![]() | Ah, a "Grande Batalha do Rolo" de 2020! Foi um evento histórico na sociologia brasileira, digno de documentário. O ser humano, ansioso, olhando para o noticiário e pensando: - "Ok... sei que o coronga ataca o pulmão, mas... e se minha bunda não sobreviver a isso?". A lógica foi totalmente anulada e substituída pelo instinto de manter o fiofó brilhando em tempos de pandemia. O brasileiro não comprava fardo de 12 rolos, ele comprava a produção anual da fábrica com rolos de 60 metros com folha dupla. |

Criado pelo Gemini.
Era um carrinho de mercado onde você mal via a cabeça da pessoa atrás, apenas uma estrutura colossal de papel folha simples, folha dupla, folha tripla... e, se bobear, papel toalha pra improvisar.
Do nada, o papel higiênico virou a nova moeda oficial, mais valiosa que ouro. Quem tinha o pacotão folha dupla com perfume de lavanda no porta-malas era o rei da pandemia.
A pessoa ia no mercado só pra ver se tinha, via todo mundo pegando o papel em promoção, e pensava:
- "Meu Deus, tá acabando!" Resultado: levava 50 rolos -porque pobre não resiste a uma promoção-, aumentando o pânico de quem ainda não tinha comprado nada.
O brasileiro foi tão eficiente que os fabricantes relataram aumento de 700% nas vendas em questão de dias. Nossas casas ficaram mais parecidas com depósitos de supermercado do que com lares.
A gente não sabia se o vírus vinha pelo ar ou pela falta de higiene, então decidimos que, se fôssemos morrer, morreríamos extremamente limpos e confortáveis.
Brincadeiras à parte, houve sim uma mudança no hábito de higiene íntima no Brasil nas últimas três décadas, com a substituição do bidê pelo papel higiênico e, posteriormente, pela ducha higiênica.
Esta mudança foi impulsionada por fatores estruturais, culturais e de espaço, mas embora o papel higiênico tenha ganhado força como solução rápida, o brasileiro frequentemente utiliza a água de outras formas, para tomar 10 banhos por dia no verão, por exemplo.
A partir dos anos 80 e 90, com a popularização de apartamentos menores, o bidê tornou-se um item dispensável para otimizar o espaço. O "chuveirinho" substituiu o bidê por cumprir a mesma função de limpeza com água, mas sem ocupar espaço no chão do banheiro.
Influenciado por padrões americanos, o papel higiênico foi associado à praticidade e limpeza rápida. O uso de papel higiênico é, em parte, uma adaptação à infraestrutura local, onde encanamentos antigos e estreitos em muitas residências brasileiras dificultam o descarte direto no vaso.
Ao contrário dos EUA, onde o papel é jogado no vaso, no Brasil o papel higiênico usado é colocado na lixeira devido ao risco de entupimento da rede de esgoto.
Atualmente, o bidê está passando por um ressurgimento, principalmente em banheiros de alto padrão, muitas vezes integrado ao próprio vaso sanitário (modelos eletrônicos), oferecendo conforto, sustentabilidade e higiene, sem a necessidade de uma peça separada.
Os americanos também endoidaram com o papel higiênico durante a pandemia, mas os motivos lá foram outros.
Os Estados Unidos representam 4% da população mundial, mas consomem 20% do suprimento global de papel higiênico, quando 70% da população mundial não usa papel higiênico. Usa água.
Um bidê custa cerca de 35 dólares. Um ano de papel higiênico custa cerca de 120. Mas a maioria dos americanos nunca sequer considerou a possibilidade de trocar.
A popularidade do papel higiênico em relação aos bidês, assim como em parte do mundo, deveu-se a um mal-entendido bastante ignorante a respeito dos bidês nos bordéis franceses que os soldados americanos visitavam no exterior.
Durante a Segunda Guerra Mundial, os soldados americanos se depararam com bidês pela primeira vez, em bordéis franceses. Os dispositivos eram mantidos para higiene entre os clientes. Os soldados os associaram ao vício, a prostituição e a doenças.
Essa associação persistiu. Quando os soldados voltaram para casa, a construção civil do pós-guerra explodiu. Para não admitir que viviam na "zona", milhões de banheiros foram construídos sem encanamento para bidês. Foi assim que a indústria do papel higiênico preencheu essa lacuna.
Contam as más línguas que até hoje tem gente usando o estoque de papel adquirido em 2020!
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