![]() | Na Itália, gioco del cucù. Os palestinos dizem ba’ ’éno. No Japão é inai-inai...ba!. No Brasil é açou!. Mas em todos os idiomas, a resposta costuma ser a mesma. O esconde-esconde é uma fonte quase universal de risos e conexão para bebês e adultos: é a primeira brincadeira que quase todo mundo faz. Então, o que há nessa brincadeira boba que os bebês adoram tanto? Bem, primeiro é preciso dizer que, embora os bebês se desenvolvam em ritmos diferentes, muitas habilidades cognitivas e motoras surgem em uma determinada ordem. |

Por exemplo, enquanto bebês de 6 meses geralmente conseguem pegar coisas, e logo em seguida soltá-las, andar e falar geralmente começam por volta dos 12 meses.
Essa linha do tempo foi formalmente mapeada pela primeira vez em 1936 pelo psicólogo suíço Jean Piaget. E embora a maioria dos pesquisadores modernos concorde que esse processo é mais fluido do que Jean acreditava, os desenvolvimentos iniciais que ele identificou são fundamentais para a compreensão do esconde-esconde.
Primeiro, o processamento facial. Isso acontece quase imediatamente, recém-nascidos com apenas dois dias de vida conseguem reconhecer os rostos de seus cuidadores, ainda que a visão clara com detalhes só chegue entre 1 e 2 meses.
Depois, por volta de 6 a 10 semanas, os bebês começam a sorrir socialmente — é quando eles percebem rostos rindo ou sorrindo por perto e começam a imitá-los.
A voz e as vocalizações dos pais durante o jogo também são fundamentais para a brincadeira, muitas vezes criando um som de "açooouuu!, que sinaliza a expectativa e o reencontro da criança.
Os pais geralmente usam uma vocalização prolongada e altamente estereotipada para criar tensão e sinalizar sua presença.
Entre 2 e 4 meses, eles podem começar a entender causa e efeito. E, finalmente, entre 4 e 7 meses, eles aprendem a "permanência do objeto.
Piaget descreveu isso como a compreensão de que pessoas e objetos continuam a existir mesmo quando você não pode vê-los.
Os sons, combinados com o ato de se esconder, ensinam aos bebês sobre a permanência do objeto, que passam a compreender que o pai ou a mãe ainda existe mesmo quando está escondido, o que fortalece a confiança. A voz alegre e aguda regula o sistema nervoso do bebê e cria um vínculo.
Portanto, antes desse período, "fora da vista pode literalmente significar "fora da mente", tornando esconder o rosto algo semelhante a um truque de mágica.
Antes da permanência do objeto, esse ato de desaparecer pode variar de confuso a agradavelmente surpreendente. Mas, aos 9 meses, esses desenvolvimentos trabalham juntos para um desempenho máximo no jogo de açou!.
Nessa idade, os bebês conseguem se concentrar na brincadeira por mais tempo, prever o momento da revelação e até mesmo procurar o objeto ou a pessoa escondida. E como os bebês aprendem sobre o mundo brincando, o esconde-esconde é um dos seus primeiros ensinamentos.
Em um estudo, bebês de 11 meses foram expostos a uma barreira, cuja parte inferior estava escondida atrás de uma tela. Em seguida, os pesquisadores rolaram bolas e carrinhos de brinquedo atrás da tela, removendo-a depois para mostrar que os brinquedos haviam parado na barreira, como esperado, ou, de alguma forma, a atravessado.
Os bebês que viram esses brinquedos aparentemente mágicos demonstraram mais interesse neles depois, chegando a ignorar novos objetos em favor de brinquedos que desafiavam suas expectativas.
As expectativas sociais que o esconde-esconde desenvolve podem ser ainda mais importantes. O jogo apresenta várias características do que os pesquisadores chamam de brincadeira social: contato visual, alternância de turnos e atenção conjunta.
Essas habilidades são a base da conversa humana e, como se trata de uma conversa, o que o adulto faz importa. Assim como os cuidadores aprendem a interpretar o choro e os sinais verbais de seus bebês, os bebês aprendem como os adultos respondem ao seu comportamento.
Alguns pesquisadores da área de brincadeiras chamam essa interação recíproca de "servir e responder", e o açou! é um excelente exemplo disso.
Essa estrutura de chamada e resposta também explica por que alguns psicólogos descrevem o esconde-esconde como a primeira piada do bebê. É uma interação em que o formato é confiável, mas o conteúdo é surpreendente.
À medida que outras habilidades motoras e cognitivas se desenvolvem, essa base de habilidades sociais e permanência do objeto influencia vários tipos de brincadeira.
Assim que as crianças começam a andar e falar, o peek-a-boo! geralmente evolui para o jogo de pique-esconde tradicional, embora elas geralmente não se escondam muito bem nessa idade devido ao fraco controle dos impulsos e à falta de teoria da mente.
Essa teoria é a capacidade de entender, imaginar e prever os estados mentais de outras pessoas. Sem ela, uma criança pode pensar que está escondida simplesmente cobrindo os próprios olhos, afinal, se ela não consegue te ver, certamente você também não consegue vê-la.
Assim que a teoria da mente se desenvolve por volta dos 3 ou 4 anos, as crianças podem começar a brincar de faz-de-conta juntas, todas ocupando um mundo imaginário compartilhado.
Embora até mesmo as brincadeiras de faz-de-conta mais cooperativas sejam frequentemente recheadas de surpresas no estilo pique-esconde.
Aos 5 e 6 anos, a linguagem se expande para permitir negociações mais lúdicas, levando a jogos com regras mais complexas.
A partir desse ponto, os tipos de brincadeira favoritos da maioria das crianças são mais determinados por suas personalidades e interesses do que por seu desenvolvimento cognitivo.
Mas, independentemente da brincadeira que escolherem, como adultos, provavelmente acabarão brincando de açou! novamente, desta vez, de uma perspectiva totalmente nova.
Na adolescência, grande parte das crianças da minha cidade brincávamos de polícia-ladrão extremo, atravessando pastos e bairros, onde policiais tentavam capturar todos os ladrões e levá-los à prisão antes que o tempo determinado acabasse, enquanto ladrões buscavam tesouros ou tentavam escapar.
Mais tarde a brincadeira evoluiu para a guerra-de-mamonas, que se tornou "punk" demais com o uso de estilingues e passou a ser considerada realmente caso de polícia, quando crianças foram parar na Santa Casa com "mamonadas" na cara.
A mamona (Ricinus communis) é considerada uma das plantas mais tóxicas do mundo, mas a toxicidade da ricinina está concentrada principalmente no endosperma das suas sementes, e não necessariamente na sua seiva branca como ocorre em outras plantas.
As autoridades do país inteiro decidiram prevenir do que remediar, pis afinal apenas 2 sementes podem ser suficientes para matar um adulto se forem mastigadas. Em geral, quando uma criança coloca uma mamona na boca, a primeira reação é cuspir pois tem um gosto amargo sem igual. Eu sei!
Engana-se quem ache que a palavra pique-esconde derive de peek-a-boo!. Neste caso, a origem está no francês pique, relacionado ao conceito de um ponto ou local específico, geralmente um poste ou parede, onde o jogador está imune do pegador.
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