![]() | A bucha vegetal acompanha civilizações antigas há milênios. Originária das regiões tropicais do sul da Ásia, como Índia e Paquistão, ela era cultivada e utilizada há séculos no Oriente Médio, na Ásia e na África para higiene e limpeza. Apesar de ser originária da Ásia, a espécie ganhou o epíteto específico botânico aegyptiaca pois os europeus a descobriram sendo cultivada no Egito e a chamaram de pepino-egípcio. O próprio nome comum "Luffa" deriva do árabe loofah, utilizado na região. |

Segundo conta um curioso vídeo do canal do Youtube Insider, que dá contexto a este post, a maioria dos norte-americanos não sabe o que é uma esponja de bucha, exceto talvez a esponja de náilon vendida em supermercados, mas isso todos sabemos que é sintético, a bucha não.
No entanto, há uma explicação para isso: as esponjas de luffa, até cerca da Segunda Guerra Mundial, eram muito populares nos Estados Unidos, quando eram importadas do Japão. Daí aconteceu Pearl Harbor e isso meio que acabou com o comércio de esponjas com o Japão. Desde então, os Estados Unidos fabricam ou sintetizam a esponja.
Faz sentido chamar a lufa de pepino, pois ela nada mais é do que um gênero botânico que pertence à família das cucurbitáceas, a mesma dos pepinos, abóboras e melancias.
De fato, quando colhida verde em seus primeiros estágios tem gosto de pepino e pode ser saboreada in natura. Os brotos jovens, as flores e as folhas podem ser cozidos, e as sementes maduras podem ser torradas para consumo.
Só existem 3 espécies: acutangula, aegyptiaca ou cylindrica, que são da mesma espécie, e a operculata. As duas primeiras tem uso potencial, ainda verde, como legume em sopas,cozidos e refogados, sobretudo na Índia, China e Vietnã, onde é muito popular. Os vietnamitas preferem comê-la e dificilmente deixam maturar para fazer esponja.
No resto do mundo, a fruta totalmente desenvolvida e madura é fortemente fibroso e não comestível, sendo utilizado para fazer esponjas de banheiro e cozinha. Devido ao seu uso como esponja de banho, também é conhecido pelos nomes comuns de bucha-de-pano, bucha-de-trapo, bucha-esponja e esponja vegetal.
A terceira espécie, operculata não tem mais que 10 centímetros, conhecida por vários nomes como buchinha, cabacinha, buchinha-do-norte, entre outros, apresenta esteróides semelhantes aos hormônios femininos e seu uso pode causar aborto.
Ela é usada de forma estendida na medicina alternativa para curar seio nasal velado e sinusite através da aspiração da infusão do fruto. Mas este é um daqueles casos clássicos em que o remédio (ou o veneno) está na dose.
Por ser altamente tóxica, seu uso acarreta sérias hemorragias nasais em vários pacientes por falta de conhecimento do manuseio. Os "curandeiros" que ministram estas buchinhas são velhos conhecidos da polícia.
Usada como esponja de prato, superfície e banho, a luffa é biodegradável, sustentável e sua trepadeira pode ser cultivada no quintal a partir de sementes. Depois de usadas, elas podem ser compostadas.
Só para se ter uma ideia como as coisas mudam, quando criança, na minha terra, bucha era mato e a gente encontrava os frutos pendurados na maioria das cercas. Hoje a bucha vegetal é encontrada em spas chiques e lojas ecológicas por um preço que decuplica as das buchas de náilon. Devido à qualidade levemente abrasiva das fibras naturais, é um agente esfoliante popular na indústria cosmética ecológica.
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