![]() | A raiva é uma das doenças mais mortais que conhecemos. Se o afetado não receber tratamento logo após a exposição, é quase certo que morrerá. Mas o objetivo da raiva não é matar... é controlar. Como assim? Os patógenos têm um objetivo: se replicar e se espalhar para novos hospedeiros e eles usam todos os tipos de estratégias criativas para atingir esse objetivo, como induzir uma quantidade enorme de diarreia, fazer com que seus hospedeiros espirrem ou tussam sem parar ou causar feridas purulentas cheias de germes. |

Mas a maioria dessas estratégias compartilha a mesma abordagem geral: causar alterações físicas no hospedeiro que tornam a transmissão mais provável.
A raiva adota uma abordagem diferente. Ela causa alterações comportamentais no hospedeiro para tornar a transmissão mais provável. A raiva é transmitida pela saliva. Para infectar um novo hospedeiro, a saliva carregada de vírus precisa entrar no corpo de outro animal.
Uma vez lá dentro, ao contrário da maioria dos patógenos que se movem pela corrente sanguínea, os Lyssavirus viajam pelos nervos do hospedeiro. Não é uma forma rápida de se espalhar.
Os vírus avançam apenas alguns centímetros por dia, mas isso ajuda a escondê-los do sistema imunológico do hospedeiro e é uma rota direta para o destino desejado da raiva: o cérebro.
Lá, os vírus começam a se acumular. Os cientistas ainda não entendem completamente os detalhes, mas os vírus parecem se ligar a receptores que permitem que as células cerebrais se comuniquem entre si, basicamente assumindo o controle do cérebro.
O hospedeiro se torna menos medroso e mais agressivo, o que significa que é mais provável que entre em contato e morda outro hospedeiro em potencial, transmitindo o vírus.
Bem, pelo menos é o que acontece com animais como cães e morcegos. Humanos infectados com raiva às vezes agem de forma diferente. Eles podem ficar agitados e ansiosos, mas não saem por aí mordendo pessoas.
Provavelmente porque, ao contrário dos hospedeiros normais da raiva, o instinto humano de morder não é tão forte assim. Como resultado, os humanos são quase sempre hospedeiros sem futuro para a raiva.
Uma vez no sistema nervoso central humano, ele afeta diretamente as áreas que controlam o reflexo da respiração e da deglutição, causando dor excruciante.
O reflexo de engolir água ou até mesmo a visão, o som ou uma brisa soprando no rosto da pessoa podem desencadear contrações violentas, causando falta de ar.
Ao tentar engolir líquidos, a pessoa sofre espasmos musculares dolorosos e involuntários na garganta, criando uma aversão e pavor do ato de beber. Daí a hidrofobia
Como o vírus se prolifera na saliva, para garantir sua propagação, ele impede a vítima de engolir, resultando no acúmulo de saliva (a famosa "boca babando") e facilitando a transmissão da doença através da mordida ou do contato com mucosas.
E falando em morte, a maneira inteligente como a raiva tenta garantir sua transmissão, interrompendo o funcionamento normal do cérebro, causa sérios danos colaterais aos seus hospedeiros, independentemente da espécie.
Porque o cérebro é o centro de controle, não apenas do comportamento de uma criatura, mas também de todo o seu corpo. Se as células cerebrais não conseguem se comunicar adequadamente, elas não conseguem coordenar os sinais necessários para manter o hospedeiro respirando, seu sangue circulando e seus músculos se movendo.
Esses sistemas entram em um estado de desordem cada vez maior. Eventualmente, eles falham completamente e o hospedeiro morre. Isso, a menos que você interrompa a longa e estranha jornada da raiva antes que ela consiga avançar muito em direção ao cérebro.
A doença se move tão lentamente que você pode se vacinar mesmo depois de ser infectado, porque ainda há tempo suficiente para treinar seu corpo a reconhecer e combater a doença. A única maneira de sobreviver à raiva é controlá-la antes que ela controle você.
Como é uma doença com taxa de letalidade próxima a 100% após o aparecimento de sintomas neurológicos (como a própria hidrofobia), a prevenção é fundamental.
Em caso de acidente com animais transmissores (como mordidas, arranhões ou lambidas em pele lesionada), consulte a diretriz do Ministério da Saúde.
A ação imediata ao entrar em contato com um animal infectado é lavar o local afetado exaustivamente com água corrente e sabão. Em seguida, dirigir-se imediatamente a uma unidade de saúde para avaliação da profilaxia pós-exposição (que pode incluir soro e vacina).
Atenção: Se a infecção por raiva for detectada após o aparecimento dos sintomas, a taxa de sobrevivência é quase zero (cerca de 99,99% de letalidade). No entanto, se o tratamento preventivo (soro e vacina) for iniciado antes dos sintomas surgirem, a taxa de sobrevivência é de praticamente 100%.
Se a pessoa tomar a vacina e o soro antirrábico imediatamente após a mordida ou arranhão, dentro do período de incubação, que pode levar de semanas a meses, a doença é evitada.
Após os sintomas aparecerem, o vírus já atingiu o sistema nervoso central (cérebro). Em toda a história médica mundial, existem registros de apenas cerca de 30 a 40 sobreviventes e apenas 5 no mundo todo sobreviveram sem danos extremos, sendo dois brasileiros.
A Índia é o país que registra o maior número absoluto de infectados e óbitos por raiva no mundo, respondendo por cerca de 35% das mortes globais. A doença é endêmica no país, vitimando milhares de pessoas anualmente, a grande maioria devido à mordida de desis infectados não vacinados.
O problema em si não é o caramelo desi (cão pária indiano) considerado uma das raças ou linhagens mais antigas do mundo, habitando o subcontinente indiano há pelo menos a 14.000 anos.
Muitos são animais de estimação, mas a grande maioria é nativa, assilvestrada e vaga livremente por assentamentos humanos.
Globalmente, estima-se que a raiva cause cerca de 59.000 mortes por ano. A concentração da doença ocorre esmagadoramente em dois continentes: Ásia, que concentra cerca de 60% de todas as mortes humanas. África, que responde por aproximadamente 36% dos óbitos, afetando de forma desproporcional comunidades rurais e crianças.
Nas Américas, os casos e óbitos são extremamente raros em comparação com a Ásia e a África, sendo registrados majoritariamente no Haiti e na República Dominicana.
No Brasil, graças a campanhas de vacinação, a raiva humana transmitida por cães foi praticamente extinta. O principal vetor de infecção no país passou a ser a variante do vírus transmitida por animais silvestres, principalmente morcegos.
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