![]() | Os filmes da Disney levam meninas a sonharem que serão princesas quando cresceram, desfilando vestidos deslumbrantes, contando com servos fiéis, recebendo uma fada madrinha encantada e se casando com o príncipe azul idealizado. Porém, o que aconteceria se estes filmes tivessem uma continuação? Eventualmente, chegaria o momento de ser rainha, e a vida das rainhas reais está longe de ser divertida ou idílica. Para começar, na vida real, como rainha, não era a princesa quem decidia com quem se casaria; frequentemente tratava-se de um príncipe ou rei com laços consanguíneo, e às vezes mal falavam a mesma língua. |

Alexandra Feodorovna, a última czarina, foi executada a tiros e baionetadas com toda a família.
Depois, o dever da consorte era gerar filhos de sangue real. Muitas pessoas queriam matar seu cônjuge, seus filhos ou até ela mesma você. Tudo isso, enquanto ela tinha que manter a compostura esperada da realeza. Seus súditos podiam nem gostar dela. Era uma sentença perpétua sem privacidade ou autonomia.
A vida das rainhas consortes e regentes na história esteve frequentemente ligada a tragédias políticas, casamentos infelizes, solidão e execuções.
A monarca que mais tempo governou o Reino Unido, Elizabeth II, assumiu o trono de surpresa aos 25 anos e viveu a transição da realeza para o mundo moderno.
Apesar do seu casamento com Philip, que foi sua grande âncora pessoal, ela teve que suportar os recorrentes escândalos dos filhos,
No "annus horribilis", 1992, três de seus filhos se separaram (incluindo o príncipe Charles e a princesa Diana) e viu um incêndio destruir grande parte do seu amado Castelo de Windsor.
A reação inicial fria e isolada da família real pela morte de Diana gerou uma fúria pública sem precedentes e a maior crise de popularidade de seu reinado.
Seus últimos anos foram marcados por crises na família, como o afastamento do príncipe Harry, e a profunda tristeza da morte de seu marido com quem foi casada por 73 anos.
No entanto sua vida até que foi tranquila se comparada a de Catarina de Aragão (Inglaterra): casou-se por aliança política, perdeu vários filhos e foi repudiada por Henrique VIII após décadas de casamento.
Catarina passou seus últimos anos isolada, trancada em castelos úmidos, proibida de ver a própria filha e na pobreza.
Já Sofia Doroteia de Celle (Hanôver/Grã-Bretanha), casou-se com o futuro rei Jorge I da Grã-Bretanha, que a maltratava publicamente.
Após ter um caso amoroso descoberto, seu amante foi assassinado e ela foi aprisionada em um castelo por 32 anos até sua morte, sem nunca mais ver os filhos.
Ana Bolena e Catarina Howard (Inglaterra), ambas rainhas consortes de Henrique VIII. Ana falhou em dar um herdeiro homem e foi decapitada sob falsas acusações de adultério e traição.
Catarina, casada ainda adolescente, foi executada pelo mesmo motivo após ser manipulada pela corte.
Maria Stuart (Escócia): Teve o primeiro marido morto na adolescência, o segundo assassinado (com suspeitas sobre ela) e foi forçada a se casar com o principal suspeito do crime.
Foi forçada a abdicar, fugiu para a Inglaterra buscando proteção e acabou aprisionada por sua prima, Elizabeth I, por 19 anos antes de ser decapitada.
Maria Antonieta (França) casou aos 14 anos com um homem que a ignorou por anos e foi usada como bode expiatório para a crise financeira da França.
Maria viu seus filhos adoecerem e morrerem, foi arrancada de sua família durante a Revolução Francesa, presa em condições miseráveis e executada na guilhotina.
Alexandra Feodorovna (Rússia): última czarina da Rússia, era profundamente isolada e odiada pelo povo por sua origem alemã e pela dependência de Rasputin, a quem recorreu pelo desespero de curar a hemofilia do filho.
Viu o império desmoronar e foi executada brutalmente a tiros e baionetadas com toda a sua família em um porão.
Joana I de Castela, "A Louca"): Casou-se por amor com Filipe, o Belo, que a traía constantemente e tentou usurpar seus direitos ao trono.
Após a morte dele, ela foi trancada em um palácio-fortaleza em Tordesilhas por seu próprio pai e, mais tarde, por seu próprio filho o imperador Carlos V, onde permaneceu confinada por quase 50 anos.
Se as animações de Hollywood mostrassem os "créditos finais" da vida real, o encanto quebraria imediatamente. O "felizes para sempre" das telas ignora que, historicamente, o casamento era apenas o início de um jogo político perigoso, onde a rainha costumava ser a peça mais vulnerável.
Se Hollywood fizesse sequências realistas, as telas mostrariam Cinderela isolada em um castelo estrangeiro, sem poder confiar nem nos próprios servos, pois qualquer um poderia ser um espião a serviço de reinos rivais.
A Bela Adormecida descobrindo que seu príncipe perfeito se casou com ela apenas para anexar terras e que ele mantém várias amantes na corte.
Branca de Neve vivendo sob a pressão insuportável de gerar um herdeiro homem, sabendo que, se falhasse, poderia ser rejeitada, trancada em um convento ou acusada de traição para abrir espaço para uma nova esposa.
No fim das contas, as princesas dos contos de fadas só conseguem manter o brilho porque suas histórias terminam exatamente onde a dura realidade das rainhas começava.
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