![]() | Após a Revolta dos Cipaios em 1857, a Coroa Britânica dissolveu a Companhia das Índias Orientais, que controlava a Índia desde 1612, e assumiu o controle direto instaurando o famigerado período conhecido como Raj Britânico, que transformou a rica Índia em apenas um fornecedor de matérias-primas e mercado para produtos britânicos, desmantelando indústrias locais, como a têxtil e matando no processo mais de 3 milhões de indianos. Um número a par com o holocausto, mas sem a mesma responsabilização já que o genocídio ocorreu distante dos olhos europeus. |

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A política fiscal do Raj, que incluía a cobrança forçada de impostos (diwani), contribuiu para fomes, como a de Bengala, e roubou, segundo estimativas, baseadas em quase dois séculos de dados detalhados sobre impostos e comércio, cerca de US$ 45 trilhões da Índia entre os anos de 1765 e 1938.
O processo de independência foi longo, com figuras como Mahatma Gandhi liderando protestos contra a opressão, culminando na independência e partilha da Índia em 14 de agosto de 1947.
A colônia era frequentemente chamada de "a joia da coroa" do Império Britânico devido à sua imensa riqueza natural e importância estratégica.
Está claro, que desde o primeiro momento o povo indiano queria os britânicos fora de suas terras. Como você sabe, isso levou muiiiito tempo, mas curiosamente, enquanto a Grã-Bretanha estava envolvida nas duas guerras mundiais, lutando pela hegemonia e pela própria sobrevivência, a Índia não tentou se rebelar.
Isso levanta a questão que você já deve ter se perguntado: por que o povo indiano não se revoltou contra o domínio britânico durante a Primeira ou a Segunda Guerra Mundial?
Na década que antecedeu a Primeira Guerra Mundial, a Índia não era exatamente um lugar fácil para a Grã-Bretanha administrar movimentos políticos que clamavam pela independência, principalmente o Congresso Nacional Indiano, que já existia há décadas, mas cuja organização e influência estavam crescendo.
Em 1905, Lord Keron, o vice-rei da Índia, optou por dividir Bengala em duas para separar as populações indiana e muçulmana. Os indianos reagiram mal, boicotando coletivamente os produtos britânicos, e alguns revolucionários mais radicais assassinaram oficiais britânicos levando à reversão da partição.
A situação permaneceu tensa, com os membros mais radicais do Congresso ganhando força e sendo vistos como os mais propensos a conquistar a independência da Índia.
Em 1912, houve outra tentativa de assassinato do vice-presidente britânico, mas apenas dois anos depois, quando a atenção da Grã-Bretanha estava voltada para outros assuntos, não houve nenhuma tentativa de se libertar. Por quê?
Bem, havia vários motivos: primeiro, os britânicos haviam se tornado bastante hábeis em prender e deter qualquer agitador que quisesse alcançar a independência.
Durante a guerra, os britânicos aprovaram uma lei que permitia o que foi chamado de detenção preventiva por tempo indeterminado, e a história daqueles presos fazem a de Tiradentes parecer infantil.
Embora os movimentos de independência estivessem crescendo em popularidade, muitos na Índia não se sentiam representados, mas a principal razão pela qual a Grã-Bretanha conquistou a lealdade de muitas elites indianas foi por meio da promessa de conceder o status de Domínio à Índia, vista por muitos como o primeiro passo para a independência.
O problema com essa promessa é que, após o término da guerra, foi rapidamente esquecida ou mais possivelmente era só um engodo para mitigar possíveis insurreições.
Os britânicos aprovaram então a Lei Roll, que permitia a prisão de qualquer indiano por até dois anos, por praticamente qualquer motivo. Assim, quando a Segunda Guerra Mundial começou, seria seguro presumir que os indianos se recusariam a lutar. Mas, curiosamente, embora a Índia tivesse recebido alguma autonomia local, não era muita.
Quando a Grã-Bretanha entrou em guerra, a Índia estava logo atrás deles. Cerca de 2,5 milhões de soldados indianos formaram o maior exército voluntário da história na Segunda Guerra Mundial, lutando pelo Reino Unido contra o Eixo.
Figuras notáveis e tropas indianas foram cruciais na campanha da Birmânia, Norte da África e Itália (como Monte Cassino), perdendo mais de 90 mil combatentes.
Surpreendentemente, isso irritou a população, que, obviamente, não havia sido consultada. Consequentemente, muitos indianos se recusaram a lutar pela Grã-Bretanha, mesmo que a grande maioria considerava a Alemanha e o Japão piores armados.
A rebelião não era uma opção, pois os britânicos já haviam prendido qualquer um que pudesse considerá-la uma boa ideia. Mas, como você deve saber, muitos líderes indianos defenderam ativamente a resistência não violenta.
Em 1942, o movimento Quit India convocou uma greve geral em toda a Índia. Em resposta, os britânicos prenderam a maioria dos líderes nacionalistas indianos. Isso impactou o movimento. Na verdade, não foi tão ruim para o esforço de guerra britânico.
No entanto, o grande número de pessoas que compareceram em apoio deixou claro que a Índia não poderia permanecer no Império por muito mais tempo.
Embora muitos britânicos desejassem que a Índia, ou pelo menos parte dela, permanecesse sob o domínio do Império Britânico, a oposição crescia rapidamente.
Como seria de esperar, o Reino Unido deu um beijinho no ombro após abandonar o subcontinente e nunca realizou reparações formais, financeiras ou materiais significativas à Índia pela pilhagem e exploração ocorridas durante o período colonial.
Intelectuais, historiadores e políticos indianos, como Shashi Tharoor, argumentam que o domínio britânico desindustrializou a Índia, causou fomes e drenou a riqueza do país, gerando uma dívida moral e econômica incalculável.
Embora haja apoio de figuras políticas, como o primeiro-ministro Narendra Modi, para que a Grã-Bretanha reconheça e compense os danos coloniais, não houve pagamentos oficiais.
O diamante Koh-i-Noor ("Montanha de Luz", parte das joias da coroa britânica e roubado da Índia, é frequentemente citado como um símbolo dos tesouros saqueados que permanecem no Reino Unido, sem devolução.
O diamante de 105 quilates, oval e indiscutivelmente o mais famoso do mundo hoje, foi roubado, disputado, passou por todo tipo de artimanha e trapaça para chegar entre outras 2.800 pedras nas joias da coroa (a maioria pilhada), mas nem sempre esteve lá.
Milhares de anos atrás um diamante foi peneirado da areia das minas aluviais da Índia seu esplendor era tão fascinante que em 1635 já adornava o trono do governante mugal Shah Jahan, aquele mesmo da letra da canção "Taj Mahal" (1972) de Jorge Ben Jor, que celebra a construção do famoso mausoléu na Índia em homenagem a sua esposa Mumtaz Mahal.
A canção se tornou um dos casos de plágio mais descarados do mundo, quando Rod Stweart lançou em 1978 "Da Ya Think I'm Sexy?". Mais tarde , Rod Stewart confessou que o plágio foi "inconsciente", alegando que a melodia de "Taj Mahal" ficou em sua cabeça após ouvi-la no carnaval do Rio e emergiu durante o processo de composição. O caso foi resolvido fora dos tribunais. Rod Stewart concordou em doar todos os royalties da música para a UNICEF.
Os mogois mantiveram o poder na Índia por um século após a criação do trono de Shah Jahan, mas logo as vastas riquezas do país se tornaram famosas e o governante persa NES Sha decidiu que era hora de invadir. Em 1739, ele entrou em Delhi e roubou tanto tesouro que foram necessários 700 elefantes, 4.000 camelos e 12.000 cavalos para transportá-lo.
Sha removeu o diamante do trono e o colocou em uma braçadeira que usava. O diamante viveu em um país que se tornaria o Afeganistão pelos próximos 70 anos, passando entre governantes em batalhas sangrentas.
Em 1813, ele estava de volta à Índia e na posse do governante Sikh, Ranit Singh. Ele passou por uma miríade de dinastias de invasores na Índia, de vários governantes que tinham reinos e propriedades lá, e todas essas dinastias foram marcadas por sua beleza resplandecente, seu tamanho, sua escala.
Logo, a Companhia Britânica das Índias Orientais ouviu rumores de um tesouro inestimável chamado Coor e decidiu adquiri-lo para Lord Del, o governador-geral imperialista da Índia.
O diamante era o símbolo máximo de poder; ele queria que a Grã-Bretanha possuísse a joia da Índia, assim como o próprio país era digno de uma rainha, porque ele conhecia seu poder, sua história e sabia que isso personificava o domínio britânico superior sobre seus súditos.
A oportunidade de Lord Del finalmente chegou em 1849. Ranit Singh havia morrido e Duip Singh, um menino de 10 anos, tornou-se o próximo na linha de sucessão ao trono.
Os britânicos aprisionaram sua mãe e forçaram Duip a entregar-lhes o Coor, que de alguma forma torta chegou como broche no peito da Rainha Vitória, e, eventualmente, tornou-se parte das joias da coroa.
O diamante tomou chá de sumiço até que em 2002, apareceu sobre o caixão da Rainha Mãe e depois no caixão da Rainha Elizabeth, em 2022, quando muitos indianos pediram a devolução do diamante. A história do diamante mais famoso e controverso do mundo continua a ser escrita.
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