![]() | A ideia de que a permanência da monarquia teria transformado o Brasil em uma potência mundial é um dos temas mais fascinantes da nossa contrafactualidade histórica. Para entender por que a manutenção de Dom Pedro II no trono poderia ter alterado o destino do país, precisamos olhar para os pilares de estabilidade e continuidade que foram abalados pelo golpe republicano de 1889. O Segundo Reinado foi marcado por uma estabilidade política rara na América Latina. Enquanto nossos vizinhos enfrentavam sucessivos golpes e ditaduras, o Brasil possuía um sistema parlamentar consolidado. |

A figura do Imperador funcionava como um poder moderador que, embora criticado, garantia a alternância de poder sem rupturas violentas.
Sem o desterro, o Brasil teria evitado o período de instabilidade da "República da Espada" e as oligarquias locais teriam menos força para fragmentar o projeto de nação.
Dom Pedro II era um entusiasta das ciências e da educação. Sob seu comando, o Brasil começou a trilhar o caminho da modernização tecnológica, com a expansão ferroviária e o telégrafo. A transposição da Mantiqueira naqueles anos era uma "impossibilidade", mas o Bom Pedro foi lá e fez.
O fim da monarquia interrompeu planos de longo prazo. A transição para a República foi liderada por elites agrárias que priorizaram o café e o clientelismo, muitas vezes negligenciando a industrialização e a educação de base, que eram áreas de interesse pessoal do Imperador.
A monarquia era o símbolo da união das províncias. A queda do Império gerou revoltas e um sentimento de desunião que levou décadas para ser pacificado.
Além disso, o Brasil gozava de um prestígio diplomático imenso na Europa e nos EUA. O Bom Pedro não era recebido pelos maiores dignatários do mundo por ser rei, era porque ele era realmente respeitado como um dos maiores homens de seu tempo.
Uma transição suave para uma monarquia constitucional moderna, com o Terceiro Reinado sob a Princesa Isabel, poderia ter posicionado o Brasil como o líder natural do Hemisfério Sul, sustentado pelo prestígio internacional da abolição (Lei Áurea, 1888) e por uma monarquia constitucional estável, focada no desenvolvimento social e econômico, atraindo investimentos e imigrantes de forma mais estratégica.

Foto de Dom Pedro II, em 1887, aprimorada e colorizada pela MDguIA, a nova IA do MDig.
Ao abolir a escravidão, o Brasil ganhou moralidade política perante a Europa e nações vizinhas, consolidando-se como uma potência progressista na América do Sul.
A gestão de Isabel demonstrou apoio aos ex-escravos, o que, sob um governo mais longo, poderia ter fomentado políticas de inserção social, apoiadas por figuras como André Rebouças, evitando a marginalização extrema pós-abolição.
A transição para um governo isabelino poderia ter mantido a estabilidade institucional, evitando a ruptura violenta da República de 1889 e as crises econômicas de transição.
A forte resistência das elites cafeeiras (que perderam a mão de obra sem indenização) e o machismo da época contra uma mulher no poder eram os principais obstáculos, que acabaram culminando no golpe republicano.
Se Bom Pedro II não tivesse sido desterrado, o Brasil poderia ter consolidado suas instituições de forma orgânica, evitando o ciclo de constituições descartáveis e golpes de estado que marcaram o século XX.
A potência que o Brasil "estava destinado a ser" foi adiada por uma ruptura que priorizou interesses de grupos militares e cafeicultores em detrimento de um projeto de Estado contínuo e estável.
Bom Pedro II faleceu em Paris com terra de todas as províncias do Brasil em seu travesseiro. Até seu pai, o mulherengo Dom Pedro I pediu que seu coração fosse sepultado na cidade do Porto, mas quis que seu corpo fosse transladado ao Brasil demonstrando profundo carinho ao seu país natal.
Isabel faleceu com 75 anos de idade em 1921.Foi enterrada no jazigo da Casa d'Orleães em Dreux, França, junto com seu marido, Gastão de Orleans (Conde d'Eu), que faleceu em 1922.
Seus restos mortais e os de seu marido foram trazidos ao Brasil em 1953 e, posteriormente, trasladados para Petrópolis em 1971.
O Mausoléu Imperial, localizado na Catedral de Petrópolis, também abriga os restos mortais de seus pais, Dom Pedro II e Dona Teresa Cristina.
P.S.: Após alguns meses voltei a treinar uma inteligência artificial que usa aprendizado profundo para recuperar e colorizar fotos antigas e em P&B.
O diferencial é que o modelo é baseado em redes neurais convolutivas com milhões de fotos de brasileiros e não aquele modelo surrado pela Universidade da Califórnia, em Berkeley, que todo mundo usa.
A nova IA também permite mudar o fundo e escolher a cor e o padrão do tecido das roupas, desde que elas não se misturem com o ambiente. Por isso escolhi uma foto pouco conhecida de Bom Pedro, feita em 1887.
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