![]() | Eu adoro pescaria, mas por conta dos mosquitos eu hoje só pratico embarcado e abdiquei da pesca de barranco e de acampamento em ilhas desertas. A culpa é de um "merdinha" chamado Culicoides paraensis, mais conhecido como porvinha, maruim ou mosquito-pólvora. Fico com pé-de-pão ou de cachaceiro durante duas ou três semanas com uma coceira latente. A verdade é que algumas pessoas somos verdadeiros ímãs para mosquitos. Não importa para onde você vá nas férias de verão, uma coisa é certa: inevitavelmente será picado por mosquitos. |

Enquanto isso, outras pessoas não sofrem nada... nem uma única mordida. E aqueles que são picados, muitas vezes ficam apenas com um pequeno ponto vermelho. Meus amigos brincam há tempos que meu sangue deve ser "sedutoramente doce".
Ao que tudo indica, eles podem estar certos. Em um estudo científico, 20% das pessoas receberam 95% das picadas. Isso parque nossos corpos exalam inúmeros marcadores biológicos, incluindo odor corporal e hálito, que determinam a suscetibilidade de um indivíduo a picadas. Para algumas pessoas, esses marcadores são irresistivelmente fortes.
O dióxido de carbono sinaliza que você está pronto para ser picado

Apenas as fêmeas dos mosquitos picam os humanos. Elas são atraídas pelo nosso sangue devido à proteína que ele fornece para o desenvolvimento de seus ovos.
Elas usam pistas visuais e olfativas para identificar seus alvos a uma distância de cerca de 10 metros. Entre essas pistas estão as nuvens de dióxido de carbono (CO2) que expelimos pela respiração e pela pele.
A respiração humana emite um sinal de CO2 para os mosquitos, o que ativa o comportamento de busca por hospedeiros em seus órgãos olfativos. Assim, os humanos adultos são mais atraentes do que as crianças, pois produzem mais CO2.
Mas isso significa que os mosquitos também são atraídos por fontes de CO2 não humanas, tornando o gelo seco e o CO2 engarrafado ferramentas úteis para armadilhas de mosquitos.
O calor do corpo aumenta a atração

Estudos mostram que os mosquitos também são atraídos pelo calor e pela umidade e que o CO2 intensifica essa atração pelo calor.
Portanto, grávidas são duas vezes mais atrativas para os mosquitos em comparação com as não grávidas. Isso ocorre porque a gravidez aumenta a demanda metabólica e o volume respiratório, o que resulta em maior exalação de calor e CO2.
Quem consome bebidas alcoólicas, como a cerveja, pode apresentar um aumento sutil na temperatura corporal e na quantidade de dióxido de carbono exalado, além de mudanças no odor da pele, o que atrai mais pernilongos e mosquitos.
Pessoas que praticam exercícios físicos podem se tornar temporariamente mais atrativas para mosquitos, especialmente durante e logo após o esforço, devido ao aumento da demanda metabólica, que eleva a produção de CO2 e as deixa mais aquecidas e suadas.
Também pessoas com maior porte físico ou obesos, que normalmente produzem mais calor e exalam mais CO2, podem igualmente atrair mosquitos.
A pele exala um cheiro de sucesso

À medida que os mosquitos se aproximam e estão a menos de 10 metros de distância, eles identificam as vítimas por meio de uma série de sinais, incluindo odores da pele e da respiração.
É o cheiro, essencialmente que determina quem um mosquito pica. Pequenas substâncias químicas altamente voláteis fazem a diferença. Os mosquitos vivem em um mundo químico.
Alguns entomologistas desmistificaram a ideia de que pessoas com "sangue doce" são mais propensas a picadas de mosquito e descobriram, na verdade, que os mosquitos são atraídos pelo nosso "cheiro de pele" único.
O microbioma da pele consegue decompor carboidratos, ácidos graxos e peptídeos presentes na pele em compostos orgânicos voláteis (COVs), que evaporam facilmente no ar e são facilmente identificados pelos mosquitos. Existem mais de 500 COVs em nossa pele.
Os mosquitos já são atraídos pela amônia e pelo ácido lático presentes na nossa pele, e a presença de ácidos carboxílicos intensifica ainda mais essa atração.
Pesquisadores da Universidade Rockefeller, nos EUA, analisaram o odor da pele de 64 pessoas que usaram mangas de náilon por seis horas. Os mosquitos podiam escolher entre as amostras de náilon – que funcionavam como um "dispositivo de coleta de odores" e revelaram uma clara preferência pelo odor de indivíduos com maior concentração de ácidos carboxílicos.
Os pesquisadores calcularam uma pontuação de atratividade para cada pessoa e descobriram que a pontuação mais alta era 100 vezes maior que a mais baixa. Essas diferenças permaneceram consistentes por anos, independentemente das mudanças no estilo de vida, ou seja, nossa atratividade relativa para os mosquitos é praticamente fixa.
O que você pode fazer para evitar picadas de mosquito?

Há evidências "mínimas ou inconclusivas" de que comer alho ou tomar suplementos de vitamina B possa ajudar a repelir mosquito. O mais recomendado é usar um repelente eficaz, e se cubram com roupas de manga comprida e calças tratadas com inseticida.
A cobertura é importante, pois as picadas se concentram nas extremidades expostas. A proteção diminui com o suor e o tempo, por isso a reaplicação é essencial.
O remédio da Vovó é a citronela que realmente ajuda a enganar, não espantam mosquitos, mas com sérias limitações. O cheiro cítrico intenso confunde os insetos e dificulta que eles encontrem odores humanos, como o CO2.
A planta viva no vaso tem um efeito muito fraco e localizado, pois libera pouco óleo no ar. A infusão feita com água e folhas da planta macerada tem curta duração, pois o óleo evapora em 2 ou 3 dias.
A maioria dos restaurantes nas margens de rios em Joinville tem um uma garrafinha chique com spray da infusão, que, em vez de ser um inseticida, se torna um chamariz de mosquitos. "Fuja para as montanhas!"> -nunca melhor dito-, pois eles não gostam de grandes altitudes porque o ar frio e rarefeito dificulta o voo e a respiração deles.
A importância do microbioma

O microbioma da pele também pode influenciar o quão atraentes somos para os mosquitos. Pesquisadores da Universidade de Wageningen, na Holanda, descobriram que pessoas altamente atrativas para mosquitos da malária apresentavam uma comunidade bacteriana diferente na pele -mais abundante, porém menos diversa- em comparação com aquelas menos atrativas.
Isso pode ocorrer porque as bactérias da pele desempenham um papel importante na produção do odor corporal humano e, sem bactérias, o suor humano é inodoro para o nariz humano.
Estudos com gêmeos mostraram que gêmeos idênticos atraíam mosquitos igualmente, enquanto gêmeos não idênticos apresentavam resultados diferentes, sugerindo que o odor que afeta a "capacidade de picar" pode ser hereditário.
Nem todas as picadas são iguais

>As reações às picadas de mosquito podem variar muito de pessoa para pessoa. Um estudo de associação genômica ampla revelou uma forte ligação genética entre os genes do nosso sistema imunológico e a influência deles na forma como o nosso corpo reage às picadas de mosquito. Curiosamente, essas regiões genéticas também se sobrepõem às associadas a alergias.
Além disso, uma predisposição a reações maiores e mais intensas às picadas (tamanho e coceira) pode influenciar a sua percepção de ser um verdadeiro ímã para mosquitos. O que quero dizer é que algumas pessoas acham que são picadas com mais frequência porque reagem mais, Outras podem ser picadas frequentemente, mas quase não reagem.
É como micose, se você reagir demais a coceira logo estará com a pele toda lanhada e o saco em "carne viva". Do contrário, a coceira esvanece.
E embora alguns de nós possamos ser alvos biologicamente mais fáceis, ninguém está totalmente a salvo do radar dos mosquitos. Mesmo que você acredite que não será picado, ainda assim deve se proteger.
Dessensibilização é o remédio, mas você teria coragem?

Mas e se eu te disser que existe uma forma de se tornar imune às picadas, parece um paraíso na terra, certo? Mas muito provavelmente você não quererá esta "benção".
Acontece que as picadas de mosquito são, na verdade, um tipo de reação alérgica e como acontece com qualquer alergia, a única forma de se dessensibilizar é por meio da exposição repetida. E não estou falando de algumas poucas picadas; falo de milhares ao longo de meses.
Quando uma fêmea de mosquito pica, ela injeta um coquetel químico que ajuda a anestesiar a área e mantém o fluxo do seu sangue, que eles acham delicioso. No entanto, as substâncias químicas em si não causam a vermelhidão, o inchaço ou a coceira; o que provoca isso é a reação exagerada do seu sistema imunológico a elas.
É por isso que as picadas de mosquito são consideradas um tipo de reação alérgica leve. Seu sistema imunológico aprende a reconhecer essas proteínas como estranhas e prepara células especializadas para que, na próxima vez que você for picado, seu corpo possa desencadear um ataque imunológico rápido. Esse processo é conhecido como sensibilização.
Especificamente, as proteínas dos mosquitos tendem a estimular a produção de dois tipos de armas imunológicas: anticorpos IgE e IgG. Quando esses anticorpos se ligam às proteínas do mosquito, eles intensificam a liberação de histamina, o que acaba causando aquelas protuberâncias que coçam tanto.
No entanto, esses anticorpos também podem provocar sintomas alérgicos muito mais graves, incluindo a anafilaxia. Os médicos ainda tentam entender exatamente por que reações graves ocorrem em algumas pessoas e não em outras. Mas o que sabemos é que, na maioria dos casos, se você pode se sensibilizar a algo, também pode se dessensibilizar.
O segredo é induzir a resposta alérgica com tanta frequência que você acaba convencendo seu corpo de que reagir é um desperdício de energia. Esse é o princípio básico por trás das vacinas para alergia, também chamadas de imunoterapia específica.
Em um estudo prospectivo de 1998, pesquisadores selecionaram um homem saudável de 23 anos e um coelho azarado e os expuseram a uma espécie de mosquito que nunca os havia picado antes.
Como esperado, visto que era o primeiro contato com a combinação única de alérgenos daquele inseto, nenhum dos dois apresentou muita reação inicialmente. Seus corpos ainda não haviam aprendido a reconhecer aquelas proteínas como estranhas; portanto, não estavam sensibilizados.
No entanto, a dupla passou a receber regularmente entre 100 e 150 picadas de mosquito, a cada duas semanas, no caso do homem, e semanalmente, no do coelho. Nas primeiras semanas, as reações às picadas tornaram-se mais intensas e desconfortáveis. Mas esses bravos mamíferos persistiram. E, após 20 semanas, as reações cutâneas diminuíram visivelmente.
Por volta da 26ª semana, tanto o homem quanto o coelho praticamente não apresentavam mais reações. Isso parece ótimo, mas, fazendo as contas, foram necessárias entre mil e duas mil picadas ao longo de seis meses para que o homem chegasse a esse ponto. É um número muito superior ao que qualquer pessoa normalmente recebe durante um verão.
Claro, como o estudo envolveu apenas um indivíduo, pode haver variações entre as pessoas quanto ao número de picadas necessárias ou à duração do regime de exposição. Também não está claro por quanto tempo essa dessensibilização perdura sem doses de manutenção (picadas) dos alérgenos. Mas, de qualquer forma, sabemos que a dessensibilização a longo prazo é possível, pois aquele homem não foi a única pessoa a desenvolver tolerância às picadas.
Biólogos que criam grandes colônias de mosquitos para pesquisa frequentemente os alimentam com o próprio sangue, recebendo, às vezes, centenas de picadas de uma só vez, sem apresentar qualquer reação. Além disso, estudos sugerem que entre 10% e 30% das pessoas são naturalmente tolerantes às picadas dos mosquitos de sua região.
Então, você provavelmente consegue se tornar praticamente imune a esses sanguessugas desgraçados caso esteja disposto a ser picado com frequência durante um longo período.
Nope! Vem nimim maruim!
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