![]() | Estima-se que existam quase 362 milhões de cães e gatos sem lar em todo o mundo, dos quais 143 milhões são cães que vivem nas ruas. A vida pode ser extremamente difícil para esses animais, que lutam contra a fome, doenças não tratadas e ferimentos, além da perseguição direta na forma de "abates" em que podem ser envenenados ou baleados, campanhas de erradicação em que são removidos e confinados para o resto da vida em abrigos muitas vezes precários, ou roubados por ladrões de cães em algumas partes da Ásia para o brutal comércio de carne de cachorro. |

A União Europeia enfrenta números que indicam uma falta crônica de responsabilidade por parte dos donos de animais de estimação. Estima-se que na Europa existam mais de 100 milhões de animais de rua (cães e gatos), número que inclui tanto animais recentemente abandonados quanto aqueles nascidos na rua.
Em países como França ou Espanha, o abandono aumenta em mais de 30% durante o período de verão, quando os donos saem de férias e consideram o animal um estorvo.
O aumento da inflação e dos custos veterinários (medicamentos, alimentação, intervenções) levou a um aumento de 15 a 20% no número de animais entregues a abrigos por seus donos nos últimos dois anos.
Na Romênia, a situação é crítica, pois o país possui uma das maiores populações de cães abandonados da Europa, apesar dos esforços de controle.
Embora a lei obrigue os proprietários a microchipar e registrar os cães no RECS (Registro de Emergência de Cães), a taxa de cumprimento nas áreas rurais permanece abaixo de 35%, impossibilitando a identificação da pessoa que abandona o animal.
A falta de campanhas massivas de esterilização gratuita subsidiadas pelo Estado leva ao abandono de milhares de cachorros anualmente em caixas ou campos, um fenômeno teoricamente punível com prisão, mas raramente sancionado na prática.
O abandono não é apenas um problema de espaço em abrigos, mas uma crise de educação. A nível europeu, os países que introduziram uma “Licença de Posse de Animais de Estimação” ou cursos obrigatórios antes da compra de um animal, como em certos cantões da Suíça ou estados da Alemanha, têm taxas de abandono muito mais baixas.
Na Romênia, o ciclo vicioso só pode ser quebrado através de três pilares: esterilização obrigatória, educação escolar sobre empatia para com os animais e sanções severas aplicadas a quem trata a vida como um acessório descartável. Enquanto o animal não for visto legal e socialmente como um ser com direitos, as ruas continuarão cheias de “bichos excedentes”.
Enquanto o resto da Europa luta contra o "abandono de férias", na Romênia o fenômeno é estrutural, alimentado pela falta de esterilização em massa e por uma cultura de posse irresponsável, especialmente em áreas rurais e periurbanas.
Embora a lei romena obrigue os proprietários de cães sem raça definida a esterilizar seus animais, a taxa de cumprimento nas áreas rurais permanece abaixo de 35%, resultando no abandono de milhares de filhotes a cada primavera e outono em campos ou à beira da estrada.
Os abrigos públicos na Romênia registram uma taxa de ocupação superior a 115%, muitos deles operando no limite da subsistência e dependendo quase exclusivamente de doações de associações internacionais para alimentação e tratamento. Já os privados praticam um crime nojento.
Embora a multa por abandono de animais possa chegar a 12.000 lei (R$ 13.000), o número de sanções efetivamente aplicadas pela Polícia Animal permanece baixo devido à dificuldade de identificar o proprietário na ausência de um microchip.
A Romênia continua sendo um dos principais "exportadores" de cães para adoção internacional em países como Alemanha, Grã-Bretanha e Holanda, com milhares de cães romenos resgatados anualmente por ONGs estrangeiras.
A principal diferença entre a Romênia e os países da Europa Ocidental reside não apenas no número de abrigos, mas também na percepção do animal como um "objeto" descartável em vez de um "membro da família". No país , o abandono é frequentemente visto como uma solução para o próprio lar, e não como um crime.
Enquanto os programas de educação escolar não incluírem módulos sobre empatia e responsabilidade para com os seres vivos, e enquanto as prefeituras não subsidiarem massivamente a esterilização gratuita de animais de estimação em áreas desfavorecidas, a Romênia continuará sendo o ponto negro no mapa da proteção animal na Europa, sobretudo porque dezenas de milhares de cães continuam sendo mortos todos os anos em todo o país. Por trás dessa matança existe um negócio lucrativo de milhões. Alguns abrigos privados recebem dinheiro público para abrigar cães de rua (entre R$1.200 e R$2.400 por aninal), mas en vez de cuidá-los, são negligendiados e mortos indiscriminadamente. Uma investigação da DW buscou mostrar o que está por trás desse possível esquema de crueldade contra os animais.
A independência desse ciclo de abandono depende diretamente da aplicação rigorosa das leis de microchipagem e da transformação da mentalidade coletiva.
O Brasil tem cerca de 30 milhões de animais abandonados, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde e dados divulgados pela Agência Brasil.
Aproximadamente 20 milhões de cachorros vivem nas ruas ou em situação de abandono. 10 milhões de felinos estão na mesma situação. Mais de 200 mil animais dependem do trabalho de ONGs e protetores independentes, que frequentemente enfrentam superlotação.
Como apontou uma análise do Jornal da USP, o número de animais abandonados no país segue em um patamar alarmante. Levantamentos detalhados mostram que a maior parte dos casos ocorre em áreas urbanas, impulsionada por falta de planejamento na adoção, dificuldades financeiras e ausência de castração em larga escala. Vale lembrar que o abandono de animais é crime no Brasil, passível de punição por lei.
Aqui em Joinville a situação estabilizou-se um pouco, mas há uns 10 anos fui obrigado a instalar uma câmera de frente para a rua para flagrar tutores irresponsáveis, que vinham abandonar animais na área rural onde moro. Cheguei a ter 8 cães dentro do cercado.
De lá para cá a prefeitura lançou campanhas educativas, há matérias exclusivas sobre empatia com animais de estimação nas escolas públicas, abrigos e lojas pet só entregam animais mediante microchipagem e há pelo menos 2 mutirões anuais de castração gratuita.
Pode até parecer um pouco exagerado para quem é de fora, mas funcionários da Unidade de Bem-estar e Proteção Animal da Secretaria de Meio Ambiente (SAMA) de Joinville percorrem as ruas vacinando periodicamente os animais e fazendo cadastros para os mutirões.
Há plantão de atendimento e atendimento de emergência 24 horas pelo Centro de Bem-estar Animal. Curiosamente, os animais tarimbados de rua fogem para as montanhas sempre que notam o grupo de veterinários andando por sua área.
O MDig precisa de sua ajuda.
Por favor, apóie o MDig com o valor que você puder e isso leva apenas um minuto. Obrigado!
Meios de fazer a sua contribuição:
- Faça um doação pelo Paypal clicando no seguinte link: Apoiar o MDig.
- Seja nosso patrão no Patreon clicando no seguinte link: Patreon do MDig.
- Pix MDig: 461.396.566-72 ou luisaocs@gmail.com




Faça o seu comentário
Comentários