![]() | Quando criança. a minha cidadezinha do interior tinha apenas uma banca de revistas na pracinha central da cidade. A maioria das crianças não tinha condições de comprar revistinhas, que eram muitas. O dono da banca, Seu Custódio, teve uma ideia genial ao reservar um cantinho do coreto chamando-o de Cantinho da Leitura onde dispunha 1 gibi de cada série para leitura local por um preço módico, Por exemplo, O Almanaque do Tio Patinhas/i> custava, por exemplo, 10 reais. A criançada podia lê-lo no Cantinho da Leitura por 50 centavos.Todo mundo lia e o local estava sempre coalhado de crianças e adolescentes. |

As revistinhas mais famosas, como SuperMan, Fantasma e Homem Aranha, tinham um custo maior, mas mesmo assim, no dia do lançamento da edição mensal, o coreto fazia fila para a leitura.
As revistinhas mais baratas eram das séries Turma da Mônica e da Editora Vechi, que importava historinhas americanas da editora Harvey Comics, quando me deparei pela primeira vez xom um quadrinho muito estranho sobre um fantasminha que não queria assustar ninguém: o Gasparzinho.
O fantasminha já era sucesso nos EUA e tinha até um filme. "O Fantasminha Camarada", lançado em 1945 pela Paramount Pictures, produzido pelo Famous Studios.
No filme, Gasparzinho morava em uma casa mal-assombrada com outros fantasmas mais velhos que adoravam assustar os vivos. Como ele não gostava de assustar ninguém e só queria fazer amigos, sentia-se um total deslocado e decidiu ir embora para o mundo em busca de companhia.
Por onde passava, os animais e as pessoas fugiam dele morrendo de medo, apenas por ele ser um fantasma. Deprimido e cansado de ser rejeitado por todos, Gasparzinho chega a um momento trágico e decide deitar-se nos trilhos de um trem para acabar com a própria existência (já que não aguentava mais a solidão). Porém, por já ser um fantasma, o trem passa por cima dele sem causar dano algum. Tadinho! Mas pode ver que tem um ótimo desfecho com final feliz.
Nos primeiros curtas dos anos 40, o Gasparzinho tinha um traço bem diferente do que se popularizou depois. Ele era mais gordinho, com o formato de um "lençol" mais rústico, cabeçorra e traços faciais menos definidos.
Só na década de 1950 (especialmente quando os direitos foram adquiridos pela Harvey Comics) é que ele ganhou o visual mais arredondado, fofo e icônico que marcou as gerações seguintes.
Originalmente, algumas fontes e roteiros iniciais sugeriam que ele era o espírito de uma criança falecida e é aqui que a coisa ficou verdadeiramente interessante: Gasparzinho seria, na verdade, o fantasma do Riquinho, uma das lendas urbanas mais famosas do mundo dos quadrinhos e da cultura pop.
O principal argumento dessa teoria é a semelhança física inegável entre os dois personagens. Ambos foram publicados pela mesma editora, a Harvey Comics, que usava um traço artístico muito parecido para suas propriedades.
Para dar um tom mais sombrio à história, os fãs criaram uma narrativa trágica de que o Riquinho teria morrido de forma misteriosa ou devido à ganância de sua riqueza. Consumido pela solidão, ele teria retornado como um fantasma camarada, desprovido de bens materiais, buscando apenas o que nunca conseguiu comprar em vida: amizade verdadeira
No entanto, para não deixar a premissa pesada demais para o público infantil, a editora mudou o conceito e passou a tratá-lo como um fantasma que simplesmente nasceu fantasma, filho de outros fantasmas.
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