![]() | Imagine que o ano é 100 d.C., e Luiza Claudia, de 11 anos, brinca com sua boneca de marfim, Pompeia. Batizada em homenagem à esposa do imperador romano Trajano, Pompeia tem apenas 20 centímetros de altura, com articulações nos braços, pernas, joelhos e cotovelos, e uma variedade de roupas e acessórios em miniatura. Com sua boneca nas mãos, Luiza organiza jantares elaborados, ajuda Eneias a escapar de Troia e acompanha seu pai em viagens de trabalho ao Egito. |

Essa cena antiga provavelmente é familiar para qualquer pai moderno, e isso porque as crianças vivem aventuras imaginárias com seus brinquedos há milhares de anos. Embora os brinquedos mais comuns na antiguidade provavelmente fossem gravetos e pedras, as evidências de seu uso para brincar são invisíveis arqueologicamente.
No entanto, arqueólogos encontraram evidências materiais, visuais e escritas de brinquedos em todo o mundo antigo. Na Anatólia, por volta de 3000 a.C., miniaturas de carrinhos de brinquedo corriam pela terra nas mãos de crianças enérgicas.
Mil anos depois, no Vale do Indo, uma criança pequena ria alegremente ao som de um apito de terracota em forma de pomba. Além de apitos e brinquedos com rodas, as bonecas são outro brinquedo antigo comum, embora possam ser um pouco mais difíceis de identificar.
Enquanto alguns arqueólogos acreditam que as antigas figuras femininas encontradas na Afro-Eurásia podem ter sido brinquedos infantis, outros acreditam que eram ídolos sagrados de fertilidade.
Mas sabemos que bonecas como Pompeia eram populares na Grécia e em Roma, com cabelos e roupas que refletiam as mudanças na moda adulta.
E milhares de anos depois, no Ártico, crianças inuítes carregavam bonecas revestidas de pele, esculpidas em madeira ou presas de morsa.
Mas talvez o brinquedo antigo mais comum seja a humilde bola. Milhares de anos atrás, crianças no antigo Egito, China, Grécia e Mesoamérica chutavam e arremessavam bolas feitas de tudo, desde couro e linho até papiro e fibra de palmeira.
As regras da maioria de seus jogos se perderam no tempo, mas algumas crianças podem ter imitado jogos adultos sobre os quais sabemos mais. Por exemplo, crianças da Grécia Antiga podem ter jogado episkuros, um esporte coletivo onde os jogadores competiam para empurrar seus oponentes para fora do campo, arremessando a bola o mais longe possível.
Enquanto isso, crianças mesoamericanas podem ter jogado um jogo onde os participantes tentavam acertar uma bola de borracha através de um aro usando apenas os quadris.
Por outro lado, em algumas culturas, esse jogo tinha significado religioso, então é possível que essas crianças evitassem esse esporte sagrado.
De qualquer forma, brincadeiras mais brutas e físicas eram frequentemente limitadas pelas expectativas de gênero da época, com meninas sendo excluídas de jogos de bola mais agitados em Roma e no Egito.
Meninas espartanas por volta de 400 d.C. participavam das mesmas atividades físicas rigorosas que os meninos, mas principalmente porque os adultos acreditavam que isso fortaleceria seus corpos para a gestação.
Felizmente, essa não era a única razão pela qual os adultos da antiguidade incentivavam as crianças a brincar. O filósofo ateniense Platão observou que brinquedos como blocos de construção e miniaturas de implementos agrícolas eram ferramentas úteis para aprender as habilidades necessárias na vida adulta.
Dito isso, muitas culturas antigas esperavam que as crianças abandonassem seus jogos e brinquedos à medida que cresciam.
Uma expressão romana comum descrevia uma criança "deixando de lado as nozes" ao assumir suas responsabilidades adultas, já que as nozes eram usadas em diversos jogos simples.
E as jovens romanas deixavam suas bonecas como oferendas aos deuses como parte dos preparativos para o casamento.
No entanto, outros jogos infantis se assemelhavam aos que homens e mulheres continuavam a apreciar na idade adulta. Um deles, chamado ossinhos, era popular em todo o Mediterrâneo antigo.
Geralmente feitos com os ossos do tornozelo de ovelhas ou porcos, podiam ser usados como pedrinhas ou dados, com faces diferentes valendo pontos diferentes.
Além dos jogos de azar, os adultos da antiguidade jogavam diversos jogos de tabuleiro estratégicos, que podem ter sido introduzidos durante a infância.
Alguns exemplos particularmente bem documentados incluem o Jogo Real de Ur na antiga Mesopotâmia, o Go na China, o Senet no Egito e o Ludus latrunculorum, ou Jogo dos Soldados, em Roma.
Hoje, as crianças brincalhonas seguem os mesmos instintos de seus ancestrais. Elas continuam a inventar jogos de bola, criar histórias para suas bonecas favoritas e fazer carrinhos de brinquedo deslizarem pelo chão. Porque as brincadeiras mais simples nunca saem de moda.
Os primeiros brinquedos das crianças brasileiras foram artefatos indígenas e brinquedos rústicos criados a partir de elementos da natureza.
A peteca, feita com palha de milho e penas, é um dos primeiros brinquedos genuinamente brasileiros. Junto com o pião e a pipa, essas criações ancestrais formaram a base do lazer infantil.
Antes da industrialização, a diversão infantil era profundamente artesanal. As crianças brincavam com bonecas de pano, carrinhos de carretel ou latas de óleo e brinquedos feitos em casa ou por artesãos locais.
A produção nacional ganhou força no século XX. A Brinquedos Estrela, fundada em 1937, começou a popularizar as primeiras bonecas brasileiras, como as de corpo de tecido e rosto de massa.
A Brinquedos Estrela foi a primeira e é considerada a maior indústria de brinquedos exclusivamente infantis do Brasil. Fundada em 27 de junho de 1937 em um pequeno sobrado em São Paulo, começou com a produção de bonecas de pano e carrinhos de madeira após o imigrante alemão Siegfried Adler adquirir uma fábrica falida.
A trajetória pioneira da empresa é marcada por grandes marcos nacionais. Lançado na década de 1940, o cachorro Mimoso foi o primeiro brinquedo de madeira brasileiro a se mover e emitir som. O banco imobiliário foi lançado em 1944 e tornou-se o jogo de tabuleiro mais vendido da história do país. Já o autorama e a Suzi, a Barbie brasileira, revolucionaram o mercado nos anos 1960.
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