![]() | A coruja-lapônica (Strix nebulosa), também conhecida como grande-coruja-cinzenta, flutua silenciosamente com suas asas largas através de prados e aberturas em florestas geladas. São majoritariamente corujas da floresta boreal com pequenas populações nas montanhas ocidentais, mas em alguns anos deslocam-se mais para o sul em busca de alimento, dando a alguns uma oportunidade única de ver esta majestosa coruja. Apesar de seu tamanho é uma ave esquiva e difícil de encontrar. Embora pareça uma grande estrigforme, na verdade, é apenas uma grande bola de penas. |

As corujas-cinzentas são aves poderosas. Apesar de pesar apenas 2,5 quilos, elas podem romper a neve compactada para agarrar um pequeno mamífero. Uma dessas aves já foi vista rompendo a neve que era dura o suficiente para sustentar um ser humano de 80 kg.
As corujas-cinzentas precisam comer regularmente. No inverno, elas comem até 7 pequenos mamíferos do tamanho de ratazanas todos os dias. Às vezes chamada de Fantasma-do-Norte ou Coruja-Espectral, a coruja-cinzenta, como a maioria das corujas, são naturalmente capazes de voar e planar silenciosamente, graças a penas especialmente estruturadas, mas a coruja-cinzenta tem uma vantagem adicional: o maior disco facial de qualquer raptor.
Este arranjo circular de penas funciona como uma antena de radar, amplificando naturalmente sons fracos para as aberturas assimétricas das orelhas da coruja e uma orelha é mais alta que a outra.

Imagine como seria se você pudesse ouvir o menor ruído e soubesse exatamente de onde ele vem. Bem, isso é exatamente o que as corujas-cinzentas podem fazer. Assim como algumas outras corujas, elas têm aberturas auditivas assimétricas que as ajudam a encontrar a presa apenas pelo som.
A abertura da orelha esquerda é mais alta na cabeça do que a abertura da orelha direita, o que facilita uma audição direcional precisa e permite que elas capturem presas que não estão no seu campo de visão.

Ela é a coruja mais longeva que existe. A mais antiga registrada tinha pelo menos 18 anos e 9 meses e morava em Alberta, onde foi anilhada em 1996 e encontrada em 2013, após ser atropelada por um carro.
Este vídeo da Nature na PBS, um clipe de "Raptors: A Fistful of Daggers", segue uma majestosa coruja-cinzenta em busca de uma presa em um mundo branco. O narrador Nyambi Nyambi também conta que acredita-se que essas corujas possam ouvir os batimentos cardíacos dos roedores sob a base da neve, mas isso parece um pouco exagerado.
A verdade é que não há nada mais assustador do que uma coruja faminta para um roedor na floresta gelada. Elas te encaram com aqueles olhos de superpredador e deslizam silenciosamente para o ataque. Sob uma espessa camada de neve, porém, elas não conseguem ver sua presa.
A coruja-lapônica, porém, vai te encontrar de qualquer jeito. Essas aves têm superpoderes e conseguem ouvir os ratinhos-do-campo se movendo sob a neve.
Elas também usam a física para refinar seu ataque a um roedor veloz que elas não conseguem ver. A sobrevivência da coruja depende disso, como mostra o seguinte vídeo do programa A Natureza das Coisas, da rede CBC, de uma série chamada "O Mundo Secreto dos Sons. Se você tiver interesse, pode ver como eles conseguiram essas imagens incríveis em um vídeo de bastidores que explica a câmera acústica.
A colheita de madeira do habitat da coruja cinzenta é, talvez, a maior ameaça para esta espécie. A gestão intensificada da madeira normalmente reduz as árvores vivas e mortas de grande diâmetro utilizadas para nidificar, as árvores inclinadas utilizadas pelos juvenis para empoleirar-se antes de poderem voar e os densos encerramentos de copas em povoamentos utilizados pelos juvenis para cobertura e proteção.
Outros perigos para as corujas cinzentas incluem rodenticidas, colisões com veículos e o vírus do Nilo Ocidental. É provável que este vírus se torne mais prevalente com as alterações climáticas. Em Ontário e no nordeste do Oregon, há mortes confirmadas de corujas cinzentas causadas por ele.
Devido ao seu grande tamanho, as grandes corujas cinzentas têm poucos predadores naturais. Outras grandes corujas, vários pequenos carnívoros e ursos negros foram documentados predando filhotes, mas esses predadores raramente ameaçam os adultos, e sabe-se que as corujas afastam animais tão grandes quanto os ursos negros quando defendem seus ninhos. O único predador conhecido de corujas-cinzentas adultas é a enorme coruja-águia (Bubo bubo), que ocasionalmente ataca a primeira em partes da Europa.
Como dizíamos parágrafos acima, outras corujas, inclusive tropicais, evoluíram para também ostentar aberturas auditivas (orelhas internas) assimétricas, localizadas em alturas e posições diferentes nas laterais do crânio.
O exemplo mais emblemático e comum no Brasil é a coruja-das-torres (Tyto alba), mais conhecida como suindara, que possui o sistema de localização sonora tridimensional mais preciso entre os animais terrestres.
A suindara também se destaca por ter o voo mais silencioso entre as aves. Suas penas possuem estruturas especiais, como bordas serrilhadas e franjas flexíveis, que quebram a turbulência do ar e abafam o som do bater de asas. Esse silêncio permite que ela se aproxime de pequenas presas (como ratos e roedores) sem ser notada.
Outras espécies nativas, como a coruja-buraqueira (Athene cunicularia) e a coruja-orelhuda (Asio clamator), também compartilham dessa incrível adaptação anatômica.
Localização tridimensional: Se uma presa faz um barulho no chão, o som chega primeiro ao ouvido posicionado mais abaixo. Se vier do alto, atinge primeiro o ouvido mais alto.
O cérebro da suindara calcula a diferença de microssegundos e a intensidade do som entre as duas orelhas. Isso cria um mapa mental da posição exata da presa.
O disco de penas ao redor dos olhos de quase todas as cojujas, com destaque para a coruja-lapônica, funciona como uma antena parabólica natural, afunilando e direcionando as ondas sonoras diretamente para essas aberturas assimétricas.
É importante não confundir as orelhas anatômicas com os famosos "tufos de penas" no topo da cabeça de espécies como a jacurutu ou a coruja-orelhuda. Aqueles tufos são chamados de plumas auriculares e servem apenas para camuflagem e comunicação visual; os ouvidos de verdade ficam completamente escondidos sob as penas laterais.
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