![]() | Tente adivinhar qual das duas pessoas da foto que ilustra este post é um robô. Provavelmente não é muito difícil descobrir qual é qual, mas o modelo da UBTech Robotics à direita é, devo admitir, incrivelmente parecido com um humano. Os novos robôs companheiros em tamanho real da empresa foram apresentados no final de junho de 2026 e todos parecem… jovens, bonitos e, de modo geral, bastante impressionantes. Mas de alguma forma, que não dá para explicar ainda despertam uma incômoda sensação de "vale da estranheza". |

A linha é chamada coletivamente de U1 Robot, e para qualquer pessoa que já tenha visto um filme de ficção científica onde um robô é colocado em uma casa humana -não preciso entrar em detalhes sobre as consequências!-, parece que estamos um passo mais perto desse tipo de cenário.
Em qualquer momento da história da humanidade, porém, vemos como novas invenções foram rapidamente utilizadas para fins inesperados. Dê a elas um alfabeto e logo surgem os grafites. Você entendeu onde quero chegar.
Então, embora o robô U1 seja uma espécie de maravilha tecnológica, estremeço ao pensar em alguns dos usos que ele poderá ter quando chegar às salas de estar das pessoas para oferecer seu apoio emocional.
Prevejo uma revolução robótica dentro de uma década, francamente... Talvez eu não deva me preocupar, afinal, é apenas um pedaço de tecnologia sem vida, composto de silício, 88 servos e inteligência artificial, armazenada localmente para garantir a privacidade, e todas as outras peças que o compõem.
Basta lembrar que há homens que vivem com real dolls, bonecas de silicone em tamanho real para companhia, afeto ou relacionamento. Conhecidos como iDollators, esses indivíduos tratam as bonecas com personalidades e nomes, encontrando nelas um refúgio contra a solidão, a rejeição ou a ansiedade social.
Embora os olhos se movam durante as conversas entre o robô e o humano, e a cabeça acompanhe os movimentos do humano, os lábios se movem com um certo atraso, e talvez isso não seja ruim. Afinal, serve como um lembrete de que o U1 é um robô e não uma pessoa.
Parece haver uma pequena movimentação robótica nas passadas também, mas, como este é o primeiro modelo com características humanas lançado pela empresa, sabemos que haverá melhorias nos próximos anos.
Afinal, qual era a velocidade dos primeiros carros produzidos em massa? Já foram feitas mais de 13.000 encomendas e o U1 não é exatamente barato, então certamente existe demanda por esse tipo de suporte emocional.
A empresa afirma que o robô foi projetado para criar vínculos duradouros e aprender gradualmente sobre os hábitos e preferências de quem convive com ele. O U1 utiliza inteligência artificial para adaptar suas respostas conforme o relacionamento evolui.
Outro diferencial é o alto grau de personalização. Os compradores podem escolher versões masculinas ou femininas e alterar características físicas para aproximar o robô da aparência de um familiar, de uma celebridade ou até mesmo de um personagem fictício.
O preço também limita o acesso. Dependendo da configuração escolhida, o humanoide pode custar o equivalente a dezenas de milhares de dólares, tornando o produto acessível apenas para uma pequena parcela dos consumidores.
O robô tem preço inicial de 119.800 yuans, aproximadamente US$ 16.500 ou R$ 91 mil, para o modelo base. O valor exato depende do modelo escolhido na linha voltada para companhia e suporte emocional.
Nos últimos anos, a China transformou a robótica em uma das prioridades de seu planejamento industrial. Hoje, o país lidera o desenvolvimento de robôs humanoides e concentra grande parte das empresas que atuam nesse segmento.
Somente no último ano, centenas de novos modelos foram apresentados por fabricantes chinesas, abrangendo desde aplicações industriais até equipamentos destinados ao uso doméstico.
Seja como for, é preciso manter um certo ceticismo sobre a real funcionalidade destes robôs chineses. Note sobretudo no segundo vídeo que há humanos desfilando junto aos robôs.
A verdade é que uma rede de influenciadores chineses permite que Pequim dissemine propaganda facilmente para usuários desavisados das redes sociais em todo o mundo.
Pelo menos 200 influenciadores com ligações ao governo chinês ou à sua mídia estatal atuam em 38 idiomas diferentes, português no meio, para promover a tecnologia.
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