![]() | Certamente você já passou pela situação de pegar um pacote de batatas fritas lindo, bem cheio e perfeitamente lacrado, no mercado. Fica com água na boca, mas, no momento em que o abre, vem a decepção: você olha para dentro de um pacote enorme cheio de vento, apenas para descobrir que mais da metade dele é puro espaço vazio. Parece o golpe corporativo definitivo, não é? Uma maneira sorrateira das empresas de salgadinhos cobrarem mais por menos. E, sinceramente, se você já se perguntou se está pagando por um pacote cheio de ar, não está sozinho. |

Os consumidores debatem isso há décadas. Por mais frustrante que esse espaço vazio possa parecer, existem algumas razões surpreendentemente boas para ele existir.
Para entender o espaço vazio, primeiro precisamos analisar a jornada de uma batata frita. As batatas fritas são incrivelmente frágeis. Depois de fatiadas bem fininhas, fritas até ficarem crocantes e temperadas, elas precisam viajar da fábrica para um caminhão, depois para um depósito, para a prateleira do supermercado e, finalmente, para a sua sacola de compras.
Se as empresas de salgadinhos enchessem os pacotes até a boca, o peso dos pacotes empilhados uns sobre os outros, combinado com solavancos e vibrações durante o transporte, deixaria muitas batatas quebradas e esmagadas quando você chegasse em casa; você estaria olhando para uma pilha de pequenos fragmentos em vez de um pacote cheio de crocância satisfatória.
Na indústria de embalagens, esse espaço vazio deliberado é chamado de "folga na embalagem". Combinado com o gás dentro do pacote, ele atua como uma espécie de amortecedor embutido que ajuda a proteger as batatas durante toda a jornada.
E isso não acontece apenas com batatas fritas; cereais matinais, grãos de café e até eletrônicos delicados dependem de certa quantidade de espaço vazio para sobreviver ao transporte. Mas, é claro, isso levanta uma pergunta óbvia: quanto espaço vazio é realmente necessário?
Esse é um ponto que gera discussões há anos entre consumidores, órgãos reguladores e empresas de salgadinhos. Porque, embora um certo espaço livre seja essencial, mais nem sempre é melhor.
A proteção física é apenas metade da história. O verdadeiro segredo está no que realmente preenche esse espaço. Aqui está o fato mais surpreendente de todos: o gás dentro do pacote de salgadinhos não é exatamente igual ao ar ao seu redor.
Se os fabricantes simplesmente selassem o ar ambiente comum dentro dos pacotes, os salgadinhos perderiam o frescor muito mais rápido. O ar comum contém oxigênio e umidade.
A umidade deixa alimentos crocantes moles, e o oxigênio é altamente reativo. Com o tempo, ele faz com que os óleos e gorduras das batatas fritas oxidem, deixando-as murchas e, eventualmente, rançosas.
Por isso, logo antes do pacote ser selado, máquinas removem a maior parte do ar ambiente e o substituem por gás nitrogênio. Esse processo é chamado de injeção de nitrogênio.
Não se preocupe: o nitrogênio é totalmente seguro. Ele já compõe cerca de 78% do ar que respiramos todos os dias. Mas, fundamentalmente, o nitrogênio é um gás inerte. Ele não reage com o alimento, não tem cheiro e não tem sabor.
Ao envolver os salgadinhos nessa atmosfera protetora, os fabricantes retardam drasticamente a oxidação e ajudam a preservar o frescor por muito mais tempo. E, curiosamente, os salgadinhos não precisam realmente de um balão gigante de nitrogênio para se manterem frescos.
Uma vez que há gás suficiente para criar essa atmosfera protetora, adicionar mais não torna os salgadinhos melhores magicamente; essa é uma das razões pelas quais críticos argumentam que nem todo espaço vazio dentro de cada pacote é estritamente necessário.
Esse truque inteligente é uma invenção relativamente moderna. No início do século XX, as batatas fritas eram frequentemente vendidas a granel em vitrines de vidro ou grandes recipientes de lata.
O comerciante as colocava com uma pá em um saco de papel para você. Como ficavam constantemente expostas ao oxigênio e à umidade, perdiam a crocância rapidamente.
Então, em 1926, a empreendedora Laura Scudder mudou o cenário. Ela fez com que seus funcionários pegassem folhas de papel encerado e as passassem a ferro manualmente para formar pacotes.
Sua inovação ajudou a popularizar as embalagens seladas e prolongou drasticamente o frescor. Mas foi apenas em meados do século XX, com os avanços nas embalagens plásticas e na injeção de nitrogênio, que os salgadinhos puderam ser distribuídos por longas distâncias e permanecer frescos por meses.
E, se você ainda está preocupado em estar sendo enganado, há mais um detalhe nessa história. Em muitos países, incluindo o Brasil, segundo o Código de defesa do Consumidor e do Inmetro, os fabricantes são obrigados a declarar o peso líquido exato do alimento contido na embalagem.
Em outras palavras, você paga pela quantidade de salgadinhos indicada na embalagem, e não pelo volume do pacote. Ainda assim, isso não significa que os consumidores estejam errados em se sentir decepcionados ao abrir um pacote e encontrar muito mais espaço vazio do que esperavam, sem contar que as chips não são necessariamente baratas.
Ao longo dos anos, algumas empresas reduziram a quantidade de produto, mantendo o tamanho da embalagem inalterado — uma prática comumente conhecida como reduflação.
A clássica garrafa de vidro da Coca-Cola sofreu redução de volume no Brasil, passando de 330 ml para 290 ml. A reduflação é uma prática contínua de várias indústrias, mas está ligada a oscilações econômicas globais, como reportado em análises de mercado sobre a Coca-Cola. |Sei!
Portanto, a quantidade de espaço vazio que você vê não é determinada apenas pela ciência. Assim, na próxima vez que você abrir um pacote do seu salgadinho favorito e ouvir aquele som característico de ar escapando, lembre-se de que parte desse espaço vazio desempenha uma função importante. Sem ele, muitos dos salgadinhos chegariam quebrados, murchos ou ambos.
Mas quanto espaço vazio é realmente necessário? Essa é uma questão que os amantes de salgadinhos debatem há décadas. Em algum lugar dentro daquele pacote grande demais, existe uma mistura fascinante de física, química, engenharia, economia e até um pouco de psicologia.
E talvez seja isso que torna esse mistério do cotidiano tão interessante. A resposta não é simplesmente que você está pagando por ar, nem que cada centímetro de espaço vazio é absolutamente essencial. A verdade, como sempre, está em algum lugar no meio-termo.
A pergunta que não quer calar: - "Porque a pipoca se torna um asco quando embalada com o mesmo método dos salgadinhos (injeção de gás nitrogênio e selagem hermética)?"
A pipoca murcha porque o amido expandido dela é extremamente poroso. Embora esse método funcione para a batata chips, na pipoca, essa estrutura atua como uma "esponja", absorvendo qualquer umidade residual do ar do pacote, o que a deixa com textura emborrachada.
Para manter a batata chips crocante, o nitrogênio empurra o oxigênio para fora. A chips perde umidade e fica crocante. A pipoca, por outro lado, sofre com a higroscopia, e a mínima umidade presa no pacote a deixa com gosto de "nada com coisa nenhuma".A pipoca precisa de um controle de umidade muito mais rigoroso para continuar crocante na prateleira.
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