![]() | Em 2015, Shoshana Roberts, 24 anos, caminhou por Manhattan durante dez horas (certamente não todas seguidas), trajando camiseta simples, jeans e tênis, com um homem à sua frente carregando uma câmera escondida para gravar qualquer interação com estranhos. Essa parte foi editada e reduzida a alguns minutos no vídeo que empresta contexto para este vídeo. Esse tipo de situação é algo que mulheres vivenciam todos os dias, mas os homens também. Ela recebeu 108 elogios, cantadas e xavecos o vídeo que conta hoje com mais de 52 milhões de visualizações. |

Se você acessar a página do YouTube, verá que a maioria dos 127 mil comentários não considera isso assédio e se ofende com a forma como é retratado.
Para um número não depreciável de usuários, incluindo muitas mulheres, não há nada de errado com o que acontece no vídeo, excetuando os caras que acompanham a modelo, enquanto vários outros se "matam" na área de comentários do YouTube.
A verdade é que o comportamento nas ruas e baladas e a percepção sobre paquera e assédio refletem uma transformação profunda nas normas sociais, culturais e na forma como as pessoas se relacionam.
Muitas mulheres reclamam que, hoje, na balada, a maioria dos caras bebem, conversam com os amigos e vão embora sem chegar em ninguém pelo receio da rejeição ou por serem taxados de assediadores.
- "Quando ignoro as mulheres completamente, me chamam estranho, pedófilo, introvertido, fenômeno, etcétera", comentou um usuário no Youtube. - "Mas quando trato de falar com elas, dizem que sou sexista, pervertido, feio... De modo que aprendi a não reconhecer sua existência e as ignoro solenemente", completou um possível futuro integrante do movimento redpill.
Este fenômeno causará impacto no número de casamentos e de nascimentos nos próximos anos? A resposta curta é: sim, as taxas de casamento e de natalidade já estão caindo globalmente de forma vertiginosa, mas essa mudança na paquera e no xaveco é apenas uma pequena engrenagem (um sintoma, e não a causa principal) de um fenômeno muito maior.
O recuo na abordagem direta e a consequente alteração na formação de casais envolvem múltiplos fatores estruturais, como aplicativos de relacionamento: Grande parte da paquera migrou para plataformas de namoro.
Os demógrafos e sociólogos apontam que a redução no número de casamentos e filhos é impulsionada por fatores muito mais profundos do que a mudança de comportamento na forma de abordagem.
O preço da habitação, educação e a instabilidade econômica fazem com que os jovens adiem ou desistam de casar e ter filhos.
As mulheres conquistaram maior independência financeira e espaço no mercado de trabalho, o que significa que o casamento e a maternidade deixaram de ser uma necessidade de subsistência ou o único projeto de vida.
Casar "no papel" e ter famílias numerosas perdeu o status de prioridade social para as gerações mais jovens.
Eu acho que o recuo dos homens faz parte de um período de transição e redefinição de limites. Muitos homens relatam insegurança ou receio de que uma tentativa de aproximação seja mal interpretada.
Por outro lado, movimentos sociais trouxeram à tona a necessidade de maior respeito ao espaço e ao consentimento das mulheres, reduzindo comportamentos invasivos que antes eram normalizados.
Esse cenário gera um "vácuo" temporário onde ambos os lados ainda estão aprendendo a navegar pelas novas regras de convivência.
Em resumo, o comportamento nas rua e na balada é um reflexo de uma sociedade que está redefinindo suas fronteiras de convivência e digitalizando seus afetos.
Mas una coisa essencialmente não mudou muito: homem bonito ou feio, com carrão importado, paquera. Homem de bicicleta assedia.
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