![]() | No século XIV, na região onde hoje está localizada Kerala, "A Terra dos Coqueiros" no sudoeste da Índia, o rei Devanarayana de Chembakassery encomendou a construção do chundan vallam (barco-cobra),com base no Sthapatya Veda (tratado antigo de arquitetura naval), que foi utilizado para obter vantagem militar durante uma guerra naval contra o reino vizinho de Kayamkulam. Devanarayana estava enfrentando repetidas derrotas porque seus barcos navais 'eram lentos e difíceis de manobrar, tornando-os ineficazes contra o inimigo. |

Para mudar este cenário, ele precisava de um navio de guerra mais rápido, mais ágil e mais poderoso, capaz de dominar as águas interiores dos grandes rios da região.
Ele incumbiu um famoso carpinteiro local, frequentemente identificado como Kodipunna Venkida Narayanan Achari, de criar um novo tipo de embarcação com base em princípios antigos e tradicionais de construção naval, resultando em um barco de guerra longo e estreito.
Essas novas embarcações, que podiam acomodar mais de 100 remadores e apresentavam uma proa alta e distinta, permitiram ao Rei de Chembakassery fortalecer sua marinha e mudar o rumo da guerra.
Com o tempo, esses barcos de guerra passaram do uso militar para se tornarem embarcações icônicas utilizadas nas tradicionais corridas de barcos de Kerala.
Foi dai que nasceu a tradição do Vallamkali, também conhecida como corrida de barco-cobra, uma disputa conduzida entre diversos tipos de barcos a remo durante a temporada do festival da colheita de Onam na primavera.
Algumas equipes são tão icônicas, que são consideradas hors concours: não participam das competições, mas são convidados de honra para propiciar espetáculos com remadas coreografadas. Eu duvido que você assista este short apenas uma vez:
Com cerca de 30 a 35 metros de comprimento, essas embarcações feitas com madeira de lei de anjili (Artocarpus hirsutus), acomodam até 100 remadores e possuem uma proa alta esculpida em forma de capuz de cobra (daí o nome), simbolizando a tradição e o poder de Kerala.
Tradicionalmente, cada barco pertence a uma aldeia, e os aldeões veneram esse barco como uma divindade. /p>
Antigamente, apenas os homens podiam tocar no barco e, em sinal de respeito, devem andar descalços nele.
Mas tudo isso mudou em 2013, quando o primeiro barco-cobra apenas com mulheres participou da competição. Hoje as mulheres têm participado cada vez mais nas corridas de barco Vallam kali), com marcos notáveis de inclusão ocorrendo em anos recentes.
Embora tradicionalmente dominado por homens, a participação feminina com equipes dedicadas e em categorias específicas de barcos ganhou destaque, com exemplos de competições oficiais femininas, como na Corrida de Nehru 2023 com a participação de 6 equipes femininas.
O barco sempre é comandado por um líder da aldeia (kaarnavan), e sob seu comando há remadores principais (adanayampu) que controlam o movimento do barco remando em pé.
Sentados dois a dois ao longo do barco, há 64 remadores, representando 64 formas de arte (ou, ocasionalmente, 128 remadores). Eles remam no ritmo do vanchipattu, uma celeuma entoada por cantores (ashtadikpalakas) no meio do barco para coordenar ritmicamente as remadas.
Para tornar o barco escorregadio na água e reduzir a absorção de água, diminuindo assim a resistência do casco, ele é untado com uma mistura de óleo de peixe, cinzas de casca de coco e ovos.
Os reparos são feitos anualmente pelo carpinteiro da aldeia.
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