
Mas, claro, agora que você é mais velho, sabe que existe uma razão para o seu nariz ter começado a sangrar, ainda que nunca tenha acontecido com você.
O epistaxe pode ser de dois tipos: anterior ou posterior, sendo que o mais comum é o sangramento nasal anterior, causado por irritação nos vasos sanguíneos do septo nasal.
Essa é a parte do nariz que separa as duas narinas. E é também a parte do nariz que pode sofrer desvio, o que pode levar a dificuldades respiratórias.
E uma curiosidade: estima-se que 80% das pessoas tenham algum tipo de desalinhamento no septo nasal, onde existe uma área chamada plexo de Kiesselbach, em que quatro artérias diferentes se encontram para formar uma rede de vasos sanguíneos.
Então, quando essa área é irritada, seja por uma pancada forte ou por um dedão indicador curioso, alguns vasos sanguíneos podem se romper. E aí o sangue começa a escorrer pelo rosto e, possivelmente, pela parte de trás da garganta.
Mas e quanto ao ar seco? No hemisfério sul, estamos em pleno inverno e, com ele, muitos casos de sangramento nasal. A baixa umidade e a temperatura mais fria impedem que o nariz receba a umidade de que precisa. Isso torna a mucosa mais suscetível a sangramentos.
Então, como estancar o sangue? Recomenda-se apertar levemente a parte mole do nariz por dez minutos, garantindo que as narinas fiquem fechadas. Essa pressão ajuda o sangue a coagular e interrompe o sangramento.
Ah, e incline-se para frente durante o processo, pois, caso contrário, como mencionei antes, o sangue pode escorrer pela parte de trás da garganta.
No entanto, se você tiver a sorte de estar perto de um médico quando tiver um sangramento nasal e ele conseguir visualizar facilmente o vaso sanguíneo rompido, poderá cauterizá-lo, ou seja, selá-lo, usando nitrato de prata.
Já a epistaxe posterior geralmente é mais... complicada, pois é um quadro mais grave e de difícil controle que acontece quando há falha nas medidas para conter a epistaxe anterior.
Enquanto a epistaxe anterior ocorre na parte frontal do septo nasal, a posterior origina-se de artérias e ramos mais profundos localizados na parte superior e de trás da cavidade nasal.
A epistaxe anterior ocorre na região do plexo de Kiesselbach (ou área de Little), onde há uma rede de vasos finos e superficiais que se rompem facilmente. A epistaxe posterior, por sua vez, origina-se geralmente de ramos da artéria esfenopalatina -parte do sistema da carótida externa- ou de ramos da artéria carótida, que são vasos de maior calibre.
O sangramento anterior apresenta-se como um gotejamento na parte externa do nariz. O sangramento posterior é mais intenso, de alto fluxo, e o sangue flui profusamente tanto pela cavidade nasal quanto diretamente pela faringe.
Em casos posteriores, o paciente não costuma ver o sangramento saindo apenas pela frente do nariz; o sangue escorre abundantemente para trás, indo para a garganta, o que leva a pessoa a engolir sangue ou expectorá-lo.
Um sangramento posterior é frequentemente diagnosticado quando a compressão nasal -padrão para sangramentos anteriores- não funciona e o médico visualiza a faringe posterior com sangramento ativo sem uma fonte frontal evidente.
A maioria dos sangramentos anteriores é benigna e autolimitada. A epistaxe posterior, devido à sua origem profunda e maior volume sanguíneo, exige avaliação médica imediata e, frequentemente, o uso de tamponamento nasal posterior ou outros procedimentos para conter a hemorragia.
A pergunta que não quer calar: - "Por que algumas pessoas tem maior predisposição a sangrar pelo nariz do que outras?"
Há muitas pessoas que nunca viveram (e nuca vão viver) um episódio epistaxe, que geralmente ocorre pela fragilidade da mucosa e dos vasos sanguíneos na região frontal do septo nasal.
Essa sensibilidade maior varia entre as pessoas por fatores anatômicos (desvio de septo), ambientais, genéticos ou pelo uso de medicamentos. É mais comum em crianças devido à exposição e fragilidade da área, e em idosos, pelo afinamento da mucosa.
Pessoas que vivem em locais de clima seco ou usam ar-condicionado frequentemente sofrem com o ressecamento da mucosa nasal. Isso facilita o rompimento dos vasos e a formação de crostas.
Indivíduos com desvio de septo ou inflamações crônicas como rinite têm maior propensão, pois o fluxo de ar irregular resseca a mucosa e o hábito de assoar o nariz com força irrita a região.
O uso contínuo de sprays nasais (como descongestionantes ou corticoides), anticoagulantes ou ácido acetilsalicílico (AAS) reduz a capacidade de coagulação e aumenta a fragilidade dos vasos.
Condições hereditárias, como a doença de Von Willebrand, ou alterações nas plaquetas dificultam a interrupção natural do sangramento.
Então, faça um favor a si mesmo e mantenha os dedos e objetos estranhos longe das narinas. Deixa o "tatuzinho lá quieto na sua caverna. Seu nariz e o seu "eu" do futuro agradecerão.
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