![]() | Pense na última vez que você voou. Você imprimiu seu cartão de embarque, esperou no portão lotado, caminhou pela ponte de embarque e entrou no avião. Mas você notou algo? Quer estivesse saindo de São Paulo, Curitiba ou Joinville, embarcando em um enorme Boeing 777 ou em um pequeno jato regional, você sempre entra no avião pelo lado esquerdo. Todas as vezes. Já se perguntou qual o motivo das coisas serem assim? Esta é a uma pergunta surpreendentemente antiga que se esconde em todos os aeroportos. |

Para entender os aviões modernos, precisamos olhar para os barcos, especificamente, barcos de mais de mil anos atrás. Nos primórdios da navegação, muito antes dos aviões serem sequer um sonho, os navios não eram guiados por um leme central, mas por um grande remo de direção.
Como a maioria dos marinheiros era destra, esse remo de direção ficava geralmente no lado direito do barco. Em inglês antigo, a palavra para "guiar" era "steer" e a palavra para "barco" era "board". Assim, o lado direito do navio ficou conhecido como "steerboard", termo que acabou evoluindo para a palavra que usamos hoje: "starboard" (boreste).
Agora, imagine tentar atracar um navio com um remo de madeira gigante saindo do lado direito. Se você atracasse pelo lado direito, poderia facilmente danificar o remo de direção contra o cais.
Para proteger o equipamento, muitos marinheiros da antiguidade preferiam atracar e desembarcar cargas pelo lado esquerdo; como esse lado ficava tipicamente voltado para o porto durante a atracação, ele acabou recebendo o nome de bombordo.
Quando os humanos finalmente conquistaram os céus no início do século XX, os pioneiros da aviação não inventaram um conjunto de regras totalmente novo. Eles aproveitaram muito das tradições marítimas e navais, sobretudo porque os primeiros aviões comerciais eram hidroaviões e operavam nos mesmos portos que os navios. Eles adotaram a mesma convenção.
De fato, os primeiros aviões eram frequentemente vistos como "navios dos céus". É por isso que as companhias aéreas têm capitães, copilotos e frotas, e é por isso que os aviões mantiveram os termos náuticos de direção.
Assim como nos navios que os precederam, os operadores e projetistas das primeiras aeronaves padronizaram gradualmente o embarque de passageiros pelo lado de bombordo: o lado esquerdo.
Mas a história não termina aí. Hoje, ainda seguimos essa convenção de longa data por razões modernas bastante práticas. Na próxima vez que você estiver no terminal aguardando o embarque, olhe pela janela para o lado direito da aeronave.
Enquanto os passageiros caminham tranquilamente para entrar pelo lado esquerdo, o lado direito é, muitas vezes, uma área de trabalho intensa e movimentada. Caminhões de combustível, equipes de manuseio de bagagem, veículos de serviço de bordo e muitas outras operações de apoio concentram-se, tipicamente, no lado estibordo ou boreste (o lado direito).
Ao direcionar o embarque dos passageiros principalmente para a esquerda, as companhias aéreas ajudam a manter as pessoas afastadas de maquinário pesado e de operações de solo intensas.
Isso reduz o congestionamento, aumenta a eficiência e diminui o risco de acidentes. Há mais um detalhe interessante. Na maioria das aeronaves comerciais, o comandante ocupa o assento esquerdo da cabine de comando. Como o comandante geralmente ocupa esse assento, é mais fácil julgar o alinhamento da aeronave para que as portas do lado esquerdo se encaixem na ponte de embarque a partir dessa posição.
A verdade é que o número de portas varia conforme o tamanho da aeronave. Aviões menores de corredor único (como o Boeing 737 ou Airbus A320) têm entre 4 e 8 portas, enquanto superjumbos de dois andares (como o Airbus A380) possuem um total de 16 portas.
O projeto das portas atende a requisitos regulamentares de segurança e varia de acordo com a capacidade de passageiros. Ou seja todas estas portas sobressalentes tem mais a ver com evacuação de emergência do que embarque.
curiosamente, por ser um avião de carga, o Antonov An-225 Mriya tinha apenas 1 porta de carga, que ficava localizada na parte frontal, no nariz do avião.
Ao contrário do cargueiro militar Antonov An-124 (seu antecessor), o An-225 não possuía porta ou rampa traseira. Essa porta na traseira foi eliminada no projeto para reduzir o peso da aeronave, fazendo com que todo o carregamento e descarregamento de peças superdimensionadas fosse feito exclusivamente pela frente, com o auxílio de uma rampa móvel e a inclinação do trem de pouso dianteiro.
Portanto, na próxima vez que você embarcar em um voo, reserve um momento para observar a porta. Você não está apenas entrando em uma maravilha da engenharia moderna; está participando de uma tradição cujas raízes remontam aos antigos navegadores e cuja praticidade foi reforçada pela logística da aviação moderna.
E os ônibus: por que pela direita? As portas dos ônibus são posicionadas no lado da calçada para garantir a segurança do trânsito e facilitar a operação do transporte público.
Em países que seguem a "mão francesa" ou "mão inglesa", a lógica do embarque pode mudar. No Brasil, onde a mão de direção é o lado direito da pista, os pontos de ônibus e corredores de tráfego são construídos nas calçadas.
Para evitar que o passageiro desça diretamente no meio do trânsito movimentado ou seja atropelado por veículos que vêm de trás, a porta principal do ônibus é sempre projetada voltada para a calçada.
Ademais posicionar a porta no lado do passageiro garante que o motorista tenha o controle visual da entrada e saída das pessoas, além de facilitar a validação de passagens (roleta), uma vez que o motorista também fica sentado no lado esquerdo do veículo.
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