![]() | Diz a lenda urbana que a anatomia humana é dividida por um abismo de mistérios biológicos. De um lado, o Homem de Aço, uma criatura cujo duto lacrimal é meramente decorativo. Do outro, a Mulher Etérea, um ser que aparentemente processa feijoada e a transforma puramente em luz e aroma de lavanda. "Homem não chora" é o equivalente emocional de "Mulher não peida". São os dois pilares que sustentam a nossa frágil civilização. Se um homem chorar vendo o comercial do "primeiro sutiã" e uma mulher soltar uma "bufa" no primeiro encontro, o tecido da realidade se rompe e o apocalipse começa. |

Criado pelo Gemini.
O Drama do Olho Seco
O homem médio passa a vida fingindo que tem uma alergia crônica a "momentos emocionantes". Ele pode ver o Mufasa morrer, o cachorrinho do filme esperar dez anos na estação de trem ou o time ser rebaixado; ele apenas coçará o supercílio com força e dirá:
- "É o pólen, tá foda este ano!" Chorar, para o homem, é um evento logístico. Ele precisa se trancar no banheiro com o chuveiro ligado, ou esperar uma chuva torrencial para que as lágrimas se misturem à água, mantendo intacta sua reputação de "ser imperturbável".
Brincadeiras à parte, isto é um pouco triste. Minha amada Avó que me criou era adepta do antigo costume e culturalmente enraizado que promove um modelo de masculinidade hegemônica, no qual a demonstração de emoções, vulnerabilidades ou fragilidades é vista como sinal de fraqueza.
- "Engole este choro Craudio!" E eu engolia ou então ia fazê-lo em reservado, para demonstrar que eu era forte, estoico e contido emocionalmente. Assim eu vivi a minha juventude ocultando meus sentimentos e ironicamente só chorei em público pela primeira vez quando minha Avó morreu.
A Mística do Trato Digestivo
Já a mulher vive sob o mito da digestão silenciosa. Segundo a etiqueta social, o sistema digestório feminino não produz metano; ele produz suspiros. A mulher é mestre na arte da "dissimulação acústica".
Se um ruído escapa, ela rapidamente arrasta a cadeira, tosse de forma seca ou olha feio para o cachorro (mesmo que não haja um no recinto). É um esforço hercúleo para manter a ilusão de que ela é composta apenas por glitter e boas intenções.
Quando a "bomba de bunda" vem acompanhado de cheiro, alguma não tem melhor ideia do que esvaziar o frasco de Bom Ar empesteando o ambiente com aquele cheirinho de "merda floral".
No fim das contas, somos todos iguais: seres humanos segurando o choro no cinema e segurando o traque no elevador. O mundo seria muito mais leve se pudéssemos apenas soltar um soluço e um gás ao mesmo tempo, mas aí, infelizmente, perderíamos a piada de quinta série.
A origem das "crenças"
Essas ideias não surgiram do nada; elas são subprodutos de séculos de construção social e pressões de gênero.
1. "Homens não choram" (O Mito da Fortaleza)
Raízes antigas sugerem que a masculinidade está ligada à invulnerabilidade e ao estoicismo. Para o guerreiro, a emoção era vista como fraqueza ou distração.
Com a separação entre "casa" (feminino/emocional) e "trabalho" (masculino/racional), entre a Revolução Industrial e Era Vitoriana, o homem foi condicionado a ser o provedor frio e calculista. O machão "stiff upper lip" tornou-se o padrão ouro de compostura.
Ademais chorar implica vulnerabilidade, e na hierarquia patriarcal, quem é vulnerável não lidera.
2. "Mulheres não peidam" (O Mito da Pureza)
Historicamente, o corpo feminino foi excessivamente policiado. Funções biológicas "grosseiras" eram vistas como incompatíveis com a delicadeza e a pureza atribuídas à mulher.
No século XIX, a mulher era vista como um ser quase espiritual, acima das "sujeiras" do mundo físico. Peidar, um ato visceralmente humano e barulhento, quebrava essa mística de perfeição estética da "flor do lar".
Enquanto o arroto ou o flato masculino muitas vezes foram (e ainda são) lidados com humor ou "orgulho" tosco, na mulher, eles são usados como ferramentas de constrangimento para reforçar a ideia de que ela deve ser discreta e invisível em suas necessidades físicas.
Estudos na área de gastroenterologia tendem a mostrar que os homens tendem a assobiar mais com o esfíncter, mas trazem uma conclusão peculiar sobre a intensidade do cheiro.
Pesquisas, incluindo estudos do Dr. Michael Levitt (conhecido como "rei dos peidos"), sugerem que homens tendem a soltar gases com maior frequência e em maior volume.
Um estudo de 1998, descobriu que o ser humano peida 23 vezes por dia e embora as mulheres soltem menos volume, os gases intestinais femininos contêm uma concentração "significativamente maior" de sulfeto de hidrogênio, o que explica a reação da mistura com odorizador.
Esse composto é responsável pelo cheiro característico de "ovo podre", tornando o odor dos gases femininos, em média, mais intenso.
A diferença no odor pode estar relacionada a diferenças na flora intestinal e a fatores hormonais, como a progesterona, que pode tornar o intestino feminino mais lento, aumentando a fermentação.
Em suma, o choro masculino e o peido feminino são dois lados da mesma moeda da repressão. Um proíbe a saída de sentimentos, o outro proíbe a saída de gases. Ambos, se guardados por muito tempo, causam uma explosão interna.
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