![]() | Ontem falávamos como Rod Stewart admitiu ter plagiado descaradamente a melodia de "Taj Mahal" (1976), de Jorge Ben Jor, com a canção "Da Ya Think I'm Sexy?" (1978). Mas há um caso emblemático de "participação não creditada" (ou uso de obra sem crédito inicial) ainda pior que ocorreu em 2011 quando o cantor belga-australiano Gotye se apropriou nota por nota da canção "Seville" do violonista brasileiro Luiz Bonfá, com a justificativa de que apenas usou a base instrumental de "Seville" por influência e admiração pela sonoridade. |

A coisa toda poderia ter passado ao largo: Wouter de Backer, o verdadeiro nome de Gotye era desconhecido, e praticamente ninguém sabia da existência de "Seville". Mas o mundo capota!
"Somebody That I Used To Know" se tornou um hit mundial alcançando o topo das paradas de sucesso em 50 países, ao vender milhões de cópias, ser certificado 11 vezes com platina na Austrália e acumular mais de 2 bilhões de visualizações no YouTube.
Não demorou para que alguém descobrisse que a base da canção havia sido retirada de "Seville", sem autorização e a família de Bonfá, falecido em 2001, entrou com um processo contra Gotye. O belga, flagrado com as calças na mão, nem contestou, de fato, confessou que usou um salmple, que ele nem sabia de quem era.
O caso terminou em acordo: Bonfá foi reconhecido como coautor da faixa, com direito a receber cerca de 50% dos royalties. Em 2013, estimava-se que o espólio do brasileiro já tivesse arrecadado mais de 1 milhão de dólares com a música.
Participações não creditadas" são mais comuns do que se pensa, ocorrem por diversos fatores técnicos, comerciais e legais, e o youtuber Walrus Pepper Skelter prova isso compilando duas incríveis coletâneas de músicos famosos que apareceram inesperadamente em canções populares gravadas por outros famosos. Enquanto alguns são bastante conhecidos, outros são completamente inesperados.
Algumas gravadoras podem impedir que um artista apareça em músicas de outros selos, forçando uma participação anônima ou "fantasma".
Produtores espertalhões usam pequenos trechos (samples) de músicas antigas ou estrangeiras sem pedir permissão, na esperança de que não sejam detectados, o que gera processos posteriores.
Músicos talentosos podem gravar partes instrumentais para outros artistas famosos por pura amizade ou mediante pagamento à vista, renunciando ao crédito na faixa final.
De instrumentais não creditados a participações inesperadas de artistas famosos, essas músicas guardam segredos musicais fascinantes que muitos fãs ainda desconhecem.
Algumas dessas participações são um tanto surpreendentes. Por exemplo, o lendário cantor de heavy metal Ronnie James Dio tocou trompete na música "My Boyfriend's Back", de 1963, da banda The Angels; o grande Billy Joel tocou piano na música "Remember (Walking in the Sand)", das Shangri-Las, de 1965; a vocalista Chrissie Hynde cantou na música "Pride (In the Name of Love)", do U2, de 1985 ; e a estrela pop dos anos 70, Toni Tennille, fez backing vocals na música "The Show Mosto Go On", do Pink Floyd, de 1979 .
No cenário atual, a facilidade de detecção por softwares de áudio (como o YouTube Content ID) tem diminuído os casos de samples não creditados, resultando em acordos financeiros e processos judiciais mais frequentes.
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