![]() | Estamos vivendo na era da estupidez? A era do idiota? A resposta, claro, é sim, com exemplos de imbecilidade monstruosa por toda parte, desde negacionistas das mudanças climáticas até idiotas antivacinas, resistentes a tratamentos médicos comprovados, que põem em risco conquistas históricas como o controle de doenças erradicadas. Por outro lado, os seres humanos sempre foram criaturas ilógicas. Uma pergunta melhor seria se nós, como espécie, estamos nos tornando mais burros. Se esta já é a era do idiota, o que vem depois? |

A comédia distópica de 2006, "Idiocracia", do cineasta Mike Judge. sugere que os idiotas, e não os nerds, herdarão a Terra, e que os resultados serão catastróficos, o filme começa com uma introdução tão realista que chega a doer.
Mike alterna entre um casal de adultos inteligentes discutindo por que não terão filhos agora e um casal... menos inteligente se reproduzindo como coelhos.
Observando que "a evolução não recompensa necessariamente a inteligência", o narrador explica que “sem predadores naturais para reduzir a população, ela começou simplesmente a recompensar aqueles que mais se reproduziam, e deixou os inteligentes à mercê da extinção.
Na era atual, não pude deixar de pensar nos ativistas que se negam a ter filhos focados nas alterações climáticas e no receio de trazer filhos a um mundo que enfrenta o colapso ambiental e de recursos, enquanto hordas de pessoas comuns se recusam a aceitar que exista um problema.
Também me lembrei daquela famosa citação frequentemente atribuída a Charles Bukowski:
- "O problema do mundo é que as pessoas inteligentes estão cheias de dúvidas, enquanto as estúpidas estão cheias de confiança."
A história acompanha o pacato e comum Joe Bauers (Luke Wilson), que é selecionado pelo exército americano para participar de um experimento de hibernação criogênica. Ele é escolhido por ser mediano em todos os aspectos: QI mediano, personalidade medianamente inofensiva e até mesmo uma frequência cardíaca mediana.
Colocado dentro de uma máquina, com a expectativa de acordar um ano depois, o experimento dá errado e, em vez disso, Joe e sua colega participante, uma prostituta chamada Rita (Maya Rudolph), emergem 500 anos depois. É o ano de 2505 e Joe agora é a pessoa mais inteligente da Terra, por uma larga margem.
Este filme perturbadoramente hilário é tão assustador quanto "1984"" ou "Admirável Mundo Novo", mas segue um caminho diferente, enfatizando os perigos da incompetência coletiva em vez da opressão do Estado. Não é por acaso que na cena internética ele seja hoje considerado - "... uma comédia que se tornou um documentário profético."
O filme é amplamente visto como uma profecia, e não como uma comédia, porque sua sátira exagerada de uma sociedade consumista e anti-intelectual se alinhou demasiadamente com tendências do mundo real.
Mike Judge não previu necessariamente o futuro; em vez disso, ele pegou o consumismo, a diminuição da capacidade de atenção do público e a mídia comercializada, já visíveis em 2006, e os levou aos seus extremos lógicos.
Em uma entrevista de 2017 sobre o fim do politicamente correto, Terry Crews, que interpreta o presidente Dwayne Elizondo Mountain Dew Herbert Camacho, descreveu "Idiocracia" como - "... tão profético em tantos aspectos que chega a assustar as pessoas.""
Quando Dwayne Elizondo dispara rajadas de um fuzil automático para chamar a atenção das pessoas na Câmara dos Representantes (agora chamada de "Câmara da Representação"), é difícil não pensar no circo em que a política americana se transformou com Trump.
O filme retrata um futuro onde o pensamento crítico é abandonado em favor do entretenimento superficial, bebidas esportivas são usadas para irrigar plantações porque "é o que as plantas desejam" e os veículos de comunicação se concentram puramente no sensacionalismo.
Esses tropos servem como uma representação cultural eficaz das ansiedades da sociedade em relação às notícias falsas e à desinformação. De fato, a sátira mordaz dos programas de atualidades na TV continua sendo desconfortavelmente relevante.
A crítica mordaz do filme à corporatização americana pode ser o motivo pelo qual a 20th Century Fox, sua distribuidora, recuou e praticamente o engavetou, lançando "Idiocracia" apenas em algumas salas de cinema (sem sequer um trailer) para cumprir exigências contratuais.
O lançamento de baixo orçamento e sem divulgação do filme se tornou um sucesso graças ao boca a boca no mercado de vídeo doméstico, alcançando status de cult à medida que os espectadores percebiam que seus temas de alerta sobre o poder corporativo e o espetáculo mediático estavam se tornando cada vez mais realidade.
As piadas surgem em profusão e a premissa, embora um pouco repetitiva, nunca perde a graça. A mensagem subjacente, claro, é que os humanos devem levar a ciência, a pesquisa e o conhecimento a sério, para não criarmos nossa própria Idiocracia.
Daremos ouvidos ao aviso? Na cacofonia da existência moderna, com tanta estupidez nos atingindo de tantas direções, é difícil ser otimista. Um dia, os humanos do futuro poderão muito bem perguntar, caso ainda sejam capazes de formar uma frase, por que não demos ouvidos?
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