
Lógico que o país também se rendeu a febre da utilização dos diferentes tijolos com furos, os gạch đặc, tijolos maciços vitrificados sem furos são materiais de construção altamente especializados, conhecidos por sua extrema durabilidade, baixa absorção de água e elevada resistência estrutural. De fato, eles são os Nokias 3310 dos tijolos.
Por serem queimados a temperaturas excepcionalmente altas — até que a argila se funda em um estado semelhante ao vidro, eles são totalmente maciços e resistentes a condições climáticas adversas. Eles são transportados e despejados diretamente da caçamba do caminhão sem sofrer um risco.
Hoje, se você pegar um tijolo moderno típico e observar atentamente, notará algo estranho. Ele não é totalmente maciço. Diversos modelos, mas de 10, possuem vários orifícios distintos, conhecidos como núcleos, que atravessam seu interior. E esses espaços não são aleatórios.
Segundo a norma ASTM, um tijolo vazado tem menos de 75% de área de seção transversal sólida na parte que contém esses orifícios. O senso comum nos diz que um objeto maciço deveria ser mais resistente do que um oco. Se os tijolos servem para sustentar grandes muros e edifícios, por que removeríamos material do centro intencionalmente?
Será apenas uma forma de os construtores economizarem, ou existe uma engenhosidade oculta por trás desse design?
Para entender os orifícios, primeiro é preciso entender as pessoas que os utilizam. Imagine que você é um pedreiro. Um tijolo de argila padrão típico pesa cerca de 2 kg, embora o peso exato varie conforme o tamanho e o design.
Um tijolo pode não parecer muito, até que você perceba que um pedreiro pode manusear centenas deles durante um dia de trabalho. Agora, multiplique esse peso centenas de vezes.
Ao remover parte da argila do centro, os fabricantes conseguem tornar o tijolo mais leve, mantendo uma quantidade substancial de material nas bordas externas e entre os orifícios.
Essas seções sólidas são conhecidas como paredes externas e nervuras internas, e suas dimensões fazem parte do projeto de engenharia do tijolo.
Tijolos mais leves são mais fáceis de manusear para os trabalhadores e também significam menos peso total para transportar da fábrica até o canteiro de obras.
Mas o peso é apenas parte da história. O verdadeiro segredo dos orifícios reside na forma como o tijolo é produzido. Os tijolos começam como argila úmida e pesada. Antes de se tornarem duros e resistentes, é preciso remover a umidade com cuidado; em seguida, a argila é queimada a altas temperaturas em um forno.
Aí está o problema: em um bloco espesso e maciço de argila úmida, a umidade presente no interior profundo precisa percorrer todo o caminho até a superfície para conseguir escapar. Se a secagem ocorrer de forma muito rápida ou desigual, a argila pode encolher de maneira irregular, resultando em rachaduras ou deformações.
Mas este argumento é meio insensato, já que olarias queimam tijolos perfeitos em forno caieira hás séculos, onde os tijolos são empilhados e enterrados com lenha.
A alegação da construção civil, no entanto, está correta que os tijolos com furos passam a ter uma área de superfície muito maior exposta, e a umidade ganha caminhos adicionais para sair. Assim, os orifícios podem tornar o processo de secagem mais eficiente e controlado.
Há também outro detalhe interessante: a fabricação moderna de tijolos pode utilizar a extrusão, processo no qual a argila é empurrada continuamente através de uma abertura com formato específico e, depois, cortada em tijolos individuais.
Os orifícios podem ser criados como parte do próprio processo de moldagem; os fabricantes não perfuram os tijolos depois de prontos. Os orifícios, essencialmente, já nascem com o tijolo. Isso significa que o mesmo design que reduz a quantidade de material e o peso também pode tornar o processo de fabricação mais eficiente.
Mas surge, então, a pergunta óbvia: remover argila não deixa o tijolo mais fraco? Sim, a remoção de material pode reduzir a resistência de um tijolo individual, mas essa não é a história completa.
Um tijolo vazado não é simplesmente um tijolo maciço ao qual faltam partes aleatórias. Suas paredes externas, divisórias internas, formato e interação com a argamassa fazem parte do projeto.
Quando tijolos vazados são usados em alvenaria, seus vazios podem interagir com a argamassa e com a alvenaria ao redor. Dependendo do design do tijolo e do método construtivo, a argamassa pode penetrar nos vazios e criar um travamento mecânico adicional entre as unidades.
Portanto, em vez de pensar em centenas de tijolos separados simplesmente empilhados, pense na parede como um sistema. O tijolo e a argamassa trabalham em conjunto, e esses espaços vazios podem oferecer outra vantagem útil: eles contêm ar.
O ar é um condutor de calor relativamente ineficiente; assim, as cavidades podem aumentar a resistência térmica de uma parede em comparação com uma seção maciça semelhante. O efeito exato depende do tamanho e da disposição das cavidades, bem como da configuração completa da parede.
Portanto, esses orifícios não servem apenas para economizar argila. Eles podem influenciar o peso, a fabricação, a interação entre as unidades de alvenaria e até mesmo o desempenho térmico da parede pronta. Nada mal para alguns furos em um tijolo.
Um tijolo vazado moderno pode conter surpreendentemente pouco material sólido em comparação com uma unidade maciça; no entanto, suas paredes externas e nervuras internas são projetadas deliberadamente para manter a forma e o desempenho necessários. E talvez essa seja a lição mais interessante. Às vezes, uma boa engenharia não consiste em adicionar mais material.
Vamos falar a verdade? Por mais nervuras estruturais que um tijolo furado tenha, ele nunca terá o suporte estrutural de um tijolo maciço. Eu já vi paredes e muros ruírem com a ventania, mas a casa da minha Avó está lá de pé a mais de 200 anos com a mesma alvenaria e coberta com um casca de cal (pintura) com a passagem dos anos.
A evolução da construção civil envolve a diferença entre massa (peso) e tecnologia estrutural. A casa da minha Avó está de pé há mais de 200 anos porque foi construída sob o sistema de alvenaria estrutural autoportante.
Antigamente, as paredes de tijolo maciço eram extremamente espessas porque eram elas que aguentavam todo o peso do telhado e dos pavimentos, funcionando também como uma barreira robusta contra ventos e intempéries.
A pintura de cal, por sua vez, permite que a parede "respire", liberando a umidade interna sem descascar, o que preservou a integridade dos tijolos por séculos.
O tijolo possui uma resistência à compressão por centímetro quadrado muito alta e grande densidade. Ele absorve impactos e esforços laterais (como ventos fortes) através do seu próprio peso e da robustez da parede.
Na maioria das construções brasileiras, o tijolo furado convencional é usado apenas para vedação (fechar os vãos), enquanto o peso da casa é sustentado por vigas e pilares de concreto armado.
Se a parede cair com o vento, muito provavelmente faltou a estrutura de concreto ou a amarração correta.
Existem "blocos estruturais" furados de cerâmica ou concreto que suportam prédios inteiros, mas eles dependem de um cálculo de engenharia rigoroso, aço e cimento dentro de seus furos (grauteamento).
As construções antigas de tijolo maciço eram superdimensionadas, usava-se muito mais material do que o necessário hoje, e é por isso que elas resistem ao tempo de forma tão impressionante.
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