![]() | Na Roma Antiga, o filósofo Cícero descreveu a gratidão como a mãe de todas as virtudes. Esse conceito de gratidão tem sido enfatizado na religião e na filosofia há muito tempo. Nesse sentido, em 1820, o filósofo escocês Thomas Brown definiu a gratidão como "aquela emoção deliciosa de amor por aquele que nos fez um favor". Mas, cientificamente, a gratidão não se enquadra como uma emoção básica, como alegria, tristeza ou raiva. Não existe uma expressão facial universal para ela. Como emoção, a gratidão é um pouco difícil de definir. |

Hoje, o Dicionário Aurélio define gratidão como "reconhecimento de um benefício ou demonstração de agradecimento a alguém por algo bom que essa pessoa tenha feito". E só começamos realmente a estudar a gratidão de forma científica nos últimos 30 anos.
Em um estudo de 2015, pediu-se aos participantes que imaginassem como se sentiriam se um completo estranho salvasse suas vidas. Quer dizer, como você se sentiria?
Os participantes tiveram de avaliar o grau de gratidão em relação a estranhos que lhes deram alimentos e roupas, tudo isso enquanto seus cérebros eram escaneados em uma máquina de ressonância magnética funcional (fMRI).
Os pesquisadores descobriram que as avaliações de gratidão estavam positivamente correlacionadas com a atividade em áreas do cérebro associadas à justiça e a julgamentos de valor.
Isso faz sentido, pois a gratidão é frequentemente considerada uma emoção moral. Existem até benefícios em simplesmente reconhecer o quanto você é grato.
Outro estudo pediu às pessoas que anotassem, durante uma semana, três coisas que correram bem naquele dia e os motivos disso. Ao final da semana, as pessoas estavam ligeiramente mais felizes do que no início e, com o passar do tempo, seus níveis de felicidade continuaram a melhorar.
Após um mês, estavam 5% mais felizes e, após seis meses, 9% mais felizes. Tudo isso apenas por manterem um diário durante uma semana.
Algo semelhante foi feito com pessoas que sofriam de doenças cardíacas. Manter um diário de gratidão melhorava a saúde do coração e a qualidade do sono, talvez por reduzir o estresse.
Contar as suas bênçãos torna as pessoas, literalmente, mais felizes e saudáveis. E algumas pessoas têm até uma predisposição biológica para serem mais gratas.
Em um estudo recente com 77 casais, aqueles que possuíam uma variação genética específica, que afeta a secreção de ocitocina, expressaram mais gratidão em relação aos seus parceiros.
Acredita-se que a ocitocina desempenhe um papel importante na promoção de laços sociais estreitos; portanto, a gratidão faz parte do "elo" que mantém esses relacionamentos unidos.
Então, se você acha que "o que vale é a intenção", pense duas vezes. A ciência mostra que existem benefícios incríveis para a nossa mente, o nosso corpo e os nossos relacionamentos quando dizemos aquela pequena e simples palavra: "obrigado".
Por outro lado, ajudar o próximo ativa o sistema de recompensa cerebral, liberando neurotransmissores como dopamina, serotonina e ocitocina. Essa resposta fisiológica reduz o estresse, diminui a pressão arterial, eleva a autoestima e fortalece o sistema imunológico, promovendo maior longevidade e bem-estar geral.
A ciência explica que o altruísmo gera impactos diretos e mensuráveis no nosso organismo e na nossa mente. Ações de cuidado ativam a liberação de ocitocina, hormônio que reduz a produção de cortisol (o hormônio do estresse). Isso diminui os batimentos cardíacos e protege o sistema cardiovascular.
Atos de generosidade acionam as áreas frontais e o estriado ventral do cérebro, liberando dopamina e gerando uma sensação profunda de satisfação.
O voluntariado e a ajuda ativa combatem o isolamento social, promovendo a conexão com a comunidade e dando maior significado à vida.
Estudos indicam que o suporte social e a empatia reduzem a atividade na amígdala cerebral (centro do medo), melhorando quadros de ansiedade. Mas isso é assunto para nos aprofundarmos em outro artigo
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