![]() | A dublagem por Inteligência Artificial (IA) com sincronia labial (ou lip sync) é uma tecnologia avançada, apresentada por uma empresa chinesa há um par de anos, que traduz vídeos para outros idiomas, alterando o áudio e ajustando os movimentos da boca da pessoa na tela para corresponder à nova fala, ademais clonando a voz do personagem. Esse processo automatiza etapas que antes exigiam estúdios caros e longas horas de edição humana. Ironicamente a tecnol9gia promissora ainda não "decolou" totalmente em Hollywood. |

Embora a tecnologia avance rápido, ela ainda luta para replicar a interpretação humana sutil, o que levanta debates sobre se ela irá substituir ou apenas auxiliar os dubladores.
Hoje, de fato, os dubladores são muito úteis para 29% da população brasileira que é analfabeta funcional, segundo o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf).
Isso significa que aproximadamente 3 em cada 10 adultos no Brasil têm dificuldades em interpretar textos simples, frases curtas ou realizar operações matemáticas básicas, apesar de saberem ler e escrever palavras isoladas.
Certamente toda esta gente não consegue entender totalmente um filme legendado. Não existe uma "deficiência cognitiva" específica ou rotulada pela medicina apenas para quem não consegue acompanhar filmes legendados.
No entanto, a dificuldade em processar legendas e imagens simultaneamente pode estar relacionada a alguns fatores de processamento visual e cognitivo.
Assistir a um filme legendado exige que o cérebro realize a "atenção dividida": processar a imagem, o som original e o texto ao mesmo tempo.
Algumas pessoas têm mais dificuldade em alternar o foco rapidamente entre o centro da tela e a parte inferior, pois seu processamento de informação mais lento, aliado ao analfabetismo funcional, pode fazer com que a legenda desapareça antes que consigam absorver o conteúdo e retornar à imagem.
Isso por si só mostra como a dublagem é um fator de grande inclusividade, mas se os dubladores "podem" ser substituídos, "devem" ser.
O avanço tecnológico, especialmente a inteligência artificial (IA) e a automatização, tem o potencial de extinguir ou transformar drasticamente diversas profissões. Relatórios indicam que até 40% dos empregos atuais podem desaparecer nos próximos 5 anos, à medida que tarefas rotineiras e previsíveis são assumidas por máquinas.
Um dos maiores argumentos dos dubladores, que sabem que sua profissão morreu, é dizer que a IA consegue reproduzir vozes e ajustar a boca, mas ainda tem dificuldades em capturar o subtexto, a respiração e a emoção profunda.
O uso de IA sem consentimento para clonar vozes de atores é ilegal e viola direitos autorais. Sindicatos corporativistas têm lutado por contratos que garantam o pagamento e consentimento dos dubladores.
É verdade que dublagens mal feitas por IA podem parecer artificiais ou robóticas, mas isso é a exceção e não a regra. Dubladores dizem que o público ainda prefere a interpretação humana, que consegue transmitir a essência da atuação original, mas isso é uma bobagem sem tamanho.
A maior besteira que ouvi e li sobre o assunto é que o dublador Isaac Bardavid é o principal motivo do sucesso do Wolverine no Brasil. Isaac deu voz ao personagem de Hugh Jackman por quase 20 anos, incluindo filmes e animações, até seu falecimento em 2022.
Idiomas diferentes possuem ritmos e estruturas fonéticas distintas, é lógico. Por isso a IA precisa reanimar a boca do ator com precisão, o que ainda gera erros técnicos, mas esse também é uma argumento sem sentido, dado a que a imagem de alguém falando em inglês está em plena dessincronia com alguém dublando em português.
Uma aplicabilidade da tecnologia que chamou bastante a atenção dos estúdios de cinema e a diminuição da classificação etária do filme.
O sistema de classificação etária dos EUA é gerido pela Motion Picture Association (MPA) e classifica filmes com base em seu conteúdo para auxiliar os pais.
As categorias principais são: G (Livre), PG (Orientação parental), PG-13 (Inadequado para menores de 13 anos), R (Restrito: +17) e NC-17 (Maiores de 17 proibidos).
Assim, às vezes um palavrão perdido no filme pode classificá-lo como PG-13, ceifando grande parte da plateia. Hoje os produtores só podem resolver o problema regravando toda a cena, mas com a tecnologia é possível colocar uma nova palavra contextuali8zada na boca do ator.
A IA pode acabar com a profissão de dublador? Muitos especialistas apostam que isso já aconteceu, mas a visão atual dos dubladores e se agarrar a uma tábua de salvação em que a IA será usada para sincronizar a boca, enquanto o áudio será fornecido por dubladores humanos. Por que melhorar se é possível complicar?
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