![]() | Uma colmeia é frequentemente descrita como uma sociedade "quase perfeita" devido à sua natureza altamente organizada, cooperativa e sustentável, operando há mais de 30 milhões de anos com um princípio de "um por todos, todos por um". Embora possa parecer utópico, na verdade é um sistema complexo, por vezes brutal e sombrio, de especialização extrema e sobrevivência coletiva. E é nesse aspecto que vamos focar neste artigo. A utopia pacífica, na realidade, é um fervilhar de conflitos internos entre facções rivais. E o maior conflito é entre a rainha e as abelhas operárias. |

Existem três tipos de abelhas em uma colmeia: a rainha, que põe todos os ovos, suas filhas, as operárias, e seus filhos, os zangões. Do ponto de vista da rainha, tanto as operárias quanto os zangões são valiosos.
Ela precisa de filhas para administrar a colmeia, encontrar alimento, cuidar das larvas e até mesmo alimentá-la. Mas ela também precisa de filhos para transmitir seus genes acasalando com outras rainhas.
Portanto, faz sentido que uma abelha rainha ponha o máximo de ovos possível de ambos os tipos, operárias e zangões.
Os zangões podem acasalar com a própria mãe, mas isso não é o comportamento mais comum ou desejável na natureza. O sistema de reprodução das abelhas (Apis mellifera) tem mecanismos para evitar a endogamia, embora ela possa ocorrer.
Geralmente, as rainhas jovens realizam voos nupciais para locais distantes, chamados "áreas de congregação de zangões"), onde acasalam com zangões de outras colmeias para aumentar a diversidade genética.
Embora as abelhas operárias sejam geralmente elogiadas como exemplos de altruísmo e dedicação, elas também são reconhecidas na biologia evolutiva como exemplos de conflitos sofisticados e ocultos devido à sua capacidade de se envolverem em reprodução egoísta às custas da rainha e da colônia e roubarem mel de outras colmeias.
As operárias tem algumas atitudes simplesmente maquiavélicas. Como são as que realmente cuidam dos ovos da rainha, elas sabem que se beneficiariam de mais irmãs para dividir o trabalho.
Além disso, devido à peculiaridade da genética das abelhas, devido a haplodiploidia as operárias compartilham cerca de 75% de seus genes entre si, apenas 50% com a rainha e meros 25% com os zangões; em outras palavras, é geneticamente vantajoso para as operárias favorecer suas irmãs em detrimento de seus irmãos, que são como primos muito mais distantes.
Assim, olha a sacanagem, elas alimentam preferencialmente as larvas fêmeas, deixando as larvas machos implorando por restos, que nem sempre são suficientes para mantê-las vivas.
Às vezes, as operárias chegam a matar larvas de zangões para liberar alimento e cuidar de mais operárias.
Assim, embora a rainha seja responsável pela produção de descendentes, as operárias controlam a proporção sexual da colmeia, garantindo que a maioria das crias seja fêmea> Como resultado, as operárias podem superar os zangões em uma proporção inacreditável de dez para um. Isto está longe de ser uma "sociedade perfeita".
Em outros insetos que vivem em comunidade, como os cupins, onde operárias, soldados e rainhas podem ser machos ou fêmeas, as operárias não demonstram qualquer preferência; a proporção sexual dessas espécies acaba sendo muito mais equilibrada.
Mas o conflito entre operárias e rainha nas abelhas vai muito além de simplesmente mimar as maninhas.
As operárias também monitoram constantemente a saúde da rainha e, assim que a postura de ovos diminui, começam a alimentar uma de suas irmãs bebês com uma fórmula especial que estimula o desenvolvimento de seus ovários, tornando-a uma potencial nova rainha.
Para manter seu trono, a rainha precisa encontrar e matar essas futuras rainhas antes que cresçam. E se uma delas for morta, duas coisas podem acontecer.
As operárias podem se rebelar contra a antiga rainha e assassiná-la, ou a colmeia pode se fragmentar, com um grande número de operárias jurando fidelidade à sua nova irmã rainha e voando para fundar uma nova colmeia com ela.
Em ambos os casos, algumas, senão todas, as operárias estão substituindo sua própria mãe por uma irmã com quem têm um parentesco mais próximo, para que ela possa transmitir seus genes compartilhados.
Mas, embora as coisas sejam ótimas para a nova rainha por um tempo, suas filhas podem eventualmente decidir se livrar dela também no futuro.
E essas táticas enganosas vão além. Após a enxameação de uma nova rainha, ela pode ter menor parentesco com uma geração de filhas mais antigas da rainha anterior. Estudos demonstraram que essas operárias mais velhas, "rebeldes", podem desenvolver seus próprios ovários para pôr ovos, agindo ativamente em benefício próprio em vez de apoiar a prole da nova rainha, o que compromete diretamente a estabilidade da colônia.
Então, embora possa parecer incrível ser a rainha, a realidade pode ser bem dolorosa já que suas filhas, como Brutus, conspiram para dar uma facada nas costas da mãe.
Em essência, a colmeia é um sistema "perfeito" apenas quando vista como um todo, focando na sobrevivência da colônia em vez do bem-estar de seus membros individuais. Apesar desses exemplos de conflito, falsidade e traição as abelhas operárias ainda são consideradas animais altamente sociais. Sua "traição" geralmente resulta da competição pelo sucesso reprodutivo ou, como no caso da picada suicida, de um sacrifício "equivocado" em prol do coletivo
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