![]() | Em 1917, a relação entre Brasil e China era estritamente diplomática e oficial. Em abril de 1913, o Brasil havia se tornado o primeiro país do mundo a reconhecer oficialmente a recém-proclamada República da China. Apesar desse ineditismo político, não havia comércio expressivo ou intercâmbio cultural significativo entre os dois países. A presença de chineses no Brasil era ínfima, embora houvesse registros de pequenos grupos que vieram no século XIX para trabalhar no cultivo de chá e alguns que se estabeleceram em São Paulo a partir de 1900. |

O brasileiro comum raramente via um chinês, e quando havia contato, era superficial ou confundia com japonês. A maioria dos brasileiros poderia viver uma vida inteira sem vislumbrar a "China real".
Nos EUA não era muito diferente, mas foi nesses ano que lá chegou o longa "Uma Viagem pela China. Com pelo menos cinco anos de produção, o documentário foi idealizado por Benjamin Brodsky, um empresário russo viajado que afirmava falar 11 idiomas.
De acordo com um perfil publicado na revista Moving Picture World em 1912, o jovem empreendedor mudou-se de São Francisco para a China após o terremoto de 1906 e abriu um cinema.
Logo, como representante americano da Variety Film Exchange, ele passou a atuar na distribuição e, em 1909, expandiu seus negócios para a produção cinematográfica em Xangai e Hong Kong.
Enquanto conciliava os interesses comerciais, ele filmava suas viagens, que ocorreram não apenas antes da ascensão econômica da China, mas até mesmo antes da Revolução Comunista.
Benjamin levou consigo 6.096 metros de negativos de volta para São Francisco, reduzindo-os a dez rolos, que teriam uma duração aproximada de uma hora e 50 minutos. Desse longa-metragem de viagem, apenas algumas seções sobreviveram, mas você pode vê-las aprimoradas e coloridas com inteligência artificial no vídeo abaixo.
Lembre-se de que as cores que você vê não são, obviamente, as cores que Benjamin teria visto; há também alguma discussão sobre se a IA representou certos tons de pele com uma tonalidade irrealisticamente escura para as regiões onde ele filmou essas cenas.
Afinal, a China é um lugar bastante diverso, não apenas em termos de paisagens, climas e culturas regionais, mas também na aparência de seu povo: algo que muitos ocidentais não teriam imaginado na década de 1910, e, aliás, algo que muitos deles ainda não percebem hoje.
Os laços daquela época com a República da China foram rompidos anos depois, devido à Revolução Comunista de 1949. O Brasil apenas retomaria o diálogo de forma pragmática e oficial com a República Popular da China nas últimas décadas do século XX.
A partir de 1974 com o reatamento diplomático)é que a China começou a se tornar um tema relevante na sociedade e economia brasileiras, culminando na atual parceria estratégica global.
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