![]() | Na última quinta-feira falávamos como a França, em total descrédito mundial, só com o apoio moderado de Winston Churchill, foi o quarto país a adquirir uma arma nuclear. No desfecho do texto explicamos porque o Brasil não possui armas nucleares por ser signatário dos Tratados de Não Proliferação de Armas Nucleares e do de Tlatelolco, que estabelece uma zona livre de armamentos nucleares na América Latina e Caribe. Para completar escrevi um texto cômico sobre a possível balbúrdia que seria o país lançar sua própria bomba. |

Criado pelo Gemini.
Alguns leitores reclamaram que o texto humorístico merecia seu próprio post em vez de estar perdido e sem contexto no rodapé de um artigo histórico. Eles tinham razão. Na sequência tentamos imaginar o que aconteceria se o Brasil se enveredasse na busca de uma arma nuclear.
O ano é 2026. O Brasil finalmente inaugurou sua primeira ogiva nuclear, batizada carinhosamente de "Bombadão", depois de um concurso realizado na internet. O que deveria ser um marco geopolítico transformou-se, previsivelmente, no maior monumento à nossa capacidade de improvisação.
O orçamento inicial do projeto dava para construir dez RS-28 Sarmat e uma colônia em Marte. Após passar por três comissões parlamentares e um fundo partidário de urgência, a verba encolheu tanto que o reator nuclear teve que ser financiado por uma emenda parlamentar secreta de um deputado do centrão.
Em troca, a usina de enriquecimento de urânio foi construída no quintal da fazenda do primo do deputado, no interior do Maranhão. O urânio enriquecido, inclusive, foi comprado com ágio de uma distribuidora fantasma que, no papel, vendia brita e areia.
Quando o artefato ficou pronto, o Comando do Exército assumiu a custódia. O Alto Comando determinou que uma arma de destruição em massa não poderia parecer desleixada.
O silo de lançamento foi estrategicamente camuflado com cal branca. Metade do orçamento militar do trimestre foi gasto em tintas Coral para garantir que o meio-fio ao redor do míssil ficasse perfeitamente impecável.
Recos de 18 anos, prestando serviço obrigatório e armados com fuzis FAL que emperram só de olhar para a chuva, foram escalados para tirar guarda no reator. Dois deles foram suspensos logo na primeira semana porque usaram o calor residual do núcleo de plutônio para esquentar a marmita.
Na véspera do teste oficial, o "Bombadão" foi apresentado ao público durante uma desfile marcial carnavalesco na Avenida Atlântica. O povo em coro logo começou a entoar de forma uníssona/;
- "Bombadão! Bombadão! A Argentina vai virar um buracão!"
Enquanto isso, em Brasília, o Diretor de Energia Nuclear descobriu que a usina estava operando na ilegalidade: faltava o alvará do Corpo de Bombeiros e uma licença ambiental que estava engavetada na mesa de um fiscal que entrou de licença-médica e cujo celular só dava "fora de área".
Para o reator não desligar e causar um colapso, engenheiros formados na USP e no ITA tiveram que fazer um "gato" direto no poste da NeoEnergia. O painel de controle do míssil nuclear acabou ligado na mesma extensão que a airfryer e a máquina de café da secretaria, fazendo o disjuntor cair três vezes por dia.
Com os presidentes da Câmara, do Senado e do Executivo presentes para cortar a fita inaugural (e garantir seus respectivos 10% de créditos na foto), o botão de ignição foi pressionado...
Nada aconteceu.
A investigação posterior descobriu que os cabos de cobre do sistema de ignição haviam sido furtados na noite anterior por uma gangue local de cracudos.
O software de lançamento, que custou R$ 45 milhões licitados por uma empresa de fachada de um senador, era na verdade uma versão craqueada do Windows 98 rodando um script de bingo on-line.
O míssil não saiu do lugar porque um sargento, na obsessão por limpeza, passou tanta cal na base do foguete que acabou colando as engrenagens de ejeção.
O Brasil não destruiu o mundo, mas conseguiu assustar a ONU. Não pelo poder bélico, mas pelo fato de que o Diretor do Projeto Nuclear foi visto, no dia seguinte, tentando vender duas barras de plutônio no Mercado Livre sob o título: "Item de decoração vintage brilhante - Raridade (Aceito troca por Gol Chaleira em bom estado)".
A comunidade internacional aplicou sanções, mas suspendeu-as três semanas depois, ao perceber que o maior perigo do Bombadão era ele explodir na mão dos próprios políticos enquanto eles tentavam superfaturar a manutenção do botão de pânico.
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