas têm algumas maneiras inesperadas de navegar pelo mundo e literalmente crescer. A primeira coisa que você precisa saber é qual é o lado para cima e qual é o lado para baixo.
Normalmente, a luz, que você precisa desesperadamente para fazer fotossíntese e começar a produzir seu próprio alimento, estará em cima, onde está o sol.
E a água e os nutrientes estarão embaixo, na terra. É aí que você geralmente quer que suas raízes cresçam. Então você precisa se orientar. Mas você é uma semente. Você não p[é, nem nariz, tampouco cérebro, nenhum sistema nervoso de mamífero, nada que se pareça com olhos ou qualquer coisa que deveria ser usado para resolver esse enigma.
Péra... será que você consegue detectar a força gravitacional do planeta! Eu sei, parece bizarro. Mas aqui está como sabemos que é verdade.
Em 1806, um botânico britânico chamado Thomas Andrew Knight, germinou sementes em um disco girando no escuro. E como estava escuro, as plantas não se moviam em direção à luz, senão que a força centrífuga gerada pela rotação fez com que as raízes crescessem para longe do centro do disco e os brotos crescessem em direção ao centro.
Neste experimento aparentemente bobo, Thomas demonstrou que as plantas conseguem sentir a força da gravidade. Mas precisamos investigar mais a fundo para entender como elas sentem a gravidade.
Logo vamos descobrir que as plantas usam células sensoriais chamadas estatócitos nos brotos e raízes. E os estatócitos, por sua vez, estão repletos de estatólitos, que funcionam como neve em um globo de neve. Eles se depositam em um lado da célula, graças à gravidade.
A plântula percebe onde seus estatólitos se acumulam e é isso que indica para onde a gravidade está empurrando. Mas acontece que os estatólitos não são as únicas coisas que se acumulam em um lado do tecido de uma planta jovem. Um hormônio de crescimento chamado auxina também se concentra em um lado ou outro das partes em crescimento, estimulado pelo que está acontecendo nos estatócitos.
E é isso que ajuda as raízes a crescerem para baixo, em direção à gravidade, e os brotos a empurrarem para cima, contra ela.
A concentração de auxina pode fazer com que um lado da plântula cresça mais do que o outro, curvando uma raiz ou broto na direção correta, como um leque de papel se abrindo. Um trabalho realmente impressionante para um organismo que não possui sistema nervoso de mamífero!
Então, a primeira força que indica a uma muda para onde crescer é a gravidade. Mas a gravidade não é a única força que atua sobre ela. Modelos matemáticos sugerem que, se as mudas usassem apenas estatócitos para direcionar seu crescimento, elas ultrapassariam a orientação vertical ideal e precisariam se recuperar para corrigir seu ângulo. E o que as ajuda a se moverem até atingirem um caule reto é o autoconhecimento.
Você já deve ter ouvido falar de um sentido humano chamado propriocepção, que ajuda as pessoas a saberem onde seus corpos estão no espaço. É o que ajuda as pessoas a tocarem o nariz com o dedo quando estão de olhos fechados ou a se equilibrarem em uma bicicleta.
As plantas também têm propriocepção. E isso significa que elas podem se autocorrigir se ficarem deformadas. Por exemplo, se tiverem muita auxina de um lado.
O senso de si mesmas as ajuda a saber quando foram longe demais para que possam se endireitar. Neste ponto do crescimento de uma muda, ela já superou vários obstáculos. Ela usou a gravidade para guiá-la para cima e a propriocepção para garantir que crescesse reta. Agora é hora de usar a luz para guiá-la até atingir seu potencial máximo de fotossíntese.
Então, crescer reto para cima deveria levar a planta à luz sem precisar detectá-la de outra forma. Mas às vezes a luz não está diretamente acima. Talvez a semente tenha germinado embaixo de um banco de parque, ou seja o objeto do experimento de algum cientista maluco.
Cientistas como Charles Darwin ajudaram a estabelecer a ideia de que as plantas respondem à luz no século XIX. Ele cobriu brotos de grama em crescimento com papel alumínio para bloquear a luz. E descobriu que apenas os brotos descobertos cresciam em direção à luz.
Isso porque, embora as mudas não tenham "olhos", elas têm sua própria versão de fotorreceptores, como os cones e bastonetes nos olhos humanos.
Para a luz, aquele hormônio útil, a auxina, entra em ação novamente. Ela permite que a planta se incline em direção àquela doce e preciosa luz do sol. Mas mesmo com um senso de gravidade, autoconhecimento e luz, uma planta não sobrevive muito tempo sem água.
Embora os cientistas ainda estejam tentando descobrir como as plantas a procuram, eles sabem que, uma vez que a detectam, estendem suas raízes diretamente em direção a ela.
Os pesquisadores descobriram isso colocando raízes de ervilha em um labirinto que basicamente lhes dava uma bifurcação, que de um lado tinha água embaixo e o outro não. E oito em cada dez plantas cresceram nessa direção. Mesmo quando a água estava contida em um cano de drenagem subterrâneo.
Portanto, as ervilhas conseguem perceber algo sobre a água correndo pelos canos, mesmo quando não sentem a umidade.
Seja como for, elas parecem usar isso como uma pista para onde querem que suas raízes cresçam. O que significa que podemos adicionar a água à lista de coisas que dizem a uma planta em que direção crescer.
Mas até agora, eu só falei sobre cada um desses fatores individualmente, porque lá fora, no mundo, uma planta será moldada por todas essas forças ao mesmo tempo. Elas desenvolvem seus brotos na direção oposta à gravidade, ao mesmo tempo que os desenvolvem para longe de si mesmas e em direção à luz. E, frequentemente, esses efeitos são aditivos na direção do crescimento.
Mas, às vezes, essas forças entram em conflito umas com as outras. Uma planta pode estar crescendo em direção à luz, mas se ver arqueando em direção ao próprio caule. Quando duas forças não concordam totalmente, uma delas precisa ter prioridade.
Estamos falando de plantas tomando decisões! O quanto uma planta se curva em resposta a uma força em detrimento da outra depende de fatores como o grau de discordância entre essas forças e a intensidade da força.
Se a luz for fraca, a gravidade ditará o crescimento muito mais do que a luz. E se a gravidade ditar que uma planta deve crescer reta para cima, mas ela só recebe luz solar do lado direito porque há uma grande árvore bloqueando o sol da esquerda, então ela crescerá em um ângulo intermediário de 45 graus entre as forças da gravidade e da luz.
Juntas, essas forças são o que moldam uma planta. Elas estão constantemente interagindo no processo de crescimento.
E, no final, ainda há muito que a botânica não entende sobre como uma semente passa de um estado para o outro. Mas, como vemos, sabemos que elas incorporam muitos dados para atingir sua forma final.
Por essas e outras, plantar mudas é geralmente melhor que sementes por garantir maior taxa de sobrevivência, acelerar o tempo de colheita e reduzir desperdícios. Como já estão desenvolvidas e com raízes formadas, superam a fase frágil e complicada de germinação, sendo ideais para iniciantes ou culturas de ciclo longo.
Apesar da rapidez das mudas, as sementes são mais baratas, ideais para grandes áreas e cultivam plantas com raízes mais profundas, que podem ser mais resistentes a longo prazo.
Essas sementinhas podem não conseguir se levantar e ir embora (de bicicleta), mas com certeza sabem muito bem para onde estão indo.

O luge é considerado um dos esportes olímpicos de inverno mais perigosos porque os atletas deslizam em pistas de concreto geladas, com os pés à frente, a velocidades superiores a 140 km/h, praticamente sem nenhuma proteção física. Apesar da pista ser construída para manter o atleta no trajeto, a falta de freios, o controle corporal mínimo do luge, a velocidade e altas forças G (até 5G) podem catapultá-lo pra fora da pista, resultando em acidentes feios, como o traumatismo craniano crônico conhecido como "cabeça de trenó".

Os atletas, muitas vezes deitados de costas em posição supina, atingem velocidades de até 145 km/h sem qualquer mecanismo de frenagem, confiando unicamente em movimentos sutis e de alta precisão da parte superior do corpo para direcionar o veículo.
No vídeo abaixo vemos como o campeão olímpico italiano de luge, Leon Felderer, desce a pista em Lillehammer, na Noruega, a velocidades de até 138 km/h, com nada entre ele e a pista além de um macacão de spandex, um trenó e uma reza forte.
- E olha que eu nem sou religioso", brincou ele.
Além das quedas imediatas, os atletas sofrem de "cabeça de trenó", uma condição causada por vibração constante e altas forças G, resultando em microconcussões que podem causar tontura, náusea e danos cognitivos a longo prazo.
Este vídeo explica os perigos da "cabeça de trenó" e os riscos para os praticantes de luge.
Os atletas enfrentam forças de até 5 vezes o seu peso corporal nas curvas, o que pode causar graves tensões no pescoço e afetar a sua capacidade de ver ou reagir.
Por isso, o esporte é cronometrado ao milésimo de segundo, o que significa que um único erro, por menor que seja, ou um movimento brusco, pode fazer com que o trenó perca o controle ou capote, levando a acidentes com risco de vida.
- "Sempre na minha hora de competir, digo ao colega do lado: 'Vou ali me matar e já volto'", ri de novo Leon.
O alemão Felix Loch se sagrou campeão do luge nos jogos olímpicos de Vancouver em 2010, mas um ano antes, o maluco alcançou o recorde mundial de velocidade, 153,98 km/h, na pista de Whistler, Canadá, conhecida por ser uma das mais rápidas do mundo
Curiosamente, não existe um recorde mundial olímpico de luge porque as pistas variam muito. A Federação Internacional de Luge (FIL) geralmente foca nos recordes de pista de cada local, mas muitos apostam que este campeão é o conhecido "homem-de-gelo", o russo Roman Pilov.
A natureza perigosa do esporte é evidenciada pela morte do atleta georgiano de luge Nodar Kumaritashvili nos Jogos Olímpicos de 2010, que perdeu o controle e colidiu com uma viga de aço, enfatizando o caráter implacável da pista.

Os Beatles compuseram tantas canções que definiram uma era, que é fácil presumir que cada faixa tenha saído diretamente dos cadernos de Lennon e McCartney. Mas, assim como toda banda lendária, os Fab Four foram moldados pelos artistas que os inspiraram muito antes de se tornarem ícones. Antes dos estádios, dos fãs histéricos e da fama mundial, os Beatles se apresentavam em clubes em Liverpool e Hamburgo, tocando sets de horas repletos de clássicos do rock e R&B americanos que eles curtiam quando eram mais jovens.

Essas influências não apenas guiaram sua direção musical, mas também apareceram diretamente nos primeiros discos dos Beatles. Espalhadas por seus primeiros álbuns, encontram-se versões de músicas originalmente gravadas por outros artistas, algumas apresentadas como homenagens fiéis, outras com um toque (e grito) característico dos Beatles.
Aqui estão 5 músicas dos Beatles que você não sabia que eram, na verdade, covers.
Twist & Shout
Os Beatles gravaram mais de 70 músicas, sendo "Twist & Shout" uma de suas versões mais célebres. Originalmente gravada pelo The Top Notes em 1961, a canção só alcançou sucesso nas paradas musicais quando os Isley Brothers lançaram um cover em 1962.
Os Beatles trouxeram sua energia característica para a faixa em 1963 e a incluíram como a música de encerramento de seu álbum de estreia, Please Please Me. Em novembro daquele ano, a banda apresentou a canção no Royal Variety Performance, no Teatro Príncipe de Wales, em Londres, na presença da Rainha Mãe e da Princesa Margaret.
Antes da apresentação da última apresentação, Lennon fez o anúncio que convenceu todos os que ainda duvidavam e garantiu a eles as manchetes em todos os jornais do dia seguinte.
- "Para nossa última música, gostaria de pedir a ajuda de vocês. Quem estiver nos lugares mais baratos, bata palmas", disparando a gargalhada da plateia. - "E o resto de vocês, por favor, façam barulho com suas joias. Gostaríamos de cantar uma música chamada 'Twist And Shout'."
Ao final da música, Ringo juntou-se aos outros no centro do palco e a cortina se fechou atrás deles. Eles se curvaram, primeiro para a plateia, depois para o camarote real, antes de saírem correndo do palco.
Till There Was You
Outra versão adorada dos Beatles, "Till There Was You", é uma balada suave e romântica que originalmente fazia parte do musical The Music Man, de 1958. Paul era fã da interpretação de Peggy Lee, de 1960, e decidiu apresentá-la aos Beatles. A versão dos Fab Four permanece fiel à melodia da canção original e à interpretação de Peggy, com Ringo tocando bongô em vez de bateria, mas com um andamento mais rápido.
Assim como "Twist & Shout", a versão deles para "Till There Was You" se tornou tão popular que a banda a apresentou ao vivo no The Ed Sullivan Show . A versão também entrou para a lista de faixas do segundo álbum britânico da banda, With the Beatles, em 1963, e do álbum americano Meet the Beatles!, em 1964.
A versão mais famosa em português de "Till There Was You" é "Quando Te Vi", lançada por Beto Guedes em 1984. Com letra de Ronaldo Bastos, a adaptação manteve o tom romântico da música original de Peggy, popularizada pelos Beatles, tornando-se um clássico da MPB.
Chains
Muitas das versões cover dos Beatles eram de músicas originalmente compostas para outros artistas. "Chains", presente no álbum de estreia da banda, Please Please Me, foi escrita por Gerry Goffin e Carole King em 1962 para o grupo feminino americano The Cookies, que eram cantoras de apoio da pioneira do pop Little Eva, da Brill Building . A faixa foi uma versão cover única para os Beatles, pois marcou a estreia de George nos vocais principais e contou com John na gaita.
Os Beatles tocaram "Chains" ao vivo por vários anos antes de se concentrarem em material original. Durante a criação de Please Please Me, eles gravaram quatro versões da música e, por fim, escolheram a primeira para o álbum.
Anna (Go to Him)
Outra faixa do álbum Please Please Me, "Anna (Go to Him)", foi originalmente gravada pelo cantor de soul Arthur Alexander, nascido no Alabama. Inspirando-se na música de Arthur, os Beatles buscaram influências de R&B em suas canções. Embora Paul tenha falado sobre o impacto de Arthur, a música era, na verdade, uma das versões favoritas de John, e ele assumiu os vocais principais.
Arthur lançou a música original em 1962 como lado A de "I Hang My Head and Cry", apenas alguns meses antes de os Beatles gravarem sua versão. Os Fab Four não foram a única banda a reinterpretar canções da lenda que misturava gêneros . Os Rolling Stones também fizeram um cover de seu single de 1960, "You Better Move On".
Please Mr. Postman
Mantendo-se na temática R&B, os Beatles fizeram um cover do sucesso de 1961 das Marvelettes, "Please Mr. Postman", em 1963. O grupo feminino tornou a música famosa, e ela se tornou a primeira faixa da Motown a alcançar o primeiro lugar na Billboard Hot 100. A canção captura o espírito descomplicado dos anos 1960 e as raízes do rock.
Os Beatles gravaram "Please Mr. Postman" para seu segundo álbum, With the Beatles, incorporando palmas que deram à faixa um toque mais animado. A música fazia parte de seus shows ao vivo desde 1962, mas a versão final de estúdio só foi concluída em 1963. Outra característica notável dessa versão é a voz de John gravada em duas pistas, com sua voz sendo gravada duas vezes em faixas separadas, em vez de duplicar uma única tomada.
Esta canção, que conta a história de esperança que o carteiro traga uma carta de seu namorado, que está ausente na guerra, talvez seja a única desta coleção que fez mais sucesso com outra banda. Na trilha do sucesso dos Beatles, em 1974, os irmãos Caren e Richard Carpenter, Carpenters, foram catapultados ao sucesso como uma das bandas que mais venderam discos na história.