![]() | - "Eu... responda para mim aqui bem baixinho para que ninguém ouça: você sabe usar um ábaco?" Não precisa ficar envergonhado. Poucas pessoas sabem usar um ábaco hoje em dia, principalmente devido à ampla adoção de calculadoras eletrônicas e computadores, que são mais rápidos, mais eficientes e mais fáceis de usar para a maioria dos cálculos. O ábaco deixou de ser uma ferramenta prática essencial para se tornar um recurso educacional de nicho ou um artefato cultural em muitas partes do mundo. |

O escritor "profeta noir do cyberpunk" William Gibson observou, certa vez, que o futuro já chegou, só não está distribuído igualmente.
Essa frase é frequentemente atribuída ao Japão, que já projetava uma imagem completamente futurista, pelo menos na cultura popular, quando ele estreou com "Neuromancer" em 1984.
Mas, como qualquer pessoa que tenha passado tempo suficiente no país entende -ainda que não sem frustração-, mesmo o Japão do século XXI permanece, em muitos aspectos, uma sociedade pré-digital.
Muitas empresas só aceitam dinheiro vivo, diversos serviços exigem comunicação por fax e não há substituto para o selo físico hanko em documentos importantes. Mesmo assim, pode ser surpreendente saber que o Japão ainda usa ábacos.
Ou melhor, o Japão ainda usa ábacos como ferramentas educacionais: você não verá muitos lojistas os utilizando enquanto registram suas compras, mas se você der uma olhada na vitrine de uma escola particular adequada, poderá muito bem ver jovens estudantes realizando cálculos freneticamente da maneira tradicional.
Se forem suficientemente avançados, como explicado no vídeo da BBC que ilustra este artigo, eles nem sequer terão ábacos de verdade; simplesmente movimentarão contas visualizadas em suas mentes.
Isso me faz lembrar de como o gênio interpretado por Dustin Hoffman no ótimo "Rain Man" explica sua capacidade de realizar cálculos mentais aparentemente impossíveis:
- "É fácil, eu consigo ver."
Esse tipo de educação intensiva com ábaco era comum no nordeste da Ásia em meados do século XX, quando as habilidades aritméticas que cultivava eram importantes tanto para a sobrevivência individual quanto para o desenvolvimento nacional.
Foi justamente esse desenvolvimento que tendeu a levar o ábaco à obsolescência. Quando a Coreia passou a ter acesso a calculadoras eletrônicas, o prestígio associado ao domínio do ábaco praticamente desapareceu da noite para o dia.
Pais coreanos determinados ainda podem matricular seus filhos em aulas de jupan, assim como pais chineses podem incentivar os seus a participar de competições de suanpan por um senso de orgulho cultural, mas essas aulas não têm o mesmo status que o soroban desfruta no Japão.
Isso pode ser corroborado por pesquisas neurocientíficas que apontam para os benefícios que o aprendizado do ábaco pode trazer para as funções cognitivas em desenvolvimento.
O treinamento com o ábaco aprimora a função cognitiva, aguçando a concentração, acelerando o processamento de informações e fortalecendo a memória visual, o que leva a uma melhor memória e foco sustentado.
Mas, como qualquer entusiasta da cultura artesanal japonesa sabe, por mais difícil que seja fazer as coisas com ferramentas analógicas, às vezes é simplesmente mais gratificante.
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