![]() | Na casa de Meg Churches, no centro de Sydney, há uma infinidade de chupetas, lenços umedecidos para bebês e mantas coloridas feitas à mão. Mas não há bebês à vista, e embora ela chame seus companheiros de "filhos peludos", eles também não são gatos ou cachorros comuns. A casa dos Meg está cheia de morcegos, enrolados firmemente em trouxinhas de pano conhecidas como "burritos de morcego". Meg atua na região de Sydney resgatando, cuidando e reabilitando morcegos-da-fruta (especificamente a raposa-voadora-de-cabeça-cinza). |

Meg foi alertada sobre uma raposa-voadora grávida e ferida, chamada Sully, ao lado de uma estrada no Parque do Observatório, perto do Porto de Sydney. Ela examinou cuidadosamente a morcega em busca de ferimentos e cuidou dela em casa, enquanto monitorava se o estresse do acidente e o ambiente desconhecido poderiam desencadear um parto prematuro.
- "Ela perdeu alguns pelos da testa, tem alguns arranhões provavelmente por causa do atrito e da queda brusca após bater em um carro)", disse Meg. - "Acho que ela ficará bem, mas se ela for dar à luz prematuramente ou perder o filhote por causa do estresse ou do acidente, provavelmente será esta noite."
Mas isso não ocorreu. Sully se tornou uma das morcegas resgatadas mais famosas do seu canal. Meg cuidou dela por seis semanas, comprovou que Sully não tinha nenhum osso quebrado com um raio-x, garantindo que ela se recuperasse bem do estresse e dos ferimentos, até que pudesse ser solta com segurança de volta à natureza ainda grávida. E foi!
Quando Meg começou a acolher filhotes de morcego em sua casa, ela cuidava de apenas um ou dois por ano. Nesta temporada, ela já cuidou de mais de 50.
Ela sempre repete o que poucas pessoas sabem: quirópteros são animais incríveis e que tem má fama que não lhes faz jus. Mas manusear morcegos não é isento de riscos. Meg recebe vacinas regularmente para evitar contrair vírus, alguns dos quais são potencialmente fatais. Ela desencoraja veementemente o público a manusear morcegos.
Como dissemos dias atrás: existem 1500 espécies e apenas 3, todas presentes no Brasil, são hematófagos. Nenhuma ataca humanos deliberadamente.
No entanto, a mordida de qualquer espécie de morcego exige atendimento médico imediato, pois todos os morcegos (sejam hematófagos, frutívoros ou insetívoros) são potenciais vetores do vírus da raiva, a doença neurológica gravíssima com taxa de letalidade de quase 100%.
Também não é boa ideia comer morcegos. O consumo ou manipulação desses animais silvestres, como aconteceu em algures na China em 2019, está diretamente ligado ao risco de surgimento de novas doenças graves, como o coronavírus.
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