![]() | Imagens em super câmera lenta revelam formas e detalhes invisíveis a olho nu porque elas aumentam drasticamente a taxa de quadros, ao mesmo tempo que reduz o tempo de exposição de cada quadro, efetivamente "congelando" objetos em movimento rápido no espaço e no tempo. Em velocidades normais, nossos cérebros processam aproximadamente 30 quadros por segundo, o que faz com que movimentos rápidos se misturem. Isso poderia estar relacionado com os padrões de vídeo existentes, que variam normalmente de 24 (cinema) a 30 fps (televisão). |

Mas o motivo é bem outro e tecnológico. Uma TV de 60Hz exibe 60 "fotos"por segundo. Isso é o padrão no Brasil e na maioria dos países com TV aberta, streaming e consoles de jogos.
Para evitar o efeito de labial fora de sincronia, onde a boca do ator se move antes ou depois do som, o processador da TV alinha o fluxo de áudio com o momento exato em que o frame de vídeo correspondente aparece na tela.
E tem ainda um outro motivo para a padronização dos 60 Hz: a eletricidade no Brasil opera a 60 Hz porque a corrente alternada muda de sentido 60 vezes por segundo, um padrão técnico adotado historicamente e consolidado na década de 1960. Essa frequência foi escolhida por proporcionar eficiência com motores com a redução da oscilação visível em lâmpadas incandescentes.
Hoje, câmeras de alta velocidade, capturando de 1.000 a mais de 1 milhão de quadros por segundo, isolam momentos distintos, removendo o desfoque de movimento e revelando estruturas complexas e temporárias, como ondas de choque ou gotículas de fluido.
Quando um objeto se move mais rápido do que o olho consegue processar, ele aparece como um borrão desfocado porque nosso sistema visual combina o movimento ao longo de um período de tempo. As câmeras super-rápidasa usam velocidades de obturador extremamente rápidas, capturando imagens nítidas e distintas de uma bala, bolha ou gota em uma única posição precisa, eliminando o "borrão".
Gavin Free e Dan Gruchy, do Slow Mo Guys, nos mostram mais uma vez como acontece isso, capturando imagens hipnotizantes em super câmera-lenta quando estavam filmando por baixo uma espécie de luminária em chamas.
Gav e Dan podem estar fazendo isso há mais de 15 anos, mas às vezes não há nada melhor do que contemplar o fogo de maneiras novas e interessantes.
A dupla usou uma chama de gás e capturou momentos interessantes em diferentes etapas da filmagem, principalmente o movimento e as formas das chamas enquanto buscavam oxigênio. Eles também decidiram adicionar um material inflamável ao fogo para torná-lo mais visível. A escolha foi a canela.
Assim como uma luz estroboscópica congela um objeto girando rapidamente na mesma frequência, a fotografia de alta velocidade registra quadros suficientes para mostrar a forma real do objeto em qualquer instante. Se a taxa de quadros for muito baixa, objetos em alta velocidade podem parecer desaparecer, sumir ou apresentar uma forma "fantasma", enquanto que, em taxas mais altas, todo o movimento é capturado.
Muitos objetos mudam de forma momentaneamente durante movimentos rápidos, como uma bola de futebol se deformando ao ser impactada ou uma gota d'água espirrando. Essas formas estão presentes apenas por uma fração de segundo e são invisíveis à nossa visão natural, mas o vídeo em alta velocidade as registra continuamente.
Fotografias especializadas de alta velocidade podem capturar ondas de choque ou bolhas de cavitação -bolsas de vácuo- em líquidos, que são invisíveis até serem desaceleradas. Os humanos percebem o movimento com base na rapidez com que uma forma se desloca em seu campo de visão.
Ao diminuir a velocidade de reprodução, eventos de alta velocidade, que normalmente ocorrem em microssegundos, duram segundos, permitindo que nossos cérebros analisem a estrutura do movimento, como o desprendimento de vórtices na aerodinâmica.
Em essência, o olho processa informações de forma intermitente, enquanto a câmera superlenta proporciona uma gravação contínua e de alta resolução de eventos que, de outra forma, seriam perdidos ou se transformariam em uma imagem borrada.
Os vídeos em slow motion se tornaram uma possibilidade real, acessível e popular para o público geral principalmente a partir de 2013, com a introdução do modo de câmera lenta nativo em smartphones de ponta.
Embora a tecnologia existisse na televisão e no cinema desde meados do século XX (especialmente nos anos 70), sua popularização no dia a dia só chegou depois com o iPhone 5s, lançado em 2013, que popularizou a gravação em 120 quadros por segundo em 720p, permitindo que usuários comuns criassem vídeos em câmera lenta fluida diretamente do celular.
De qualquer forma, especialmente no contexto da televisão esportiva e dos replays instantâneos dos anos 70. O que víamos não era uma "câmera lenta" captada em alta velocidade, como as câmeras Phantom atuais usadas pelos Slow Mo Guys.
Na verdade, era uma manipulação técnica do sinal de vídeo que resultava em uma imagem tremida, repetitiva e "lenta". Introduzido no final dos anos 60 e popular nos anos 70, o sistema usava discos magnéticos rotativos para gravar o sinal de vídeo. Para criar a câmera lenta, o aparelho repetia o mesmo quadro várias vezes antes de avançar para o próximo.
Em vez de captar mais imagens por segundo para deixar o movimento fluido, o verdadeiro slow-motion, o aparelho apenas pegava as 30 imagens normais (NTSC) e as exibia mais devagar, repetindo quadros. Isso resultava em movimento "quebrado" ou "estroboscópico", todo fudido e tremido.
Ao contrário da TV, no cinema dos anos 70, a câmera lenta era real. Eles usavam o "over-cranking" (filmar a 60, 100 ou mais quadros por segundo) e depois reproduziam a 24 qps, gerando câmera lenta suave.
Para aumentar o efeito dramático, especialmente em programas como "O Homem de Seis Milhões de Dólares", eram adicionados efeitos sonoros sintetizados e ruídos de fita, disfarçando a baixa qualidade da imagem em câmera lenta.
Em 2026, o melhor celulares com câmera-lenta é o Xiaomi 14 Pro, que faria Steve Austin, o homem biônico vivido por Lee Majors, corar de vergonha. O telefone destaca-se por gravar a 960 fps em 1080p, chegando a 1920 fps em 720p, além de contar com uma IA que corrige a trepidação.
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