![]() | A perda da noção de direção (norte/sul/leste/oeste) em um ambiente totalmente escuro e isolado pode ocorrer de forma muito rápida, muitas vezes nas primeiras horas ou no primeiro ciclo de sono, devido à privação de pistas visuais e ambientais. A capacidade humana de orientar-se depende quase inteiramente de referências externas, como o sol, sombras ou pontos de referência conhecidos. Sem luz, o cérebro perde a capacidade de confirmar a direção, tornando difícil distinguir o norte. Curiosamente você continua sabendo onde está em cima e em baixo ou onde está o seu nariz. |

No mesmo sentido sabemos que as plantas precisam de luz para crescer, mas quando uma semente é plantada, ela fica debaixo da terra, na escuridão total. Nessas circunstâncias, você ou eu não conseguiríamos encontrar o caminho para a luz. Então, como as sementes fazem isso?
Acontece que elas têm algumas maneiras inesperadas de navegar pelo mundo e literalmente crescer. A primeira coisa que você precisa saber é qual é o lado para cima e qual é o lado para baixo.
Normalmente, a luz, que você precisa desesperadamente para fazer fotossíntese e começar a produzir seu próprio alimento, estará em cima, onde está o sol.
E a água e os nutrientes estarão embaixo, na terra. É aí que você geralmente quer que suas raízes cresçam. Então você precisa se orientar. Mas você é uma semente. Você não p[é, nem nariz, tampouco cérebro, nenhum sistema nervoso de mamífero, nada que se pareça com olhos ou qualquer coisa que deveria ser usado para resolver esse enigma.
Péra... será que você consegue detectar a força gravitacional do planeta! Eu sei, parece bizarro. Mas aqui está como sabemos que é verdade.
Em 1806, um botânico britânico chamado Thomas Andrew Knight, germinou sementes em um disco girando no escuro. E como estava escuro, as plantas não se moviam em direção à luz, senão que a força centrífuga gerada pela rotação fez com que as raízes crescessem para longe do centro do disco e os brotos crescessem em direção ao centro.
Neste experimento aparentemente bobo, Thomas demonstrou que as plantas conseguem sentir a força da gravidade. Mas precisamos investigar mais a fundo para entender como elas sentem a gravidade.
Logo vamos descobrir que as plantas usam células sensoriais chamadas estatócitos nos brotos e raízes. E os estatócitos, por sua vez, estão repletos de estatólitos, que funcionam como neve em um globo de neve. Eles se depositam em um lado da célula, graças à gravidade.
A plântula percebe onde seus estatólitos se acumulam e é isso que indica para onde a gravidade está empurrando. Mas acontece que os estatólitos não são as únicas coisas que se acumulam em um lado do tecido de uma planta jovem. Um hormônio de crescimento chamado auxina também se concentra em um lado ou outro das partes em crescimento, estimulado pelo que está acontecendo nos estatócitos.
E é isso que ajuda as raízes a crescerem para baixo, em direção à gravidade, e os brotos a empurrarem para cima, contra ela.
A concentração de auxina pode fazer com que um lado da plântula cresça mais do que o outro, curvando uma raiz ou broto na direção correta, como um leque de papel se abrindo. Um trabalho realmente impressionante para um organismo que não possui sistema nervoso de mamífero!
Então, a primeira força que indica a uma muda para onde crescer é a gravidade. Mas a gravidade não é a única força que atua sobre ela. Modelos matemáticos sugerem que, se as mudas usassem apenas estatócitos para direcionar seu crescimento, elas ultrapassariam a orientação vertical ideal e precisariam se recuperar para corrigir seu ângulo. E o que as ajuda a se moverem até atingirem um caule reto é o autoconhecimento.
Você já deve ter ouvido falar de um sentido humano chamado propriocepção, que ajuda as pessoas a saberem onde seus corpos estão no espaço. É o que ajuda as pessoas a tocarem o nariz com o dedo quando estão de olhos fechados ou a se equilibrarem em uma bicicleta.
As plantas também têm propriocepção. E isso significa que elas podem se autocorrigir se ficarem deformadas. Por exemplo, se tiverem muita auxina de um lado.
O senso de si mesmas as ajuda a saber quando foram longe demais para que possam se endireitar. Neste ponto do crescimento de uma muda, ela já superou vários obstáculos. Ela usou a gravidade para guiá-la para cima e a propriocepção para garantir que crescesse reta. Agora é hora de usar a luz para guiá-la até atingir seu potencial máximo de fotossíntese.
Então, crescer reto para cima deveria levar a planta à luz sem precisar detectá-la de outra forma. Mas às vezes a luz não está diretamente acima. Talvez a semente tenha germinado embaixo de um banco de parque, ou seja o objeto do experimento de algum cientista maluco.
Cientistas como Charles Darwin ajudaram a estabelecer a ideia de que as plantas respondem à luz no século XIX. Ele cobriu brotos de grama em crescimento com papel alumínio para bloquear a luz. E descobriu que apenas os brotos descobertos cresciam em direção à luz.
Isso porque, embora as mudas não tenham "olhos", elas têm sua própria versão de fotorreceptores, como os cones e bastonetes nos olhos humanos.
Para a luz, aquele hormônio útil, a auxina, entra em ação novamente. Ela permite que a planta se incline em direção àquela doce e preciosa luz do sol. Mas mesmo com um senso de gravidade, autoconhecimento e luz, uma planta não sobrevive muito tempo sem água.
Embora os cientistas ainda estejam tentando descobrir como as plantas a procuram, eles sabem que, uma vez que a detectam, estendem suas raízes diretamente em direção a ela.
Os pesquisadores descobriram isso colocando raízes de ervilha em um labirinto que basicamente lhes dava uma bifurcação, que de um lado tinha água embaixo e o outro não. E oito em cada dez plantas cresceram nessa direção. Mesmo quando a água estava contida em um cano de drenagem subterrâneo.
Portanto, as ervilhas conseguem perceber algo sobre a água correndo pelos canos, mesmo quando não sentem a umidade.
Seja como for, elas parecem usar isso como uma pista para onde querem que suas raízes cresçam. O que significa que podemos adicionar a água à lista de coisas que dizem a uma planta em que direção crescer.
Mas até agora, eu só falei sobre cada um desses fatores individualmente, porque lá fora, no mundo, uma planta será moldada por todas essas forças ao mesmo tempo. Elas desenvolvem seus brotos na direção oposta à gravidade, ao mesmo tempo que os desenvolvem para longe de si mesmas e em direção à luz. E, frequentemente, esses efeitos são aditivos na direção do crescimento.
Mas, às vezes, essas forças entram em conflito umas com as outras. Uma planta pode estar crescendo em direção à luz, mas se ver arqueando em direção ao próprio caule. Quando duas forças não concordam totalmente, uma delas precisa ter prioridade.
Estamos falando de plantas tomando decisões! O quanto uma planta se curva em resposta a uma força em detrimento da outra depende de fatores como o grau de discordância entre essas forças e a intensidade da força.
Se a luz for fraca, a gravidade ditará o crescimento muito mais do que a luz. E se a gravidade ditar que uma planta deve crescer reta para cima, mas ela só recebe luz solar do lado direito porque há uma grande árvore bloqueando o sol da esquerda, então ela crescerá em um ângulo intermediário de 45 graus entre as forças da gravidade e da luz.
Juntas, essas forças são o que moldam uma planta. Elas estão constantemente interagindo no processo de crescimento.
E, no final, ainda há muito que a botânica não entende sobre como uma semente passa de um estado para o outro. Mas, como vemos, sabemos que elas incorporam muitos dados para atingir sua forma final.
Por essas e outras, plantar mudas é geralmente melhor que sementes por garantir maior taxa de sobrevivência, acelerar o tempo de colheita e reduzir desperdícios. Como já estão desenvolvidas e com raízes formadas, superam a fase frágil e complicada de germinação, sendo ideais para iniciantes ou culturas de ciclo longo.
Apesar da rapidez das mudas, as sementes são mais baratas, ideais para grandes áreas e cultivam plantas com raízes mais profundas, que podem ser mais resistentes a longo prazo.
Essas sementinhas podem não conseguir se levantar e ir embora (de bicicleta), mas com certeza sabem muito bem para onde estão indo.
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