![]() | Quando criança ia ao chiqueiro tratar dos porcos e me entretia com eles sempre ouvia minha avó gritando: - "Craudio, não se brinca com comida!" Muitas vezes que a comida estava já no prato eu me sentia mal... mas comia mesmo assim. Este dilema é corroborado por pesquisas científicas que propagam cada vez mais a ideia de que porcos e vacas são seres inteligentes, emocionais e sencientes, frequentemente possuindo habilidades cognitivas semelhantes às de cães ou até mesmo de crianças pequenas. |

Apesar disso, são frequentemente negligenciados ou ignorados, um fenômeno em grande parte impulsionado pela psicologia humana no que diz respeito ao consumo alimentar.
Pesquisas mostram que tanto porcos quanto vacas possuem altos níveis de inteligência cognitiva, emocional e social.
Porcos, frequentemente classificados como o 5º animal mais inteligente, demonstraram habilidades para navegar em labirintos, usam espelhos para localizar comida escondida e, em estudos, até mesmo aprenderam a operar joysticks para controlar o cursor de um computador. Possuem memória de longo prazo, reconhecem-se em espelhos e exibem uma ampla gama de emoções e empatia.
As vacas são animais socialmente complexos, formando laços profundos com companheiros específicos, muitas vezes tendo "melhores amigos" dentro do rebanho, com quem passam grande parte do tempo. Elas exibem altos níveis de emoção, demonstrando estresse (aumento do cortisol e da frequência cardíaca) quando separadas de seus companheiros. Um estudo recente também demonstrou que as vacas podem usar ferramentas, como uma escova, para se coçar.
Estudos indicam que os porcos podem ter um desempenho melhor do que os cães em certas tarefas cognitivas e são tão capazes de serem treinados quanto eles, demonstrando níveis semelhantes de companheirismo se tiverem a oportunidade.
A tendência de ignorar a inteligência e a vida emocional desses animais é um conceito psicológico bem documentado, conhecido como "paradoxo da carne", o conflito mental entre cuidar dos animais e comê-los. Para resolver isso, os humanos frequentemente recorrem à "negação motivada da mente".
Quando lembradas de que um animal será abatido para consumo, as pessoas tendem a acreditar que o animal é menos inteligente e menos capaz de sentir emoções, reduzindo assim os sentimentos de culpa. Poir exemplo, pinguins são fantásticos por demosnrarem agentivismo (reconhecimento no espelho), os porcos, não.
Em uma espécie de dissonância cognitiva, as pessoas frequentemente usam a linguagem e as normas sociais para desconectar a "carne" (bacon, bife) do "ser vivo" (porco, vaca), um conceito conhecido como "referente ausente".
Pesquisas mostram que pessoas com alto comprometimento com o consumo de carne são mais propensas a evitar informações sobre a senciência e a inteligência animal, preferindo permanecer "confortavelmente na ignorância".
Essa dissociação é um mecanismo de defesa que permite o consumo contínuo de animais, minimizando sua capacidade percebida de sofrimento. É um troço complicado!
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