![]() | Os espetáculos de "wing walker" (acrobacia sobre as asas de aviões em movimento) protagonizados por mulheres surgiram no início da década de 1920, nos Estados Unidos. Essa modalidade fez parte do fenômeno conhecido como barnstorming, shows aéreos itinerantes que se tornaram imensamente populares após a Primeira Guerra Mundial. Embora os primeiros a andarem nas asas tenham sido homens (inicialmente por razões técnicas ou militares), as mulheres rapidamente assumiram o protagonismo e se tornaram as maiores estrelas desse esporte radical devido à sua leveza, flexibilidade e coragem. |

Ethel Dare, considerada uma das primeiras mulheres a se apresentar profissionalmente nas asas, foi apelidada de "A Bruxa Voadora)". Mas a mais famosa foi Lillian Boyer, uma baixinha espevitada, ex garçonete, que, entre 1921 e 1929, realizou centenas de exibições, incluindo a façanha de se transferir de um automóvel em alta velocidade para um avião.
Hoje, o wing walking ainda existe de forma altamente regulamentada e segura como um esporte acrobático performático em festivais ao redor do mundo.
Uma sestas praticantes é Betty Bromage, de 97 anos, que alçou voo para realizar um looping na asa de um avião quebrando seu próprio recorde mundial do Guinness de 2022 como "caminhante de asa mais idosa", e estabelecendo outro recorde como a mais velha a realizar um looping na asa de um avião.
Este voo arrecadou fundos para a Organização Beneficente dos Hospitais de Cheltenham e Gloucester. Ocorreu em um aeródromo em Cirencester, Gloucestershire, Reino Unido, no dia 4 de agosto.
Em 2022, Betty jurou que tinha se aposentado desta insanidade, mas quando ficou sabendo que a instituição de caridade estava precisando de ajuda não fugiu a responsabilidade, desaposentou e alçou voo com a missão de arrecadar dinheiro para caridade.
Qual era a Motivação daquelas pioneiras?
A motivação por trás dessas apresentações altamente perigosas envolvia uma mistura de fatores econômicos, sociais e pessoais. Após a Primeira Guerra Mundial, havia uma enorme abundância de aviões biplanos baratos e muitos pilotos desempregados. Para atrair o público pagante em feiras agrícolas e festivais locais, os pilotos precisavam de atrações cada vez mais chocantes.
Os dublês e as mulheres wing walkers eram contratados porque o público pagava deliberadamente pelo fator choque e pelo risco iminente de morte.
Na década de 1920, as mulheres haviam acabado de conquistar o direito ao voto nos EUA e buscavam maior independência. Desafiar as leis da gravidade e o perigo extremo em cima de um avião era uma forma poderosa de provar a igualdade de capacidade, coragem e resiliência frente aos homens, rompendo com a imagem da "mulher frágil" da era vitoriana.
Muitas dessas mulheres usavam o dinheiro arrecadado para financiar suas próprias lições de pilotagem e comprar suas próprias aeronaves, já que as escolas tradicionais de aviação costumavam recusar mulheres. Além disso, havia o puro gosto pela adrenalina e pela fama que esses espetáculos proporcionavam.
Entre as pioneiras faltou citar o nome de Gladys Ingle, integrante de um dos grupos mais conhecidos de aerobatas: os Gatos Pretos Voadores. Gladys era conhecida por sua habilidade como andadora de asas e saltava regularmente de um avião para outro.
Para nossa sorte, uma de suas acrobacias mais icônicas -onde ela trocou o pneu de um avião no ar- foi filmada. A filmagem data de 1926, quando as habilidades de Gladys foram úteis.
Temerária de coração, Gladys Ingle foi a única integrante do grupo, depois de se tornar a quarta mulher nos Estados Unidos a obter uma licença de piloto.
O auge dessas acrobacias sem nenhuma proteção terminou no final da década de 1930. Devido ao alto índice de acidentes fatais, o governo dos EUA passou a exigir o uso obrigatório de paraquedas e cintos de segurança rígidos, o que tirou parte do apelo "vida ou morte" que fascinava o público da época.
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