![]() | Todos nós já ouvimos esse aviso. Você compra um notebook novinho em folha e um amigo bem-intencionado logo diz: - "Não o deixe ligado na tomada o tempo todo. Você vai acabar com a bateria." Por décadas, essa foi a regra de ouro da eletrônica. As pessoas viviam tirando os carregadores da tomada e, monitorando atentamente a porcentagem da bateria. Mas e se esse conselho for, na verdade, um fantasma dos anos 90? E se, para o notebook moderno que está na sua mesa agora, deixá-lo ligado na tomada geralmente não prejudicar a bateria em nada, e, em alguns casos, até ajudar a preservar sua vida útil? |

Este é um mito digital surpreendentemente persistente, pois seu notebook pode, na verdade, preferir ficar sempre conectado à tomada.
Para entender por que esse mito sobre carregamento ainda existe, precisamos voltar aos notebooks volumosos dos anos 90 e início dos anos 2000.
Naquela época, os computadores portáteis usavam baterias de níquel-cádmio e, mais tarde, de níquel-hidreto metálico. E muitas dessas baterias antigas sofriam de um problema estranho que os engenheiros chamavam de "efeito memória".
Se você recarregasse a bateria repetidamente sem deixá-la descarregar adequadamente, ela poderia, aos poucos, "memorizar" uma capacidade útil menor. Com o tempo, a bateria passava a se comportar como se tivesse menor capacidade de corrente do que realmente tinha.
A tecnologia de carregamento também era muito menos sofisticada. Muitos sistemas antigos mantinham as baterias sob uma carga lenta e constante, gerando calor que as desgastava aos poucos.
Assim, surgiu uma regra simples: carregue a bateria totalmente, tire da tomada e deixe-a descarregar antes de carregar novamente. E, na época, esse era um conselho muito bom. Mas esse mundo não existe mais.
Os notebooks modernos funcionam com baterias de íon-lítio, a mesma tecnologia usada em smartphones, veículos elétricos e inúmeros dispositivos modernos. E as baterias de lítio se comportam de maneira muito diferente.
Primeiro, elas não sofrem do efeito memória. Você pode carregá-las quando quiser, sem prejudicar sua capacidade. Mas a maior mudança está na inteligência integrada aos dispositivos modernos.
Os notebooks de hoje contam com sistemas sofisticados de gerenciamento de bateria: pequenos controladores eletrônicos que monitoram constantemente a tensão, a temperatura e o comportamento de carregamento. Quando a bateria atinge a carga máxima, o sistema simplesmente para de carregá-la.
O notebook passa a funcionar principalmente conectado à tomada, em vez de continuar enviando energia para a bateria. Em outras palavras, os notebooks modernos são projetados especificamente para permanecerem conectados à rede elétrica.
Mas existe um motivo surpreendente pelo qual isso pode, na verdade, ajudar a prolongar a vida útil da sua bateria. As baterias de íons de lítio não envelhecem apenas com a passagem do tempo; sua vida útil é fortemente influenciada por algo chamado "ciclos de carga".
Um ciclo de carga ocorre quando você utiliza o equivalente a 100% da capacidade da bateria. Isso pode acontecer de uma só vez ou por meio de várias descargas menores.
A maioria das baterias de notebook é projetada para suportar entre 500 e 1.000 ciclos de carga antes que sua capacidade diminua de forma perceptível.
Toda vez que você desconecta o notebook, consome a bateria enquanto trabalha na mesa e depois a recarrega, você está gastando um desses ciclos limitados.
No entanto, se o notebook permanecer conectado à tomada enquanto você trabalha, o computador funcionará principalmente com a energia da rede elétrica.
A bateria praticamente não sofre descarga, o que significa que você preserva esses ciclos para momentos em que realmente precisa deles, como ao viajar ou trabalhar longe de uma tomada.
De certa forma, manter o notebook conectado pode retardar o desgaste da bateria ao longo de sua vida útil. Há apenas uma pequena ressalva: as baterias de lítio não "gostam" de permanecer com 100% de carga por períodos extremamente longos, pois níveis de tensão muito elevados podem causar um estresse leve a longo prazo.
Mas os notebooks modernos já resolveram esse problema. Muitos dispositivos agora incluem recursos como carregamento otimizado, carga inteligente ou modo de conservação de bateria.
Esses sistemas aprendem seus hábitos e mantêm a bateria em um nível entre 70% e 80% quando o notebook fica conectado à tomada na maior parte do tempo. Isso mantém a bateria em um estado muito mais estável, reduzindo tanto o consumo de ciclos de carga quanto o estresse causado pela tensão.
É um software discreto realizando exatamente a tarefa que as pessoas costumavam tentar gerenciar manualmente.
Portanto, da próxima vez que alguém lhe disser para não deixar o notebook conectado à tomada, você pode explicar que a tecnologia evoluiu.
Os notebooks modernos são projetados para gerenciar suas baterias de forma inteligente. Em vez de conectar e desconectar constantemente, você pode simplesmente deixar o software fazer o trabalho e preservar os ciclos de carga para quando realmente precisar deles.
E eu vou mais longe: os próprios computadores podem durar mais tempo quando deixados ligados indefinidamente. Por anos eu deixo meu PC ligado direto, só desligando quando acaba a luz ou o sistema necessita de atualização.
Isso evita ciclos térmicos: a expansão e contração física dos componentes causadas pelo aquecimento e resfriamento de desligar e depois ligar o aparelho.
Além disso, a alimentação contínua impede o acúmulo de umidade, reduzindo o risco de oxidação metálica.
A cada inicialização, a temperatura interna do computador oscila rapidamente. Essa expansão e contração podem, com o tempo, enfraquecer as soldas e os circuitos sensíveis.
O funcionamento constante mantém a temperatura estável, prevenindo esse estresse nos materiais.
Deixar o computador ligado gera calor, que evapora a umidade interna. Isso evita a oxidação dos contatos metálicos e das conexões da placa-mãe.
Os discos rígidos (HDDs) sofrem maior desgaste mecânico quando seus motores começam a girar a partir da imobilidade. Mantê-los funcionando continuamente reduz o desgaste dos rolamentos do motor e dos mecanismos dos pratos.
Tranquilo! Quando o desktop está em repouso, em Modo Suspensão, seu gasto de energia é irrisório e não causa diferença alguma na conta de luz.
Apesar dos benefícios físicos para o hardware, deixar um computador ligado 24 horas por dia, 7 dias por semana, pode causar certa degradação do software por mais contra intuitivo que pareça.
Isso acontece, conforme os aplicativos são abertos e fechados, deixando para trás arquivos temporários e memória reservada.
Ao longo das semanas, isso leva ao inchaço da RAM, tornando seu sistema lento. Mas basta usar um utilitário como o CCleaner uma vez por semana para resolver isso. Ele serve para remover arquivos temporários, liberar espaço no armazenamento, apagar rastros de navegação (como cookies e cache), limpar a RAM fragmentada.
A maioria dos especialistas da atualidade recomenda uma abordagem híbrida. Em vez de deixar o computador ligado continuamente, você pode usar as configurações de energia e suspensão do Windows para permitir que a máquina descanse quando não estiver em uso.
Além disso, agendar uma reinicialização completa cerca de uma vez por semana limpa a memória RAM fragmentada e aplica as atualizações de sistema necessárias.
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