![]() | José Ribamar Ferreira Araújo da Costa Sarney, popularmente conhecido como José Sarney, assumiu o governo brasileiro interinamente após a internação de Tancredo Neves, e definitivamente em 21 de abril de 1985, após a morte. Ele foi o primeiro presidente civil após mais de vinte anos de ditadura militar no Brasil. O governo se caracterizou por uma inflação galopante durante o fracasso de 3 planos econômicos: Cruzeiro, Cruzado, e Cruzeiro Novo. A hiperinflação estava tão descontrolada que os brasileiros corriam para os mercados após receber o salário para fazer compras porque o dinheiro desvalorizava entre a manhã e a tarde. |

Criado pelo Gemini.
Muitos dos leitores deste post devem se lembrar que compravam alimentos e produtos de consumo para o mês inteiro. O objetivo era "esvaziar os bolsos" antes que os preços aumentassem novamente.
Os carrinhos ficavam cheios de produtos básicos, como arroz, feijão, óleo, farinha e, lógico, papel higiênico, na tentativa de estocar mercadorias.
Era comum ver repopsitores de supermercados passando o dia remarcando os preços nas prateleiras. Com o Plano Cruzado, surgiu o "ágio", um valor extra cobrado pelos comerciantes acima do preço congelado para compensar a perda do valor da moeda.
Só para se ter uma ideia, em 1988 a inflação anual acumulada alcançou 980,21%; em 1989: 1.972,91% e no início de 1990: 4.853,90%, antes de Fernando Collor assumir.
O governo tentou congelar preços várias vezes, o que gerava mais desabastecimento e os chamados "fiscais do Sarney", junto com a "fuga do boi do pasto", um dos episódios mais surreais e cômicos da economia brasileira.
Não foi uma fuga literal de gado pulando cerca, mas uma greve de fome organizada pelos bois, ou melhor dos fazendeiros, que deixou o Brasil sem carne no prato e o governo em pânico.
Em 1986, a inflação estava comendo o salário dos brasileiros mais rápido que gafanhoto em plantação. O governo lançou o Plano Cruzado, que substituiu o Cruzeiro. O Ministro da Fazenda não teve melhor ideia que fazer uma mágica de congelar os preços de tudo, inclusive da carne.
A arroba do boi foi tabelada por um preço que o governo achava justo, mas que os produtores achavam uma piada. Os pecuaristas, vendo que vender o boi pelo preço do governo geraria prejuízo, decidiram "sumir" com o gado.
Os bois simplesmente tomaram chá de[] sumiço dos açougues. Eles estavam lá, gordos, pastando, mas os fazendeiros não os mandavam para o frigorífico.
A carne sumiu. As pessoas faziam filas quilométricas nos supermercados. A compra do churrasco de domingo era uma verdadeira peregrinação. Eu saía da Água Verde, em Curitiba, para comprar costela mochibenta em Araucária pelo triplo do preço.
A população, incentivada pelo governo a ser "Fiscal do Sarney", com bottons oficiais iam para as prateleiras conferir se o leite subiu um centavo e começou a procurar carne como quem procura tesouro escondido.
Imagine o cenário: senhoras de bobs no cabelo dando "voz de prisão" a gerentes de supermercado. Houve brigas, fechamento de estabelecimentos e muita confusão generalizada. Foi neste momento que a Polícia Federal entrou no pasto, literalmente.
A cena ficou ainda mais bizarra e cômica, quando o governo, sem saber o que fazer com a a inflação e com o povo pedindo bife, decidiu agir, com a operação "Caça ao Boi": A Polícia Federal e fiscais da SUNAB começaram a sobrevoar fazendas de helicóptero para confiscar o gado e multar pecuaristas.
Cerca de 2.000 bois foram retirados à força das fazendas em operações de "guerra" para abastecer o mercado. O boi fugiu porque o preço estava congelado, mas o custo de produção subia. O fracasso dessa tentativa de controle gerou o ágio (preço extra cobrado por fora) e o Plano Cruzado II.
No final, a fuga do boi marcou o fracasso do congelamento de preços e ficou na história como a época em que o governo teve que caçar o jantar do brasileiro com helicóptero e também a única vez que o boi virou foragido da justiça.
O MDig precisa de sua ajuda.
Por favor, apóie o MDig com o valor que você puder e isso leva apenas um minuto. Obrigado!
Meios de fazer a sua contribuição:
- Faça um doação pelo Paypal clicando no seguinte link: Apoiar o MDig.
- Seja nosso patrão no Patreon clicando no seguinte link: Patreon do MDig.
- Pix MDig: 461.396.566-72 ou luisaocs@gmail.com




Faça o seu comentário
Comentários