![]() | O bicampeão mundial de downhill, Diego Poncelet, que já havia atingido 100 quilômetros por hora nos Alpes Suíços, viajou o mundo com a Red Bull para alcançar sua meta pessoal de 150 km/h. Alcançar 150 km/h em cima de um skate é uma barreira histórica que desafia as leis da física e os limites do corpo humano. Na verdade, essa marca era considerada praticamente impossível até setembro de 2026, quando Diego quebrou o recorde mundial de downhill ao atingir incríveis 151,83 km/h um trecho íngreme com inclinação máxima de 18%, em uma estrada perfeita em Quebec, Canadá. |

Essa velocidade é raramente alcançada devido a uma combinação de fatores técnicos, físicos e de segurança. À medida que a velocidade aumenta, a resistência do ar cresce de forma exponencial, funcionando como uma verdadeira parede invisível. Para romper a barreira dos 150 km/h, o atleta precisa manter uma posição corporal extremamente compacta e imóvel.
O recorde atual exigiu anos de testes em túneis de vento e o desenvolvimento de macacões de couro tecnológicos com spoilers integrados para reduzir o arrasto. Qualquer sutil desalinhamento do corpo pode fazer o vento "jogar" o skatista para fora da prancha.
Em altas velocidades, pequenos relevos no asfalto geram vibrações que tendem a se amplificar. Isso causa uma oscilação violenta de um lado para o outro nos eixos do skate, conhecida como instabilidade. Sem equipamentos com engenharia de precisão militar, como eixos de alta estabilidade, rolamentos de cerâmica e rodas com compostos especiais de uretano, o skate se torna incontrolável, resultando em quedas catastróficas.
Diferente de um carro ou de uma moto, um skate de downhill não possui freios mecânicos. Para desacelerar em condições normais, os skatistas usam luvas com casquilhos de proteção para forçar uma derrapagem ou simplesmente erguem o tronco para usar o próprio corpo como freio aerodinâmico. A 150 km/h, iniciar um slide intencional é um risco extremo de morte, tornando a descida um teste de pura confiança no trajeto livre.
Para gerar gravidade suficiente para impulsionar um skatista a essa velocidade, é necessária uma combinação geográfica raríssima. O recorde mundial foi batido na ladeira de Route des Éboulements, no Canadá, que possui uma reta extremamente íngreme com 18% de inclinação máxima e mais de 2 km de extensão. Além disso, o asfalto precisa ser perfeitamente liso e a estrada deve estar completamente interditada.
Mesmo com a pista perfeita e o melhor equipamento do mundo, alcançar os 150 km/h exige fatores climáticos específicos. No recorde de 2026, o skatista precisou esperar uma janela meteorológica ideal que fornecesse um vento a favor de 10 a 14 km/h para empurrá-lo ladeira abaixo e diminuir o arrasto frontal.
A incrível façanha de Diego também estabeleceu um novo recorde mundial do Guinness, quebrando a marca anterior de 146,73 km/h estabelecida na mesma estrada em 2017 por seu falecido amigo e lenda do skate downhill Pete Connolly, cuja memória Diego homenageia no vídeo.
Ao contrário do que muitos pensam devido à natureza extrema de sua modalidade, a sua morte não teve relação com nenhum acidente de skate.
De acordo com o comunicado oficial emitido por sua esposa Zoe na época, ele lutou bravamente contra o câncer por mais de meia década para prolongar ao máximo seu tempo com a família antes de falecer cercado por parentes.
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