![]() | Há alguns meses, vi uma jovem colhendo rábano em uma das séries de Youtube de mães solteiras vietnamitas, das quais falei hoje mais cedo. Nunca havia experimentado e, mesmo que de antemão soubesse que não estava perdendo nada, decidi plantar. A couve é um alimento que tem gosto de nada com coisa nenhuma misturada com grama (sim, eu comia grama quando criança). Parece que a gente come por comer, por sua onipresença, e acaba gostando. Além da refogada, em quase todas as receitas a couve é coadjuvante. Ninguém diz - "... vou comer uma pratada de couve." |

No entanto, as brassicáceas, a família da qual as couves fazem parte, são todo um fenômeno da natureza: uma magnólia ancestral derivada das eudicotiledôneas, rosídeas e angiospermas.
A grande diversidade que conta com 365 gêneros, mais de 3200 espécies e um sem-número de cultivares, é o resultado de uma combinação de processos evolutivos naturais complexos, como poliploidia e duplicação genômica, e da intensa domesticação e melhoramento seletivo por humanos.
Assim como na laranja, híbridos interespecíficos férteis são comuns no gênero Brássica. A hibridização entre diferentes espécies parentais, muitas vezes seguida por duplicação cromossômica espontânea, resultou na formação de novas espécies estáveis, como a canola, que possui conjuntos de cromossomos de couve e de nabo.
Aliás, você sabia que não existe tal oleaginosa chamada canola? O nome da planta é, na verdade, colza. Canola é mais um desses exemplos de marcas (ou denominações), como Gillete, Danone, Jet-Ski, que viraram sinônimos de produtos.
Acredite ou não, o nome canola foi escolhido pela diretoria da Associação de Colza do Canadá na década de 1970 e significa can(adian) + o(il) + l(ow) + a(cid), uma contração que significa "óleo canadense de baixo teor de ácido".
A domesticação humana da couve, que começou há milhares de anos, acelerou imensamente a diversificação morfológica dentro de espécies individuais com um tipo de couve primordial.
Agricultores selecionaram seletivamente diferentes partes da planta para cultivo em diferentes regiões do mundo, resultando em couve-manteiga: seleção para folhas grandes; repolho: seleção para botões de folhas terminais grandes e compactos; bruxelas: seleção para múltiplos botões de folhas laterais pequenos; brócolis e couve-flor: seleção para flores e inflorescências grandes; rábano: seleção para caules alargados.
Esses processos, combinados com a capacidade de adaptação a diversos ambientes, resultaram na vasta gama de espécies e cultivares que vemos hoje no gênero Brássica, cujas folhas são todas couves comestíveis com gosto de nada com coisa nenhuma misturada com grama.
Isso quer dizer que as folhas de bruxelas, brócolis, couve-flor e rábanos poderiam ser comercializados como couves.
No fim de semana colhi dois rábanos (foto no topo) e realmente me certifiquei de que não estava perdendo nada especial. Tem gosto e textura de talo de brócolis.
Após experimentar, fiquei rindo sozinho, me advertindo:
- "Oh mongolão, isso é couve! Você queria que tivesse sabor de quê? De abacaxi?"
O MDig precisa de sua ajuda.
Por favor, apóie o MDig com o valor que você puder e isso leva apenas um minuto. Obrigado!
Meios de fazer a sua contribuição:
- Faça um doação pelo Paypal clicando no seguinte link: Apoiar o MDig.
- Seja nosso patrão no Patreon clicando no seguinte link: Patreon do MDig.
- Pix MDig: 461.396.566-72 ou luisaocs@gmail.com




Faça o seu comentário
Comentários