![]() | Há mais de um século, os cientistas acreditavam que a simbiose, uma relação próxima e duradoura entre espécies diferentes, era um fenômeno raro e especial. Hoje, sabemos que é incrivelmente comum. Muitas plantas e animais dependem de outra forma de vida para sobreviver. A simbiose pode se manifestar na forma de comensalismo, onde uma das partes se beneficia e a outra não é afetada, como pássaros que encontram abrigo em árvores, por exemplo. É comum o uso de restos alimentares de outros animais, como a rêmora que se alimenta dos detritos do tubarão. |

Por outro lado, o parasitismo, onde uma das partes se beneficia e a outra é prejudicada. O parasita obtém nutrientes e abrigo, com adaptações para habitar interna ou externamente o hospedeiro, podendo ser ectoparasitas (fora) ou endoparasitas (dentro).
Mas a versão mais reconfortante é o mutualismo simbiótico, onde ambas as partes se beneficiam. Todos conhecemos o exemplo clássico: o peixe-palhaço ganha proteção das anêmonas e, em troca, as anêmonas recebem restos de comida e são limpas.

Um gobídeo-de-barbatana-alta (Stonogobiops nematodes) e um camarão-pistola-de-Randall (Alpheus randalli).
Mas existe um exemplo menos conhecido de mutualismo simbiótico que está acontecendo em nossos oceanos: a relação entre o peixe-gobídeo e o camarão-pistola.
Os gobídeos são pequenos peixes que vivem no fundo do mar. A família é extremamente diversa, sendo uma das maiores famílias de peixes marinhos, com mais de 2.000 espécies no mundo.
No Brasil, embora não haja um número único exato universalmente citado, a diversidade é alta, com dezenas de espécies descritas em águas estuarinas e marinhas. Um levantamento prévio só no Ceará identificou 30 espécies.

Um gobídeo feroz (Ctenogobiops feroculus) e um camarão-pistola.
São peixes rápidos e com visão aguçada. Mas existe um grande problema: no oceano, há poucos lugares para um peixe pequeno se esconder e os gobídeos servem de "lanchinho" para quase todos.
Apresentamos o camarão-pistola: um minúsculo crustáceo que usa suas fortes garras para cavar tocas no fundo do mar, o esconderijo perfeito.
Então, o gobídeo obviamente precisa do camarão-pistola e de suas tocas para se esconder, mas por que o camarão-pistola iria querer um gobídeo por perto? Bem, os camarões-pistola são cegos. Esses dois se complementam perfeitamente.
O camarão-pistola escava e mantém uma toca, e o gobídeo fica de sentinela, vigiando a chegada de predadores que o camarão-pistola não conseguiria ver.
Eles até desenvolveram uma maneira inteligente de transmitir informações um ao outro. Cada vez que o camarão emerge de sua toca, ele coloca uma de suas antenas no peixe-gobídeo.
Se houver perigo à espreita, o gobídeo vibra o corpo ou agita a cauda para alertar o camarão. Se a ameaça for grande ou estiver vindo diretamente em sua direção, o gobídeo mergulha na toca ou bloqueia a entrada com o corpo.
Se a costa estiver livre, o gobídeo ficará na entrada da toca, alimentando-se de zooplâncton ou pequenos invertebrados que passarem, enquanto o camarão mexe na toca, cavando-a cada vez mais fundo no fundo do mar.
Você vai notar que esta simbiose é tão legal e especial que os carinhas parecem até "jarros de flor" combinando entre si as mesmas cores e padrões. Isto permite inferir de antemão qual espécie de cada gênero vai combinar com outro.
Curiosamente, esse comportamento é tão instintivo que também se manifesta em cativeiro. Proprietários de aquários relataram que, se um gobídeo ou camarão-pistola morrer, basta adicionar outro e torcer para que eles criem um vínculo. Mas, ainda que tenham o mesmo padrão não é garantido que surja a parceria. Às vezes, simplesmente a química não rola!
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