
Os animais estão em situação regular, com documentação sanitária verificada pela Adapec.O clima seco do cerrado tocantinense se mostrou favorável aos dromedários, que são nativos de regiões áridas.
Eles são originários da Ásia, da África e do Oriente Médio. Há algum tempo, era possível importar esses animais, mas hoje a legislação proíbe. Ainda existem, porém, animais que são fruto de importações antigas.
Eles vieram para acervos de zoológicos e para fins de atração circense. Muitos resorts do Nordeste também importaram para oferecer passeios nas dunas.
Algumas pessoas acharam que esta cáfila era descendente remanescente da "Comissão das Borboletas" que trouxe camelos para o Ceará em 1859. O plano, apoiado por Dom Pedro II, visava introduzir os animais no sertão cearense para atuar como transporte de carga, substituindo mulas e cavalos devido à semelhança climática com o deserto.
A "Comissão das Borboletas" foi a primeira expedição científica composta apenas por brasileiros, chamada de "Comissão Científica de Exploração". O apelido pejorativo foi dado pela imprensa de oposição, que considerava o trabalho superficial e fútil.
Ao todo, 14 dromedários (10 fêmeas e 4 machos) foram comprados na Argélia, que era colônia francesa na época, e trazidos de navio, acompanhados por quatro criadores berberes.
A ideia era que os camelos, acostumados ao ambiente seco, fossem ideais para o transporte no sertão cearense, região de clima semi-árido, mas a adaptação foi um fracasso.
O solo pedregoso do Ceará feria as patas dos animais, que estavam acostumados com as dunas de areia do Saara. Além disso, os animais foram mais usados como atração em fazendas privadas, como em Canindé e Quixeramobim, do que como carga.
Com o tempo, os animais sofreram com a fome e a sede, e os registros indicam que o último exemplar morreu após anos de dificuldade de adaptação.
Essa inusitada tentativa histórica foi o tema do samba-enredo "Mais vale um jegue que me carregue, que um camelo que me derrube lá no Ceará" da escola de samba Imperatriz Leopoldinense no Carnaval de 1995.
Existem aproximadamente 14 milhões de camelos vivos, sendo 90% dromedários.
Os dromedários que vivem hoje são animais domesticados, vivendo principalmente no Chifre da África, no Sahel, no Magreb, no Oriente Médio e no Sul da Ásia. A região do Chifre da África sozinha tem a maior concentração de camelos do mundo, onde os dromedários constituem uma parte importante da vida nômade local.
Quando falamos em gado leiteiro, sempre pensamos em bovinos, caprinos e ovinos, deixando de lado os bufalinos que são a segunda fonte de leite no mundo, mas dificilmente alguém diria que o leite de camelo hoje já ocupa o quinto posto.
A Fazenda Árabe Cameliciou, a maior na ordenha de leite de camelo em larga escala do mundo, com instalações de processamento e distribuição foi estabelecida em Dubai. Esta criação intensiva criou animais que podem produzir até 40 litros por dia em condições ideais.
Estima-se que existam mais de um milhão de camelos dromedários ferais (assilvestrados) na Austrália, descendentes daqueles introduzidos como meio de transporte nos séculos XIX e início do XX.
Esta população está crescendo cerca de 8% por ano e em 2010 representantes do governo australiano abateram mais de 100.000 animais, em parte porque os camelos consomem muitos recursos limitados necessários aos criadores de ovelhas.
Já o camelo-bactriano, em 2020, tinha uma população estimada em 1,4 milhão de animais, a maioria dos quais domesticados.
O bactriano selvagem é o único camelo verdadeiramente selvagem (em oposição ao feral) do mundo. É uma espécie distinta que não é ancestral do camelo-bactriano doméstico. Os camelos selvagens estão criticamente ameaçados de extinção e somam aproximadamente 950 indivíduos, habitando os desertos de Gobi e Taklamakan, na China e na Mongólia.
Pastores de todo o deserto de Gobi reúnem-se para um festival que celebra o ameaçado bactriano. O evento é geralmente realizado no início de março, ainda que em 2025 foi comemorado em janeiro.
Corcundas e camelos... muitos camelos. Essa é a cena em Bulgan Soum, uma pequena cidade mongol no meio do deserto de Gobi, aproximadamente a 250 quilômetros ao norte da fronteira chinesa. Os camelos-bactrianos chegam de todas as direções a pé, carregando cavaleiros agasalhados presos entre suas duas corcovas.
Por que essa mania regional pela criatura de duas corcovas? A história de origem está interligada com a transição da Mongólia para a democracia. Sob o comunismo, o pastoreio era planejado centralmente. Os pastores vendiam seus produtos de origem animal ao estado que lhes pagava uma ninharia. Com o início do capitalismo em 1990, os pastores enfrentaram novas pressões dentro da economia de mercado livre. Para alguns, seus camelos valiam mais mortos do que vivos.
No início do mercado aberto, os pastores de camelos não conseguiam uma boa quantia de dinheiro vendendo produtos derivados dos camelos. Leite e lã de camelo não vendiam, mas carne sim. Foi assim que alguns pastores começaram a abater seus camelos em meados dos anos 90 e a população de camelos no país diminuiu consideravelmente.
O festival foi criado alguns anos depois, em 1997, pela recém-formada Associação de Proteção dos Camelos (APC), uma organização não governamental local, para reverter essa tendência e proteger a criatura do deserto.
Também há prêmios para o bactriano mais belo e paramentado com franjas douradas envolvendo suas corcundas e pelos cor de Chewbacca escovadas com esmero.
Ainda que caprichem na arrumação de seus animais, eles são respeitados e não chegam ao exagero do que aconteceu no Camel Mazayna (Miss Camelo) no Festival de Camelos Rei Abdulaziz na Arábia, em 2018, quando os responsáveis tiveram que desclassificar 12 camelos que estavam usando Botox.
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Comentários
Na década de 90, havia um criador de camelos bactrianos em Novo Hamburgo, o objetivo era atender a circos e zoológicos. Não sei que fim levaram os camelos.