![]() | Coloque a mão no bolso agora mesmo e tire uma moeda. Se você tiver uma com serrilhas na borda, passe o polegar por ela. Você sentirá uma série de pequenas ranhuras perfeitamente espaçadas. Lidamos com moedas quase todos os dias, mas a maioria de nós nunca para perguntar: - "Por que essas serrilhas estão aí? São apenas decorativas? Elas ajudam a segurar a moeda? A resposta começa com um dos maiores esquemas de fraude da história e termina com um cientista famoso que você provavelmente nunca esperaria encontrar nessa história. |

Para entender essas serrilhas, precisamos voltar ao século XVII. Naquela época, muitas moedas não eram feitas de metais baratos. Elas eram cunhadas em ouro ou prata maciços; portanto, o valor de uma moeda vinha diretamente do metal precioso que ela continha.
Criminosos logo descobriram um golpe engenhoso conhecido como "raspagem de moedas". Usando uma faca ou lima, eles raspavam pequenas lascas das bordas lisas das moedas. Cada moeda parecia praticamente inalterada, podendo ainda ser usada pelo seu valor total, enquanto a prata ou o ouro roubados eram recolhidos e fundidos.
À medida que mais e mais moedas eram raspadas, as pessoas começaram a perder a confiança na moeda corrente.
Na década de 1690, a Inglaterra enfrentava uma grave crise monetária. Moedas desgastadas e raspadas haviam se tornado tão comuns que restaurar a confiança no dinheiro da nação tornou-se uma prioridade urgente.
Entra em cena um nome que você provavelmente conhece bem: Sir Isaac Newton. Sim, o matemático, físico, astrônomo, alquimista, teólogo, filósofo e escritor britânico famoso pelas leis do movimento e da gravidade.
Em 1696, Isaac tornou-se Diretor da Casa da Moeda Real . Embora muitos considerassem o cargo meramente cerimonial, Isaac o assumiu com o mesmo raciocínio cuidadoso que aplicava à ciência.
Ele ajudou a supervisionar a "Grande Remonetização", um esforço gigantesco para substituir as antigas moedas raspadas por outras recém-cunhadas à máquina, fabricadas com padrões muito mais elevados.
Essas moedas mais recentes apresentavam bordas precisamente trabalhadas, com pequenas ranhuras conhecidas como serrilhado. Embora bordas serrilhadas já tivessem aparecido em algumas moedas antes da época de Isaac, a produção mecanizada as tornou muito mais uniformes e difíceis de adulterar.
Se alguém tentasse raspar metal de uma dessas moedas, as ranhuras ausentes revelariam imediatamente que ela havia sido alterada. As novas moedas tornaram a raspagem muito mais difícil e ajudaram a restaurar a confiança na moeda britânica.
Hoje, a maioria das moedas não é mais feita de metais preciosos. Ninguém raspa as bordas de moedas modernas para coletar pequenas quantidades de e aço revestido de cobre, aço inoxidável e cupro-níquel.
Então, por que manter as ranhuras? Em parte por tradição, mas, com o tempo, elas passaram a ter várias utilidades práticas. Elas ajudam as pessoas, especialmente aquelas com deficiência visual, a distinguir moedas de tamanhos semelhantes pelo tato.
Em muitos países, moedas com padrões de borda diferentes são mais fáceis de identificar sem olhar. As ranhuras da moeda de 1 real, por exemplo, não são contínuas. Ranhuras também ajudam máquinas modernas de contagem, classificação e venda automática a distinguir diferentes moedas com mais precisão. Um recurso de segurança criado séculos atrás ainda desempenha funções úteis hoje em dia.
Portanto, na próxima vez que receber troco, observe mais de perto a borda de uma moeda. Você está segurando um pequeno pedaço da história: um design simples, criado séculos atrás para combater fraudes, que ainda ajuda as pessoas a identificar e usar moedas atualmente.
Você também notou como as moedas de 1 centavo sumiram de circulação? Ocorre que o custo de fabricação era muito maior do que o valor da própria moeda e devido ao hábito de guardá-las em casa.
O Banco Central do Brasil parou de fabricar a moeda de 1 centavo em 2004 -com suspensão definitiva em 2005- porque cada unidade custava cerca de R$ 0,08 a R$ 0,09 para ser produzida, gerando grande prejuízo público.
Ademais, os brasileiros têm o hábito bobo de reter essas moedas em vez de usá-las no comércio, deixando-as guardadas em gavetas, potes ou bolsos. Estima-se que existam bilhões de centavos esquecidos pelos brasileiros.
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