![]() | A formatura é um dos marcos mais importantes na vida de uma pessoa. Anos de estudo, noites em claro, provas, trabalhos, tudo culminando em uma única cerimônia. Mas você já parou para pensar no traje? Falar a verdade? Por mais que estejamos habituados e que faça parte de uma tradição, o conjunto de beca, capelo, faixa e jabô é uma vestimenta estranha (e feia) para se trajar em uma formatura. Por que os formandos se vestem assim? E por que uma cerimônia de formatura moderna envolve vestimentas estranhas que parecem pertencer a séculos passados? |

Se você participou de uma formatura recentemente, provavelmente viu centenas de pessoas vestidas quase da mesma maneira: becas pretas, capelos quadrados e faixas na lateral e jabôs brancos plissados. É uma cena tão comum que a maioria das pessoas nem questiona, mas essa tradição remonta a um passado muito mais distante do que se imagina.
Para entender, precisamos voltar quase mil anos no tempo. As primeiras universidades na Europa surgiram durante a Idade Média. Instituições como Oxford e Cambridge já educavam estudantes muito antes da existência das escolas modernas.
Naquela época, as universidades eram bem diferentes dos campi que conhecemos hoje. Muitas aulas aconteciam em grandes construções de pedra — locais que, frequentemente, eram frios, cheios de correntes de ar e difíceis de aquecer.
Estudantes e professores precisavam de roupas que os mantivessem aquecidos enquanto estudavam/lecionavam.
As becas longas eram práticas: ofereciam proteção contra o frio, cobriam a maior parte do corpo e eram comumente usadas por pessoas instruídas daquela época. Mas havia outro motivo para o uso dessas vestes: muitos dos primeiros acadêmicos tinham uma ligação estreita com a Igreja.
Na Europa medieval, educação e religião andavam de mãos dadas; muitos professores e alunos pertenciam ao clero ou haviam recebido formação em instituições religiosas. Por isso, as vestes acadêmicas passaram a se assemelhar às roupas usadas por líderes como as batinas.
Com o tempo, essas becas tornaram-se um símbolo do próprio saber. Se você visse alguém usando uma beca, era muito provável que se tratasse de um acadêmico, e essa associação acabou se tornando um símbolo importante.
As vestimentas deixaram de ser apenas práticas. Elas passaram a representar educação, conhecimento e conquista.
Mas e quanto ao capelo? Aquele famoso chapéu quadrado tem sua própria história. Antes de adquirir esse topo quadrado e rígido, o acessório acadêmico para a cabeça evoluiu a partir do simples solideu, usado pelos estudiosos, em parte, para se protegerem do frio naqueles ambientes cheios de correntes de ar.
Com o passar do tempo, o design mudou e o chapéu ganhou um topo plano e quadrado. Não se sabe ao certo o motivo exato de seu formato; alguns historiadores sugerem que ele pode ter sido inspirado no formato de um livro acadêmico, enquanto outros apresentam teorias diferentes sobre a evolução dos acessórios acadêmicos para a cabeça.
Independentemente de sua origem exata, o capelo acabou se tornando mais um símbolo de conquista acadêmica. E, assim como a beca, ele se espalhou de uma universidade para outra.
Com o tempo, muitas universidades tornaram o uso de vestes acadêmicas obrigatório para estudantes, visando criar um senso de unidade. Ao exigir que todos usassem as mesmas vestes, as universidades evitavam que estudantes mais ricos exibissem roupas caras. Isso colocava todos em pé de igualdade, tornando-se o uniforme definitivo do conhecimento.
À medida que as universidades cresciam pela Europa, muitas adotaram tradições semelhantes. Os estudantes vestiam-se de maneira igual durante cerimônias importantes; as vestimentas ajudavam a identificá-los como membros da comunidade acadêmica.
Com o tempo, essas tradições atravessaram oceanos. À medida que universidades eram fundadas em outras partes do mundo, elas levaram consigo muitos desses costumes. Assim, o capelo e a beca tornaram-se elementos padrão nas cerimônias de formatura ao redor do globo.
Mas há mais um detalhe no traje que costuma chamar a atenção: o pingente do capelo. Hoje, mover o pingente de um lado para o outro, ou simplesmente jogar o capelo para cima é um momento simbólico em muitas cerimônias de formatura; ele representa a transição de estudante para graduado. Um gesto simples, mas carregado de significado.
O que levanta uma questão interessante: se essas tradições são tão antigas, por que ainda as mantemos? Afinal, os estudantes de hoje não precisam de becas para se aquecer em construções de pedra frias.
A resposta é: tradição. Uma formatura não se resume apenas ao recebimento de um diploma; trata-se de marcar uma conquista. O capelo e a beca conectam os formandos atuais a gerações de estudantes que os antecederam, pessoas separadas por décadas ou até séculos, todas compartilhando o mesmo momento simbólico.
Essas vestimentas nos lembram que a educação faz parte de uma história muito maior, uma tradição transmitida de uma geração para a outra. É por isso que, mesmo em um mundo repleto de tecnologia moderna, os estudantes ainda sobem ao palco vestindo batinas da Idade Média.
Portanto, na próxima vez que você presenciar uma cerimônia de formatura, observe o traje com mais atenção. O que parece ser apenas um capelo e uma beca é, na verdade, uma tradição que sobreviveu por centenas de anos. Um símbolo de aprendizado, de conquistas e de uma longa história da própria educação.
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