![]() | Cada cultura tem seus próprios ditados sobre a singularidade e a transitoriedade do momento presente. Nos últimos anos, os anglófonos são frequentemente lembrados, por meio da expressão "yolo", de que só se vive uma vez. No Japão, não surpreendentemente, às vezes se ouve um equivalente muito mais venerável: "i chi-go ichi-e", que alguns leitores familiarizados com a língua japonesa podem ter certeza de que não tem nada a ver com morangos, ichigo, senão que podem ser traduzidos como "uma vez, um encontro". |

Com sua influência budista, é apenas um exemplo da vasta biblioteca de yojijukugo, expressões aforísticas altamente condensadas escritas com apenas quatro caracteres.
Conta-se que ele descende de um ditado um pouco mais longo, apreciado pelo maior mestre de chá do século XVI, Sen no Rikyū, "ichi- go ni ichi-do".
É preciso demonstrar respeito ao anfitrião de uma cerimônia do chá, pois o encontro só ocorre uma vez o que, de fato, aconteceria mesmo que a cerimônia fosse um evento regular.
Pois nunca, parafraseando a mitologia grega, entramos duas vezes no mesmo rio; dois eventos, separados no tempo, jamais podem ser verdadeiramente idênticos.
Uma das implicações, como observado nos vídeos que ilustram este post, é que devemos saborear qualquer momento em que nos encontremos, por mais imperfeito que seja, porque não teremos uma segunda chance de fazê-lo.
E se ele oferecer pouco ou nada de prazeroso, podemos nos consolar com o fato de que seu desagrado específico também nunca poderá nos atingir novamente.
Com o passado já passado e o futuro incerto, o momento presente, em todo caso, é o único tempo que realmente existe para nós, então é melhor nos sentirmos confortáveis nele.
Isso pode parecer a cantilena de coletivos de consciência coletiva, mas é uma das poucas "filosofias baratas" sensatas. O momento presente é tudo o que realmente temos. Quando nos apegamos ao passado, estamos nos envolvendo com momentos que um dia foram o presente, mas que já passaram. Da mesma forma, o futuro é apenas um momento presente que ainda não chegou.
Ao focarmos no presente, vivenciamos a vida plenamente, à medida que ela se desenrola. Se olharmos constantemente para trás com arrependimento ou para frente com ansiedade, perdemos o que está acontecendo agora.
O passado não pode ser mudado e o futuro é incerto, mas o presente é real e está sob nosso controle. Ao abraçarmos o presente, permitimos-nos viver com clareza, gratidão e atenção plena. É neste momento que podemos fazer escolhas, encontrar alegria e conectar-nos verdadeiramente conosco próprios e com os outros.
Embora essas ideias talvez tenham encontrado sua expressão mais elegante e memorável no Japão, elas dificilmente são consideradas propriedade cultural exclusiva daquele país. Afinal, o título japonês de Forrest Gump era "Foresuto Ganpu: Ichi-go Ichi-e".
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