![]() | Na semana passada falávamos como o primeiro cabo submarino, instalado em 1858, mudou o mundo para sempre ao permitir a comunicação global instantânea. 168 anos depois, existem mais de 1,4 milhão de quilômetros de cabos submarinos no mundo, distribuídos em cerca de 437 a 550 sistemas ativos, enquanto o Brasil possui 14 cabos internacionais e 2 exclusivamente domésticos, com mais de 160 mil quilômetros de extensão. Estas estruturas estendidas no leito oceânico respondem hoje por aproximadamente 99% do tráfego internacional de internet. |

A demanda por esses cabos atingiu um patamar sem precedentes, à medida que o mundo se torna cada vez mais dependente da computação em nuvem e da inteligência artificial. No entanto, existem apenas uma empresa nos Estados Unidos capaz tanto de fabricar quanto de instalar esses cabos.
O mercado global de infraestrutura digital submarina é altamente especializado, e conta com quatro grandes corporações mundiais que possuem exatamente a capacidade de integração vertical total da fabricação do cabo ponta a ponta e frota de navios própria para instalação do mesmo: a SubCom americana, a Alcatel francesa, a NEC japonesa e a HMN Tech (antiga Huawei) chinesa.
No entanto, a SubCom se destaca de forma única no cenário global, por já ter participado da instalação de mais de 1 milhão de km dessa infraestrutura invisível que conecta continentes, o que frequentemente gera a impressão de que ela é a única, por ser a única fabricante e instaladora de grande porte sediada nos Estados Unidos, tornando-se um ativo geopolítico e militar estratégico insubstituível para o governo americano.
Diferente de empresas menores que apenas fabricam o cabo e precisam contratar navios de terceiros (ou vice-versa), a SubCom controla todo o ciclo de vida do sistema. A empresa possui um gigantesco complexo industrial de 50 acres (cerca de 20 hectares) em Newington, New Hampshire.
O grande diferencial dessa fábrica é possuir um píer próprio de águas profundas. Os cabos saem diretamente das esteiras de testes da fábrica para os imensos tambores de armazenamento dentro dos navios cargueiros, reduzindo custos de logística e riscos de danos no manuseio.
O canal do Youtube Business Insider foi até Newington e conseguiu fazer uma rara visita a sua fábrica, que conta com 73 anos de história, e até embarcou em um multimilionário navio de lançamento de cabos para entender como a empresa está dando conta da demanda e por que nossos dados ainda precisam percorrer milhares de metros nas profundezas do oceano.
Como podemos ver no vídeo, a instalação de cabos exige navios altamente especializados e caros, porque existe uma escassez global dessas embarcações. A SubCom contorna isso operando uma frota própria de navios lançadores de cabos de grande porte e uma série de ferramentas submersíveis de engenharia.
A internet global e a soberania militar dependem do fluxo de dados sob o oceano. A Marinha dos EUA possui apenas um navio próprio de reparos muito antigo (o USNS Zeus). Por isso, a SubCom atua como o braço civil exclusivo do governo americano para instalar redes confidenciais e de vigilância militar no fundo do mar, protegendo os cabos contra espionagem estrangeira (especialmente da China).
Gigantes de tecnologia americanos como Google, Meta e Amazon priorizam contratos com a SubCom pela facilidade de conformidade com as regras de segurança nacional de Washington.
Na contra-mão destes cabos que cada vez mais transformam o mundo em uma aldeia global: a Rússia. Aliados da Otan frustraram operações e monitoraram movimentações de submarinos russos suspeitos de testar tecnologias de sabotagem contra cabos submarinos críticos no Ártico e na costa europeia.
No último, em setembro de 2026, Forças da Otan interceptaram uma operação russa perto do arquipélago de Svalbard (Noruega), onde submarinos foram flagrados testando uma nova tecnologia secreta capaz de inutilizar cabos submarinos sem deixar vestígios. Nenhum cabo foi rompido, e a Noruega emitiu um aviso formal contra ações clandestinas.
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