![]() | Os circos dos horrores, também chamados de show de aberrações ou freak show, consistiam na apresentação de pessoas ou animais dotados de algum tipo de anomalia relacionada a mutações genéticas ou defeitos físicos. Estas exibições ocorriam frequentemente em circos e feiras e a maioria dos apresentados neste post foi explorada pelo homem conhecido como o "mais mentiroso do mundo": Phineas Taylor Barnum (thumbnail), um tremendo mau caráter que baseou sua vida inteira na falcatrua no roubo e na malandragem. |

P. T. Barnum foi uma contradição entre os vivos, era evidentemente odiado por quem ele roubava e amado por estas pessoas que ele explorava. O fato é que estes deficientes quase sempre eram abandonados pela família e viviam (quando sobreviviam) à margem da sociedade. Com a criação do circo Ringling Bros and Barnum & Bailey, conhecido como "O Maior Espetáculo da Terra", eles passaram a ter um lugar que podiam chamar de lar e ganhavam algum dinheiro com a sua exposição.
Embora o termo freak (aberração) fosse usado pelo marketing para atrair público, em 1898, artistas famosos do circo fizeram uma greve exigindo que o termo ofensivo fosse substituído por "prodígio" ou "curiosidade", mostrando a complexa relação entre a exploração de P. T. Barnum e a agência dos artistas.
Com o tempo, a sensibilidade social mudou e os protestos por direitos humanos e animais levaram ao encerramento do circo em 2017, após 146 anos.
Nós já falamos em alguns posts do MDig sobre atrações dos circos dos horrores que ganharam verdadeiras fortunas. Para algumas pessoas com deficiência na época, ser exibido no circo era uma das poucas alternativas de sobrevivência e uma maneira de sair do anonimato, apesar da exploração e do tratamento muitas vezes desumano.
Dentre as atrações mais recorrentes haviam mulheres barbadas, gêmeos xifópagos, casos de gigantismo e nanismo, casos de teratologia, microcefalia e por ai vai. E, por mais estranho e degradante que isso possa parecer, estas pessoas faziam isso porque preferiam, evidentemente, ser exploradas pelo sem vergonha do Barnum, que morreu milionário e -eu não sei de onde os EUA tirou esta mania de homenagear quem não presta- que anos mais tarde teve uma estátua de bronze erigida em sua homenagem no centro do Seaside Park.
De fato, em 2017, com o advento do fim do circo, Hollywood decidiu também homenageá-lo com o filme "O Rei do Show", um musical estrelado por Hugh Jackman. O filme justifica o dom de P. T. Barnum para aplicar golpes e falcatruas, como uma resignação de alguém que faz tudo pela arte. O mais grotesco de toda a patacoada é a tentativa mal sucedida de compactar décadas de história em um par de anos. Ademais, o filme não conta algumas passagens de sua vida que poderiam soar horrorosas demais para um personagem que foi tão romantizado.
Alice E. Doherty, também conhecida no palco como "O bebê de lã de Minnesota".

Alice e sua família.

Unzie, o "albino".

Isaac W. Sprague, também conhecido como "O esqueleto vivente".

Fanny Mills, mais conhecida como "A Menina Pé Grande".

Anne Leek, uma senhora sem braços, que se juntou ao show de horrores para ganhar a vida.

Pip e Flip: os gêmeos de Yucatán.

Minnie Woolsey, Koo Koo, a garota pássaro.

O acrobata sem pernas e sua família posando para uma foto.

Mirin Dajo, o "alfineteiro humano".

Grady Franklin Stiles Jr, o "Garoto-Lagosta". Este jovem tinha Ectrodactilia, que é uma deformação das mãos que parecem pinças.

O homem de duas cabeças.

Josephene Corbin, a mulher de quatro pernas.

Ela Harper, também era conhecida como a "garota-camelo".

Luzia Zárate a menor pessoa que viveu no mundo.

Uma mulher barbada chamada Annie Jones.

John Jennings conhecido como "O Sansão Moderno".

O Gordo e o Magro, show de boxeadores.

Felix Wehrle, o "homem da pele elástica".

A "mulher tatuada", naquela época isto era freak.

Eko e Iko, os "Homens de Marte".

Schlitzie Surtees, o mais famoso freak de sempre.

Maximo e Bartola, os "liliputianos Astecas".

Martin Laurello, O homem que girava sua cabeça 180°.

Frank Lentini, o "tripé humano".

Ruth Davis - Mignon, a mulher pinguim.

Louise, a menina leopardo.

Stephan Bibrowski - Lionel, o homem-leão.

As irmãs siamesas britânicas Violet e Daisy Hilton.

Millie e Christine McCoy, o "rouxinol de duas cabeças".

Troupe variada de integrantes do Ringling Bros and Barnum & Bailey.

Cartaz de apresentação do filme "O Rei do Show".

Para mim, a única coisa boa deste filme é uma moça chamada Loren Allred, cujo nome quase não transcendeu, ainda que ela tenha sido a voz por trás da canção "Never Enough", de "O Rei do Show".
Loren saiu das sombras ao decidir participar do Got Talent britânico de 2022. Ela explicou a Simon Cowell e seus colegas jurados que foi contratada pelos produtores do filme para fazer apenas uma as vozes de referência, para que as atrizes aprendessem a canção.
No entanto, a atriz Rebecca Ferguson, que interpretou Jenny Lind, ficou tão impressionada que disse que Loren deveria cantar os vocais reais, que ela dublaria no filme.
- "Então você cantou uma das maiores músicas de todos os tempos e nos diz que não foi a atriz que cantou a música no filme. Foi você quem cantou essa música?", perguntou incrédulo Simon Cowell. Loren então cantou a canção para uma ovação em pé e um desfecho inesperado que você pode ver no vídeo abaixo.
Menos mal que a cantora apareça nos créditos -ainda que com letra miúda- da trilha sonora do filme, que alcançou o primeiro lugar nas paradas internacionais.
Loren estava trabalhando como garçonete quando os produtores de "O Rei do Show" entraram em contato com ela. E dado o fato que o filme foi lançado em 2027, não é disparatado inferir que ela assinou alguma cláusula de sigilo de 5 anos.
Não existem dados públicos consolidados que detalhem o faturamento exato e individualizado da canção "Never Enough", mas se levarmos em conta que cada Stream do Spotify paga R$ 0,023, resulta em um total de mais de R$ 11 milhões. Perguntar não ofende: os produtores do filme recompensaram esta moça?
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Comentários
E dado o fato que o filme foi lançado em 2027, não é disparatado inferir que ela assinou alguma cláusula de sigilo de 5 anos.
Uia, este vídeo é do futuro.