![]() | Após a Segunda Guerra Mundial, os EUA entraram em uma corrida para construir mais e melhor tecnologia do que a União Soviética, o que resultou em muitos projetos estranhos lançados sem que ninguém se perguntasse o que poderia dar errado. O espaço, sendo a última fronteira, estava no topo da lista, juntamente com os arsenais nucleares. Mas as comunicações também eram importantes. Ainda não existiam satélites de comunicação, então a melhor alternativa seria lançar algo ao espaço que refletisse os sinais de rádio, como 480 milhões de agulhas de cobre. |

Dispensador dipolo Westford em exposição no Centro Steven F. Udvar-Hazy.
De alguma forma, ninguém previu o problema do lixo espacial no início da década de 1960. Afinal, não havia nada lá em cima, então por que isso incomodaria alguém?
Assim em 1961, as forças armadas dos EUA e o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) uniram forças para criar uma das piores coleções de detritos espaciais que já lançamos em órbita, conhecido como Projeto West Ford.
Durante a Guerra Fria, tanto os EUA quanto a União Soviética tinham recursos bastante limitados para enviar mensagens de longa distância. Além de cartas ou pombos-correio, os EUA se comunicavam internacionalmente enviando mensagens por cabos submarinos ou refletindo sinais na ionosfera, uma camada carregada da atmosfera superior da Terra.
Os EUA não estavam nada satisfeitos com essa situação. Cabos submarinos podiam ser cortados, e acreditava-se que as comunicações pela ionosfera também estariam vulneráveis a interrupções.
Os EUA temiam que detonações nucleares em órbita baixa da Terra pudessem interromper as comunicações de rádio, caso a União Soviética ou outros atores globais tentassem fazê-lo.
Uma das soluções encontradas pelos militares dos EUA, com a ajuda de cientistas do MIT, foi a criação de sua própria ionosfera. A ideia era lançar em órbita uma enorme coleção de dipolos de cobre, que refletiriam os sinais de rádio conforme a necessidade.
O plano foi controverso, com astrônomos temendo que sua visão pudesse ser bloqueada pelos dipolos, enquanto outros se preocupavam com o risco que as agulhas representavam para outros satélites.
Para mitigar esses problemas, a equipe projetou a missão para que ela se desintegrasse naturalmente de forma relativamente rápida, com a expectativa de que as agulhas retornassem à Terra em um curto período de tempo.
Assim, em 1961, a Força Aérea dos EUA tentou lançar milhões dessas minúsculas agulhas de cobre em órbita. A primeira tentativa foi um fracasso, pois as agulhas não foram liberadas como planejado.
Um novo dispensador, um gel de naftaleno que evaporaria rapidamente ao ser liberado no espaço, foi projetado pela equipe. Em 1963, a missão enviou com sucesso entre 120 e 215 milhões de agulhas ao espaço.
A ideia era que as agulhas se espalhassem lentamente, sendo utilizadas para retransmitir sinais enviados da Terra. Mas ainda assim não seria fácil, nem bonito.
- "Para que a ligação funcione corretamente, seriam necessárias antenas de alto ganho (feixe de 0,15°), transmissores de alta potência e um número suficiente de dipolos de dispersão de energia presentes no volume comum do espaço onde os feixes de transmissão e recepção se sobrepõem na faixa de dipolos", explicou Donald MacLellan, ex-diretor assistente do Laboratório Lincoln do MIT, sobre o projeto.
Os sinais recebidos teriam características desagradáveis – dispersão em frequência e atraso temporal devido às diferentes velocidades orbitais e posições dos dipolos dispersos no cinturão.
A equipe conseguiu demonstrar que o sistema funcionava, transmitindo voz, texto e dados entre as estações West Ford em Millstone Hill, no estado norte americano de Massachusetts, e Camp Parks, no norte da Califórnia. Infelizmente, embora a maioria das agulhas de cobre tenha descido na atmosfera terrestre e se desintegrado na atmosfera, muitas delas se aglomeraram e/ou permanecem em órbita.
- "Embora ainda fortemente afetados pela pressão da radiação solar, esses aglomerados não se desintegraram tão rapidamente quanto as agulhas individuais", explicou a NASA, que ainda monitora os aglomerados conhecidos, em uma atualização sobre detritos orbitais.
Atualmente, restam 46 aglomerados em órbita da Terra. Apenas nove desses aglomerados estão em órbitas com perigeus abaixo de 2000 km.
Eles acrescentam que existe uma quantidade moderada de detritos acima dessa altitude, alguns dos quais são suspeitos de serem aglomerados do experimento do Projeto West Ford.
Embora não seja um grande problema, já que muitas das agulhas caem sem dificuldades devido ao seu tamanho, o projeto logo se tornou desnecessário.
As ionosferas artificiais foram rapidamente substituídas por satélites de comunicação, e a ideia não foi mais explorada. Mesmo assim, a Terra teve brevemente uma ionosfera artificial que podia ser usada para comunicação e um anel de agulhas de cobre ao redor do planeta.
O MDig precisa de sua ajuda.
Por favor, apóie o MDig com o valor que você puder e isso leva apenas um minuto. Obrigado!
Meios de fazer a sua contribuição:
- Faça um doação pelo Paypal clicando no seguinte link: Apoiar o MDig.
- Seja nosso patrão no Patreon clicando no seguinte link: Patreon do MDig.
- Pix MDig: 461.396.566-72 ou luisaocs@gmail.com




Faça o seu comentário
Comentários
o ser humano consegue fazer cada coisa!