![]() | A história do vinil é uma narrativa dramática de um formato considerado obsoleto, que retornou para dominar as vendas de música física na era digital, impulsionado pelo desejo de tangibilidade, arte e uma experiência de audição mais lenta e intencional. Apesar de possuir fidelidade técnica inferior em comparação com o áudio digital sem perdas, o ressurgimento do vinil está enraizado em seu "calor", em seu status como item de colecionador e na rejeição da natureza "descartável" do streaming. |

Em 2024, o vinil consolidou sua liderança no mercado físico, representando cerca de 76,7% das vendas no Brasil e crescendo pelo 18º ano consecutivo globalmente, com receita superior a US$ 1 bilhão.
No Brasil, o formato registrou aumento de 45,6%, totalizando 16 milhões de unidades, superando amplamente os CDs, que caíram para 23% do mercado.
Os dados preliminares de 2025 indicam que o mercado de discos de vinil continua em trajetória de crescimento, consolidando-se como o formato físico mais estável e popular, impulsionado principalmente pelo público jovem.
A história da queda e do vinil foi uma armadilha da conveniência nas décadas de 1980 e 1990. Introduzidos no início da década de 1980, os CDs foram comercializados como superiores devido à sua portabilidade, durabilidade e ausência de ruído de superfície.
As gravadoras pressionavam os consumidores a migrarem para os CDs, pois eram mais baratos de fabricar, mas vendidos a preços mais altos.
Em meados da década de 1990, o vinil era considerado um formato morto, usado quase exclusivamente por DJs, artistas colecionadores e saudosistas.
No entanto, em 2006 ocorreu uma reviravolta. As vendas começaram a aumentar, frequentemente associadas ao início do "Record Store Day", que incentivou os colecionadores a comprar lançamentos independentes.
Em 2020, os confinamentos da pandemia criaram uma necessidade de interação "em casa", levando a um aumento massivo nas vendas de toca-discos e no colecionismo de vinil.
Aproximadamente 27% de todas as compras de vinil em 2024 foram impulsionadas pela Geração Z, que vê o formato como uma fuga "analógica" da "fadiga digital".
Por que o vinil prospera apesar da qualidade "inferior"?
Embora o áudio digital seja mais limpo, sem ruídos, muitos ouvintes preferem o "calor" do vinil, segundo opiniões de hipsters, que inventaram que sua natureza analógica, produz um som mais rico que preenche o ambiente, mesmo com estalos e crepitações ocasionais.
Ao contrário de simplesmente clicar em "reproduzir" em um telefone, colocar uma agulha em um disco de vinil exige um envolvimento ativo, uma "desintoxicação digital" que força os ouvintes a escutarem um álbum completo na ordem correta.
Em um mundo de streaming onde a música é invisível e efêmera, o vinil oferece obras de arte de alta qualidade em formato de 12 polegadas que funcionam como itens decorativos e colecionáveis.
Comprar um disco de vinil é uma forma dos fãs apoiarem diretamente os músicos, já que os direitos autorais do streaming são baixos, enquanto o vinil oferece uma margem de lucro maior.
Ainda que seja por motivos bastante duvidosos, o vinil fez um retorno estrondoso, superando as vendas de CDs e downloads de MP3, e agora é o formato físico mais lucrativo da indústria musical.
O canal do Youtube Business Insider visitou a maior fábrica de vinil do mundo, a GZ Media, para descobrir como ela se tornou a maior fabricante do setor.
O ressurgimento do vinil na última década foi amplamente documentado, mas a enorme escala de produção necessária para atender à demanda atual permanece praticamente invisível para a maioria dos colecionadores.
A GZ Media, com sede na República Tcheca, opera a maior fábrica de prensagem de vinil do mundo, produzindo aproximadamente 70 milhões de discos por ano. Em uma era em que o streaming domina os padrões de consumo e a mídia física era considerada obsoleta, uma única fábrica prensa quase 200.000 discos todos os dias.
O que se torna imediatamente evidente ao ver o vídeo acima é a complexidade industrial necessária para manter essa produção. A GZ Media opera 81 máquinas de prensagem 24 horas por dia, combinando princípios de fabricação de meados do século XX com automação contemporânea.
O processo em si não mudou fundamentalmente: grânulos de vinil são aquecidos, prensados entre matrizes, resfriados, aparados e inspecionados.
O que evoluiu foi a precisão e a velocidade, impulsionadas por sistemas de controle de qualidade capazes de detectar defeitos microscópicos. No entanto, o elemento humano permanece surpreendentemente presente.
Funcionários ainda inspecionam manualmente uma parcela significativa dos discos, ouvindo ruídos de superfície e verificando se há empenamentos.
Essa abordagem híbrida revela a posição peculiar do vinil na cultura musical contemporânea: simultaneamente um produto fabricado em massa e um formato que exige atenção individual.
É notável que os discos de vinil tenham ultrapassado as vendas de CDs e os downloads de MP3, mas também não é grande coisa. Os CDs estão praticamente mortos e ninguém mais baixa mp3, exceto para uma coletânea de gosto pessoal.
Apesar dos altos custos de produção e dos prazos de espera de 4 a 6 meses para a prensagem, o mercado não mostra sinais de estagnação, com novos formatos de vinil mais sustentáveis e coloridos mantendo a indústria em constante movimento.
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