![]() | Você entra em qualquer loja de departamentos hoje e a regra não escrita é clara: homens usam colônia e mulheres usam perfume. Presumimos que a colônia seja formulada com notas amadeiradas e robustas, criadas especificamente para a pele masculina, enquanto o perfume é elaborado com notas florais e adocicadas, voltadas para as mulheres. Mas e se eu lhe dissesse que essa divisão é, na verdade, uma ilusão moderna? A real diferença entre perfume e colônia não tem absolutamente nada a ver com gênero ou coisa do gênero. |

É uma história fascinante que envolve uma receita de 300 anos, química básica e um dos truques de marketing mais bem-sucedidos da história. Neste post também conto sobre uma mania que quase asfixiou a população brasileira quase à morte.
Vamos começar pela ciência, pois a verdade está impressa bem no fundo do frasco. Toda fragrância que você compra é composta por dois elementos principais: óleos aromáticos puros e um solvente, geralmente uma mistura de álcool e água.
Os termos "perfume" e "colônia" são, na verdade, classificações da indústria que indicam a quantidade exata de óleo puro presente no frasco. No topo da escala, temos o "parfum", que apresenta uma alta concentração de óleos, entre 20% e 30%. Ele é denso, intenso e pode permanecer na pele durante o dia todo.
Logo abaixo, temos o "eau de parfum", com uma concentração entre 15% e 20%. Em seguida, vem o "eau de toilette", que é mais leve, com 5% a 15%; e, na base da escala, eau de cologne", contendo apenas 2% a 5% de óleo aromático.
Cientificamente falando, a colônia é apenas uma fragrância muito leve e altamente diluída. Isso não significa que seja destinada aos homens; significa apenas que sua fixação é menor.
Então, como uma fragrância diluída acabou ganhando um nome tão famoso? Para descobrir, precisamos voltar ao ano de 1709, na cidade de Colônia, na Alemanha.
Naquela época, um perfumista italiano chamado Johann Maria Farina vivia por lá. Naquela época, os perfumes populares eram extremamente pesados, carregados de almíscares de origem animal, substâncias densas usadas pela elite europeia para disfarçar o fato de que as pessoas raramente tomavam banho.
Johann, no entanto, sentia falta dos aromas frescos e limpos de sua terra natal, a Itália. Por isso, ele criou uma mistura inovadora, utilizando óleos altamente voláteis, além de limão, laranja, bergamota e alecrim.
- "Isso me lembra uma manhã de primavera italiana, logo após a chuva", escreveu ele em uma carta para seu irmão.
Para homenagear sua nova cidade, ele batizou sua criação de "eau de Cologne", ou seja, "água de Colônia".
Foi um sucesso estrondoso. Napoleão Bonaparte, por exemplo, era um grande admirador da fragrância; dizem que ele consumia 50 frascos por mês, justamente por ser um aroma leve e refrescante.
Com o tempo, o termo "colônia" tornou-se a designação genérica, usada no mundo todo, para qualquer fragrância de baixa concentração. Mas como, afinal, uma água cítrica, leve e unissex, transformou-se no símbolo máximo da masculinidade?
Vamos avançar até meados do século XX, nos Estados Unidos. A indústria da beleza estava em plena expansão, mas as empresas enfrentavam um grande obstáculo: os homens americanos se recusavam a comprar qualquer produto rotulado como "perfume", considerando-o algo estritamente feminino.
Os profissionais de marketing precisavam de uma solução. Eles perceberam que, se pegassem essas mesmas fragrâncias, as colocassem em frascos de design sóbrio e minimalista, e as rotulassem corajosamente como "colônia", os homens as comprariam com satisfação.
Foi uma jogada psicológica brilhante. O termo "colônia" foi totalmente despojado de seu significado histórico e técnico, passando a ser usado, de forma permanente, como a palavra universal para fragrâncias masculinas.
Hoje, essa estratégia de marketing continua em vigor. mas agora você já conhece o segredo. Da próxima vez que for escolher uma fragrância para chamar de sua, não se preocupe com o público-alvo a que o produto se destina; observe, em vez disso, a sua concentração. Encontre um aroma que combine com você, seja um perfume mais intenso ou uma colônia refrescante.
Alguém se lembra do icônico óleo de patchouli, que virou uma febre absoluta no Brasil entre os jovens no final dos anos 70 e ao longo dos 80? Esse produto não era exatamente um perfume de grife tradicional, mas sim um extrato ou óleo essencial concentrado vendido em frascos minúsculos (geralmente de 5ml ou 10ml) com tampa de rosca ou aplicador de plástico. Era baratinho e, como o brasileiro adora coisa barata, viralizou e vendia como banana.
Ele vinha muitas vezes da Índia ou de marcas artesanais e alternativas que surfavam na onda da "geração paz e amor". A tendência foi criasa pelos hippiea, que gostavam de artesanato e não eram muito habituados a um bom banho, então juntaram o inútil com o desagradável, que resultou no patchouli.
Diferente do perfume, que tem de 20% e 30%% de essência diluída em álcool e água), aquele vidrinho continha o óleo essencial puro da planta Pogostemon cablin, nativa do Sudeste Asiático. conhecida o Brasil como Oriza.
Por ser puro óleo, ele grudava na pele, nas roupas e nos tecidos de uma forma inacreditável. O calor do corpo ativava o cheiro, criando uma projeção absurda que realmente tomava conta de quarteirões inteiros, salas de aula ou pistas de dança. E o pior é que quase todo mundo usava aquela bosta.
O patchouli tem um aroma extremamente terroso, amadeirado, canforado e com aspecto de "terra molhada" ou mofo. Quem gostava, achava super místico e sensual; quem odiava, achava que tinha cheiro de mofo, poeira, chulé ou tudo junto e misturado.
O uso exagerado, aplicando direto na pele sem diluir. transformava o ambiente ao redor do usuário, e muitas pessoas acabavam pesando a mão na dose, já que o olfato se acostumava rápido com o cheiro, mas as pessoas ao redor não! O brasileiro realmente já foi muito sem-noção.
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