![]() | O sapo que você vê neste artigo é um dos anfíbios mais impressionantes que existem, então como você não pararia para tirar uma foto se encontrasse um? Bem, na prática, é improvável que você encontre um se morar em São Paulo, Joinville e até em Manaus, porque este sapo, chamado sapo-galáxia (Melanobatrachus indicus), que parece ser de outra galáxia, é nativo de um lugar muito específico na Índia: as florestas perenes da cordilheira dos Gates Ocidentais, a uma altitude entre 900 e 1200 metros. |

Então, se a montanha não vem a Maomé, Maomé deve ir à montanha: assim como algumas pessoas viajam para o Brasil para nadar com piranhas, outras planejam suas próprias viagens para fotografar o sapo-galáxia. Essas excursões fotográficas não regulamentadas já estão causando estragos: um grupo inteiro de espécimes desapareceu da floresta tropical.
Como você pode ver na fotografia do sapo-galáxia, ele recebe esse nome por sua aparência cósmica, com fundo preto brilhante e minúsculas manchas brancas que lembram estrelas.
Não é uma aparência que passe despercebida, mas, devido ao seu tamanho semelhante ao da ponta de um dedo e ao fato de se esconder em pequenos espaços, como fendas sob pedras, folhas caídas e árvores em decomposição, não é fácil avistá-lo a olho nu.
Sair para fotografar uma espécie ameaçada de extinção não é do interesse da espécie. Manuseá-la de forma descuidada também não é.
E não são fáceis de avistar simplesmente porque estão desaparecendo da face da Terra: os sapos-galáxia estão listadas como "ameaçadas" e seu estado de conservação está piorando, de acordo com um estudo publicado na revista Herpetology Notes.
O artigo aponta diretamente para um dos principais culpados: as excursões fotográficas descontroladas, que causam alterações e mudanças de comportamento que afetam a alimentação e a reprodução doa anfíbios.
A equipe de pesquisa responsável pelo estudo, liderada por Rajkumar K. P., cientista da Sociedade Zoológica de Londres, monitora essa área da floresta tropical desde 2019, o que lhes permitiu acompanhar a população de Melanobatrachus indicus ao longo do tempo.
Como revela a pesquisa, os fotógrafos estão familiarizados com o microhabitat da espécie por meio de publicações e rastreadores locais, e movem vários troncos enquanto procuram os sapos. E não só isso, eles frequentemente movem os sapinhos para colocá-los sobre musgo ou troncos para que possam tirar uma foto com um fundo mais atraente.
Para os sapos, isso significa não apenas a presença de humanos ou mudanças em seu habitat e nos elementos onde se escondem e encontram alimento, mas também suportar o manuseio repetido e os flashes potentes das câmeras iluminando a cena por horas.
Tocar em um animal selvagem tão sensível sem protocolos de biossegurança não é uma boa ideia: estresse, calor, possíveis doenças... esses são alguns dos problemas de saúde que eles sofreram, como detalha o artigo.
A pesquisa conclui com uma série de boas práticas, uma medida que, segundo os pesquisadores, deveria ser estabelecida como padrão ético para a fotografia de natureza e conservação.
- "Este não é um estudo contra a fotografia de natureza, já que quando feita corretamente ela pode ser a melhor aliada", explicou Rajkumar. - "É um recurso tremendo para ajudar os conservacionistas a entender melhor aspectos como distribuição e comportamento animal, e as imagens resultantes também podem educar outras pessoas sobre essas espécies incríveis. No entanto, a fotografia irresponsável pode transformar esse recurso em um perigo."
Rajkumar usa esse triste episódio como "um alerta contundente sobre as consequências da fotografia não regulamentada", e afirma que, sem uma gestão cuidadosa e responsável, corremos o risco de que estas criaturasm maravilhosas desapareçam do planeta para sempre.
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